Vem aí um teste para a saúde. Uma massa de ar quente para esta época do ano vai cobrir várias províncias do Centro e do Norte da Argentina, o Uruguai, o Paraguai e o Sul do Brasil nos próximos dias com temperatura bastante acima do que é comum para os últimos dias de junho.

O ar quente vai cobrir uma área abrangente da América do Sul com uma sequência de dias quentes para junho. A MetSul Meteorologia projeta vários dias seguidos de temperatura acima da média, ao menos até a metade da semana que vem na maioria dos municípios gaúchos, com calor para os padrões de junho.

No período, o ar mais quente vai influenciar as condições do tempo enquanto o ar polar estará retido no Sul do continente. O ar mais quente dos próximos dias virá com umidade, o que tornará muitas tardes abafadas.


Haverá ainda períodos de instabilidade com chuva intercalados com sol. Hoje, mais na Metade Norte. No fim de semana, na Metade Sul. E, no começo da semana, mais sobre os países do Prata e o Sul gaúcho.

Modelos numéricos projetam em algumas tardes máximas de 27ºC a 29ºC em parte do estado, como na Fronteira Oeste, Noroeste, Grande Porto Alegre e nos vales, quando as máximas médias históricas desta época do ano são ao redor de 19ºC e 20ºC.

Porto Alegre terá até terça uma sequência de tardes com máximas ao redor ou acima de 25ºC com possibilidade em alguns dias de atingir até 26ºC a 27ºC. No domingo, a nebulosidade pode frustrar maior aquecimento, mas ainda assim o dia será abafado.


No Noroeste gaúcho, em especial, onde a atmosfera estará mais seca, os próximos dias tendem a ter tardes mais quentes com marcas muito altas para esta época do ano, que não se afasta possam se aproximar dos 30ºC em alguns pontos.

Os mapas a seguir mostram a tendência de anomalia de temperatura em 850 hPa (nível de pressão equivalente a 1.500 metros de altitude) a partir dos dados do modelo europeu. Esta variável, usada em Meteorologia para se ver quão quente ou fria é uma massa de ar, mostra que a atmosfera até o meio da semana que vem estará mais quente a muito mais quente que o normal para esta época do ano.


Na Argentina, o calor também se fará sentir e com mais força que no Rio Grande do Sul. De acordo com os dados dos modelos, as anomalias de temperatura tendem a ser ainda maiores no país vizinho, onde em algumas províncias os termômetros devem marcar mais de 30ºC no auge do inverno.

O aquecimento vai criar uma condição que é detestada pelas pessoas. O ar mais quente em contato com as superfícies resfriadas vai fazer com que pisos e paredes fiquem úmidos ou molhados nas casas e prédios, o que é comum ocorrer nos meses de inverno.

Os dados dos modelos numéricos indicam que entre os dias 28 e 29 cruzaria uma frente fria pelo Rio Grande do Sul com queda de temperatura, mas sem trazer frio muito intenso, como o que foi registrado no começo desta semana. Por isso, o resfriamento não seria acentuado e logo voltaria a aquecer.

Este é um inverno sob El Niño e que a MetSul projetou terá temperatura acima da média. Não significa ausência de frio, mas um maior número de dias amenos ou quentes durante a estação mais fria do ano. A segunda metade do inverno, em especial, tende a ser mais úmida e chuvosa.