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Um bloqueio atmosférico associado à poderosa massa de ar quente que está centrada sobre o Rio Grande do Sul e o Nordeste da Argentina impede o avanço de sistemas meteorológicos que poderiam trazer chuva mais generalizada e um alívio para as áreas afetadas pela onda de calor que ingressa hoje no seu 10º dia no estado gaúcho.


A análise do modelo meteorológico norte-americano GFS desta sexta-feira mostra como uma área de alta pressão atmosférica se encontra posicionada exatamente sobre o Rio Grande do Sul neste momento, o que faz com que a onda de calor histórica e uma das mais fortes da história gaúcha se prolongue e se intensifique ainda mais.

ALERTALEIA ALERTA DE CALOR EXCESSIVO NO RIO GRANDE DO SUL


A alta pressão, com seu movimento do ar descendente que gera aquecimento, funciona como uma tampa em uma panela, aumentando a intensidade do calor a cada dia. O efeito é uma escalada da temperatura. Ontem, o Instituto Nacional de Meteorologia registrou a maior temperatura em sua rede no Rio Grande do Sul desde 1986 em Uruguaiana com 42,1ºC e a previsão é de um fim de semana escaldante com marcas históricas em muitas cidades gaúchas.

Com o bloqueio da área de alta pressão e do ar extremamente quente, a instabilidade não consegue progredir e a chuva fica retida principalmente sobre a província de Buenos Aires, devendo alcançar ainda o Sul do Uruguai. O resultado é instabilidade persistente na zona com chuva volumosa. Observe na imagem de satélite da manhã desta sexta como a faixa de nuvens com chuva ondula e não consegue ingressar no Rio Grande do Sul.

Como resultado do bloqueio, fortes chuva atingiram ontem o Sul da província de Buenos Aires com cenas impressionantes, como a que ocorreu na localidade de Carmen de Patagones, onde a água acumulou tanto que ultrapassou a altura das janelas de uma casa de trabalhadores rurais. As imagens falam por si: embora em alguns lugares a água tenha atingido a altura das portas, cobrindo a calçada, em outros a situação ficou desesperadora.

De acordo com a imprensa local, o casal da residência inundada, foi resgatado com a ajuda das autoridades municipais. A moradora relatou que a chuva começou na quarta-feira e que, salvo alguns momentos, não parou: “Já por volta das 6h da manhã da quinta começou a entrar água por todos os lados e isso durou até às duas da tarde quando vieram nos procurar”, contou. Quando saíram, a água já estava a menos de um metro do telhado da casa.

A mesma região agora assolada por chuva intensa até a semana passada enfrentava grave seca e chegou a registrar temperatura de até 44ºC. A MetSul alertava no começo da semana que áreas da Argentina sairiam da seca para enchentes. Os acumulados de precipitação medidos por produtores rurais em pontos de Carmen de Patagones variou de 200 mm a 300 mm. Estação do Serviço Nacional de Meteorologia (SMN) da Argentina em Pehuajo anotou quase 100 mm.

Na cidade de Navarro, a 125 quilômetros da Cidade de Buenos Aires, as fortes tempestades também causaram danos. Destelhamento, queda de árvores, quedas de postes de energia e telefonia deixaram parte da população incomunicável. O SMN qualificou a tempestade como supercelular e que avançou do interior da província de Buenos Aires até a área metropolitana da capital argentina.

A passagem da tempestade por Ezeiza trouxe rajadas de vento de 87 km/h. A tempestade causou danos significativos ao Aeroporto Internacional Ministro Pistarini, com telhados arrancados que causaram vazamentos de água significativos na área de pré-embarque assim como em hangares do aeroporto internacional da capital argentina.

A tendência, segundo a MetSul, é de novos episódios de chuva excessiva e tempestades nesta sexta na província de Buenos Aires e ainda no Sul das províncias argentinas de Santa Fé e Entre Rios assim como em parte do Uruguai. Fortes temporais de vento e granizo castigaram vários departamentos uruguaios da tarde para a noite de ontem com queda de granizo médio a grande em alguns pontos.

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