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Chile tem quase uma centena de mortes confirmadas e centenas de desaparecidos por incêndios florestais catastróficos na região de Viña del Mar e Valparaíso, na costa do Pacífico. Onda de calor com baixa umidade e vento contribuiu para que o fogo avançasse muito rapidamente. | RODRIGO ARANGUA/AFP/METSUL METEOROLOGIA

O Chile foi atingido pelo que se denomina de uma tempestade de fogo. De acordo com a classificação da NOAA, um incêndio florestal – ou vários incêndios florestais na mesma área – pode causar uma tempestade de fogo. Uma tempestade de fogo ocorre quando o calor de um incêndio cria seu próprio sistema de vento. Este fenômeno pode levar a efeitos meteorológicos extremamente perigosos.

Numa tempestade de fogo, que somente ocorre em grandes incêndios florestais, à medida que o calor do fogo original absorve cada vez mais o ar circundante, uma corrente de vento ascende na atmosfera com fortes rajadas de vento direcionadas ao redor do fogo, aumentando as chamas.


Pelo terceiro dia, o Chile combatia neste domingo os incêndios florestais mais mortíferos da sua história recente, com vários pontos ardendo. Os incêndios florestais sem precedentes que atingiam a região de Valparaíso, no centro do Chile, já deixaram 99 mortos, informou neste domingo o Serviço Médico Legal. Há centenas de desaparecidos.

Na cidade de Viña del Mar, também na região central de Valparaíso, as vítimas ficam sem teto e procuram vizinhos e animais de estimação em ruas cheias de escombros queimados. A prefeita local afirma que há quase 400 desaparecidos na cidade.


“Não sobrou uma única casa aqui”, lamentou a moradora Lilián Rojas, uma aposentada de 67 anos que morava perto do Jardim Botânico de Viña del Mar, que desapareceu devido ao incêndio, falando à agência entre os escombros e as cinzas do bairro que vivia.

Viña del Mar, 120 km a Noroeste de Santiago, foi uma das áreas mais atingidas pelos piores incêndios florestais que o Chile sofreu na sua história recente. “É a maior tragédia que tivemos desde o terramoto de 2010”, disse Boric, referindo-se ao sismo de magnitude 8,8, que foi seguido por um tsunami, que ocorreu em 27 de fevereiro de 2010 e deixou mais de 500 mortos.

Para descrever a agressividade e velocidade com que os incêndios se espalharam na tarde de sexta-feira sobre áreas povoadas, Rojas disse que o incêndio os surpreendeu em questão de minutos. Rojas disse que fumaça vindo de uma luz distante, foi “por um momento” para o seu quarto ver televisão e quando saiu “para olhar para fora, as pessoas já estavam correndo”, lembrou.

JAVIER TORRES/AFP/METSUL METEOROLOGIA

JAVIER TORRES/AFP/METSUL METEOROLOGIA

RODRIGO ARANGUA/AFP/METSUL METEOROLOGIA

“Saí de casa, fechei a porta e fui embora. Não sabia mais porque fui ao centro de Viña del Mar”, descreveu Rojas, mostrando seu vestido rosa para ressaltar: “Agora é a única coisa que eu tenho”, narrou. A estimativa oficial é de 3 a 6 mil casas atingidas pelo fogo.

“O tempo parou, não sei se eram 4 ou 5 da tarde (…) Temos uma brigada florestal aqui ao lado, temos torneira de água, nunca usaram, consumiu. tudo. Não sobrou nem uma casa”, resumiu o horror a aposentada, que vive com uma pensão de 206 mil pesos, cerca de 228 dólares por mês.

Calor intenso e tempo seco favorecem crise 

As condições meteorológicas das últimas horas parecem dar uma trégua “com uma área de baixa pressão costeira que permite arrefecer o fogo”, disse a ministra do Interior, Carolina Tohá, referindo-se a um fenômeno típico da costa do Pacífico, que produz muita nebulosidade, alta umidade e, portanto, temperaturas mais baixas. “As condições hoje são mais propícias às tarefas de apoio às vítimas e contenção dos incêndios”, afirmou a ministra.

