O Super El Niño em desenvolvimento no Oceano Pacífico é um dos fatores que favorece a formação de ciclones tropicais extremamente intensos no Pacífico Oeste. O aquecimento anormal das águas do oceano, associado ao fenômeno climático, contribui para criar condições favoráveis à intensificação de tufões, alguns dos quais alcançaram a categoria de supertufão em 2026, com ventos próximos ou superiores a 300 km/h.

Imagem de ciclone trurbinado pelo El Niño

Tufão In-fa no Pacífico Oesten na última semana | JMA

De acordo com levantamento, o Pacífico Oeste já registrou sete supertufões neste ano. O número chama a atenção porque se aproxima de marcas históricas. Os recordes de maior quantidade de supertufões em um único ano são de 11 sistemas, registrados em 1997 e 1965, dois anos marcados por episódios de Super El Niño.

A temporada de 2026 tem sido particularmente impressionante pela quantidade e intensidade dos sistemas tropicais. Alguns dos ciclones que se formaram na região alcançaram ventos equivalentes aos de furacões de categoria 5, o nível máximo da escala Saffir-Simpson. A sequência de tempestades extremamente poderosas chama a atenção de meteorologistas e reforça a importância do acompanhamento das condições oceânicas e atmosféricas durante episódios intensos de El Niño.

O fenômeno aquece as águas de grande parte do Pacífico tropical e modifica a circulação atmosférica em escala planetária. No Pacífico Oeste, temperaturas oceânicas mais elevadas representam uma fonte adicional de energia e umidade para os ciclones tropicais, podendo favorecer seu desenvolvimento e intensificação.

A temperatura do mar, porém, não é o único fator determinante da temporada hiperativa de ciclones tropicais: condições atmosféricas, como o cisalhamento do vento, a umidade e a organização da circulação em torno dos sistemas, também influenciam a evolução das tempestades.

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Outro aspecto que chama a atenção nesta temporada é a frequência de impactos nas ilhas do Pacífico Ocidental. Guam e as Ilhas Marianas do Norte, territórios norte-americanos, tiveram episódios de tempo severo associados a diferentes sistemas tropicais. A pequena dimensão das ilhas não impede que sejam atingidas diretamente por ciclones de grande intensidade, que podem provocar ventos destrutivos, inundações, danos à infraestrutura e interrupções no fornecimento de energia.

O mais recente destaque é o tufão In-Fa, que chegou a alcançar a condição de supertufão e passou pelas proximidades das Ilhas Marianas do Norte. Depois de atingir intensidade equivalente à de um furacão de categoria 4, o sistema começou a perder força, mas continua sendo acompanhado devido à sua trajetória incomum e à possibilidade de mudanças de direção sobre o Pacífico.

Na atualização de hoje, o In-Fa encontrava-se praticamente estacionário, nas águas a Sudeste do Japão, próximo da ilha de Iwo To, com ventos sustentados estimados em aproximadamente 177 km/h pelo serviço meteorológico norte-americano. A previsão do Centro Conjunto de Alerta de Tufões (JTWC) indicava inicialmente um deslocamento para oeste, seguido por uma mudança de direção para nordeste.

A projeção levava o ciclone a permanecer sobre o oceano, com aproximação da região das ilhas Ogasawara, pertencentes ao Japão, mas sem indicação de impacto direto sobre as principais ilhas japonesas. Posteriormente, o sistema deveria seguir para águas mais ao norte e nordeste, perdendo intensidade e passando por uma transição extratropical entre os dias 5 e 6 de novembro.

SUPERTUFÕES COM VENTOS ACIMA DE 300 KM/H

Entre os sistemas mais impressionantes da temporada está o tufão Champi, que alcançou ventos sustentados de aproximadamente 298 km/h, tornando-se, ao lado de Sinlaku, um dos ciclones tropicais mais intensos do planeta em 2026. Champi passou ao sul da ilha de Guam e posteriormente provocou danos expressivos no norte de Taiwan, deixando centenas de pessoas feridas.

Outro destaque foi Sinlaku, que atingiu intensidade semelhante em abril, com ventos sustentados de aproximadamente 298 km/h. O sistema atingiu diretamente as ilhas de Saipan e Tinian, nas Marianas do Norte, provocando destruição generalizada e prejuízos estimados em mais de US$ 1,5 bilhão.

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Em julho, o supertufão Bavi também impressionou pela intensidade. O ciclone alcançou ventos sustentados de aproximadamente 290 km/h e passou diretamente sobre a ilha de Rota, provocando interrupções no fornecimento de energia e impactos em outras localidades do arquipélago das Marianas.

Nos últimos dias, o tufão In-Fa chegou a apresentar ventos sustentados de aproximadamente 241 km/h, equivalentes aos de um furacão de categoria 4 na escala Saffir-Simpson. O sistema passou ao norte das ilhas Marianas, depois de enfraquecer da condição de supertufão.

PACÍFICO SOB EL NIÑO FAVORECE TEMPORADA EXTREMA

Segundo a NOAA, o Pacífico Oeste é a principal região de formação de ciclones tropicais do planeta. Diferentemente de outras bacias oceânicas, sistemas tropicais podem se desenvolver durante todo o ano, embora o período de maior atividade normalmente ocorra entre julho e novembro.

O aquecimento observado no Pacífico Equatorial Central reforça o cenário de El Niño extremo. Em setembro, a anomalia de temperatura da superfície do mar superou 2°C, patamar associado à classificação de Super El Niño. Para que essa intensidade seja oficialmente caracterizada, a anomalia precisa permanecer nesse nível durante três meses consecutivos.

A NOAA projeta uma elevada probabilidade de que o episódio se torne o mais intenso desde o início dos registros modernos, em 1950. O comportamento da temporada de tufões em 2026 reforça como as mudanças nas condições oceânicas podem repercutir na atividade de ciclones tropicais em diferentes partes do mundo.