Anúncios

Cinco anos depois de ter enfrentado o maior incêndio de toda a sua história, quando foram destruídos cinco mil hectares de área, a Estação Ecológica do Taim, no Sul do Estado, enfrenta uma nova ameaça desde terça-feira. O fogo volta a castigar a reserva que é um dos paraísos ecológicos do Rio Grande do Sul. A estimativa é de que a linha de fogo no local tenha alcançado 700 hectares em linha reta até o fim da tarde de ontem. O Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela administração da reserva, espera a chegada de dois aviões de maior porte nesta quinta para controlar as chamas. O local é de difícil acesso e algumas tentativas frustradas para combater o incêndio foram feitas com dois aviões de uso agrícola, com tanques de 600 litros de capacidade. Dos 700 hectares atingidos, a estimativa é de que 300 foram os mais prejudicados, onde a palha é mais alta. Técnicos explicam que, por se tratar de área de banhado, nos locais em que a palha é mais baixa, ao entrar em contato com a água, o fogo se extingue sozinho (fotos de Henrique Ilha/ICMBio e Fábio Dutra/Correio do Povo)


Incêndios de grande dimensão em vegetação como na reserva ecológica do Taim são bem mais comuns durante períodos de estiagem no Rio Grande do Sul. Março tem chuva abaixo da média na região, mas o quadro está muito distante de configurar uma estiagem. Os mapas abaixo mostram os índices de risco de seca para esta última semana de março de 2013 e a última semana de janeiro de 2008, quando ocorreu o maior incêndio da história da reserva. Atente que em 2008 havia pontos com estiagem no departamento uruguaio de Rocha, na fronteira, e alguns pontos também no Sul do Estado, o que não se vê agora.

Até ontem, neste mês, Santa Vitória do Palmar acumulava 49,3 mm e Rio Grande 27,2 mm. Ocorre que em fevereiro Santa Vitória teve 222 mm e a cidade portuária 192,3 mm, ou seja, o mês anterior foi muito chuvoso na região. Tanto é assim que o risco de fogo estimado por modelos é alto (em vermelho) em outras áreas mais a Oeste do Estado, mas não no Sul gaúcho.


Conforme a administração da reserva, o primeiro foco de incêndio foi percebido por volta das 9h da terça-feira. Entre as causas especuladas estão que um raio tenha atingido o local e iniciado o fogo ou um curto circuito nas linhas de energia que atravessam a reserva. No começo da madrugada de terça-feira, houve a passagem de forte área de instabilidade na região do Taim com queda de raios. A MetSul Meteorologia alerta que é fundamental que os esforços de contenção do fogo tenham sucesso nos próximos dias porque o tempo não vai colaborar. Não há perspectiva de chuva ampla e mais volumosa na região entre Rio Grande e o Chuí até o período entre terça e quarta da semana que vem, quando aí a chuva pode se tornar aliada para extinguir o fogo. A grande preocupação, contudo, é o vento. O Extremo Sul do Estado é uma região ventosa, o Taim uma área de planície e as rajadas podem espalhar rapidamente o fogo. Os meteorologistas da MetSul alerta quem o grande risco nos próximos dias é o vento. Hoje é fraco a moderado, mas da tarde para a noite nesta sexta se intensifica, podendo soprar com 50 a 60 km/h no sábado. Enfraqueceria no domingo, contudo ganharia muita força na segunda e na terça por conta da atuação de uma área de baixa pressão. Na terça-feira, inclusive, a região do Taim pode ter rajadas fortes em alguns pontos, de acordo com os modelos de hoje de 70 km/h a 90 km/h, o que seria um desastre se o fogo não estivesse ainda controlado.



Motoristas devem ter muita atenção na BR-471 que corta a Reserva Ecológica do Taim porque a densa fumaça do incêndio traz forte redução de visibilidade em alguns trechos (foto de Fábio Dutra)

A reserva do Taim ocupa uma área de cerca de 34 mil hectares – parte no município de Santa Vitória do Palmar e parte em Rio Grande. A finalidade é a preservação de um grande ecossistema de animais e vegetais em banhados, campos, lagoas, praias arenosas e dunas litorâneas. Quanto ao impacto do fogo sobre os animais da reserva ecológica, os administradores da reserva dizem que o risco é maior para répteis e anfíbios, como sapos, rãs e cobras, devido à mobilidade menor. Mas, por se tratar de área de banhado, é possível que muitos consigam se proteger do fogo ao mergulhar na água.

Anúncios