No terceiro dia da crise dos incêndios, o foco está em Las Tablas, o mais importante foco de chamas no entorno de Valparaíso, que ainda está ativo e “cobre um perímetro de 80 km”, disse Tohá. Em toda a região, conhecida pelas praias turísticas e pela produção de vinho, bombeiros, 1.300 militares e voluntários civis estão destacados para ajudar no combate às chamas, mas também às vítimas que perderam tudo.

Na última década, multiplicaram-se no Chile episódios de mega-incêndios florestais relacionados com condições meteorológicas extremas, altas temperaturas, uma seca prolongada, construção de casas em locais não licenciados e uma grande percentagem devido à negligência humana.

Uma onda de calor com temperaturas máximas recordes assola atualmente o Cone Sul da América do Sul, onde o fenômeno climático natural El Niño é agravado pelo aquecimento global causado pela atividade humana, segundo especialistas. A mesma região do desastre de agora enfrentou incêndios catastróficos em 2014, descritos como menores que os atuais.

JAVIER TORRES/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Caminhando em meio à fumaça, milhares de pessoas voltaram neste fim de semana para as ruínas de suas casas destruídas pelos “incêndios sem precedentes” que mantêm Viña del Mar, Valparaíso e outras regiões do Centro e do Sul do Chile em situação de emergência.

“Isso foi um inferno, explosões. Tentei ajudar o vizinho a desligar o carro, minha casa estava começando a pegar fogo por trás. Foi uma chuva de cinzas”, disse à AFP Rodrigo Pulgar, motorista que perdeu sua casa em El Olivar, um dos setores mais devastados pelas chamas.

JAVIER TORRES/AFP/METSUL METEOROLOGIA

As áreas mais afetadas ficam perto das praias do Pacífico, 80 e 120 km a Noroeste de Santiago, onde operam empresas vinícolas, agrícolas e madeireiras. A região recebe nesta época do ano um grande número de turistas. Os fortes ventos levam as chamas para fábricas e estabelecimentos comerciais.

JAVIER TORRES/AFP/METSUL METEOROLOGIA

JAVIER TORRES/AFP/METSUL METEOROLOGIA

JAVIER TORRES/AFP/METSUL METEOROLOGIA

A intensa onda de calor que castigou a região metropolitana de Santiago do Chile fez com que a temperatura chegasse na quinta-feira a 37,3ºC, a terceira temperatura mais elevada registada nos últimos 55 anos, informou a Direção Meteorológica do Chile (DMC).

Segundo o órgão oficial de Meteorologia chileno, a temperatura foi observada às 16h07 locais na a estação da Quinta Normal, bairro popular do centro da capital. O recorde de temperatura só é superado pela marca de 2017, ano em que a mesma estação atingiu os 37,4ºC, e a máxima absoluta de 38,3ºC de janeiro de 2018. A temperatura mais alta que o Chile anotou desde o início dos registros é de 42,2ºC.

Solidariedade mundial e regional 

Os testemunhos comoventes das vítimas que perderam as suas casas e famílias, bem como as imagens das chamas que cobrem colinas povoadas em Viña del Mar, região de Valparaíso, levaram o Papa Francisco a referir-se a esta catástrofe chilena.

Inclinando-se para fora da janela do palácio apostólico, o pontífice pediu para rezar “pelos mortos e feridos nos incêndios devastadores no Chile”, depois do angelus dominical na Praça de São Pedro.

O alto representante da União Europeia (UE), Josep Borrell, ofereceu apoio ao Chile em consequência deste novo episódio de “incêndios devastadores com numerosas vítimas mortais, lembrando-nos os estragos da seca e do clima”, indicou numa mensagem.

JAVIER TORRES/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Vários governos latino-americanos expressaram sua solidariedade ao Chile e ofereceram ajuda. Um dos primeiros a se manifestar foi o governo do Peru, cujo Ministério das Relações Exteriores expressou em um comunicado “seu pesar e solidariedade ao povo e ao governo do Chile pelas vítimas e graves danos causados ​​pelos incêndios atualmente em Valparaíso e arredores.”

Governos do Uruguai, Paraguai, Bolícia, Colômbia, Equador, Venezuela e Argentina, dentre outros, divulgaram notas de solidariedade. O governo do Brasil expressou seu “profundo pesar” pelo “número significativo de mortes” como resultado dos incêndios no Chile, destacando “sua solidariedade às famílias das vítimas, bem como ao povo e ao governo do Chile”.

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