O ciclone tropical (supertufão) Champi se transformou na tempestade mais forte do ano no planeta. Com ventos sustentados de quase 300 km/h e rajadas estimadas em 360 km/h, o ciclone de categoria 5 avança pelo Pacífico Ocidental e ameaça Taiwan, China e áreas das Filipinas.

Imagem de satélite do ciclone tropical Champi

Imagem de satélite do ciclone tropical Champi | JTWC

O super tufão Champi se tornou a tempestade tropical mais poderosa do planeta em 2026 em velocidade do vento nas últimas horas. O sistema atingiu ventos sustentados de 296 km/h, com rajadas estimadas em 361 km/h, alcançando intensidade equivalente à categoria 5 na escala Saffir-Simpson.

O ciclone se desloca pelo Pacífico Ocidental e segue em direção à região de Taiwan e à costa Leste da China. A previsão indica que o sistema deverá provocar ondas gigantescas, chuva intensa e ventos potencialmente destrutivos em diferentes áreas da Ásia nos próximos dias.

A pressão atmosférica no centro de Champi chegou a 895 hPa, um valor extremamente baixo. Por esse parâmetro, o tufão fica atrás do furacão Polo, que registrou em seu centro 892 hPa no Pacífico Oriental mais cedo neste ano. Em velocidade do vento, entretanto, Champi superou os 285 km/h registrados no pico de Polo.

Champi ganhou força sobre águas oceânicas com temperaturas próximas de 30°C. O calor da superfície do mar fornece energia para os ciclones tropicais, enquanto a elevada disponibilidade de umidade e o baixo cisalhamento vertical do vento favoreceram a organização da tempestade.

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O cisalhamento é a variação da velocidade ou da direção dos ventos com a altitude. Quando é fraco, a estrutura vertical do ciclone tende a permanecer mais organizada, facilitando a manutenção de sua intensidade.

O sistema também apresenta uma circulação extensa. Ventos de força de tempestade tropical alcançam centenas de quilômetros a partir do centro em determinados setores, ampliando a área sujeita aos efeitos da tempestade.

Champi é o quarto ciclone de categoria 5 da temporada no Pacífico Ocidental e o sétimo no mundo em 2026, conforme os bancos de dados de ciclones tropicais dos centros mundiais de Meteorologia.

Taiwan e China entram em alerta com o ciclone poderoso

Depois de passar nas proximidades de Guam, nas Ilhas Marianas, Champi avançou pelo Mar das Filipinas e se aproximou de Taiwan. As autoridades da ilha acompanham a trajetória e se preparam para a possibilidade de ventos fortes, precipitação volumosa e condições marítimas perigosas.

A previsão indica que o período de maior aproximação poderá ocorrer entre sexta-feira (23) e o sábado (24). O Norte e o Leste de Taiwan estão entre as áreas que poderão enfrentar os impactos mais significativos.

METSUL

Na China continental, cidades como Xangai, Hangzhou, Ningbo, Fuzhou, Wenzhou e Xiamen poderão registrar transtornos, inclusive no transporte aéreo. A possibilidade de interrupções em aeroportos dependerá da evolução da tempestade e das condições meteorológicas locais.

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As Filipinas também estão sob atenção, principalmente nas províncias do Norte e nas ilhas mais próximas da trajetória. A chuva intensa poderá agravar alagamentos e deslizamentos em regiões montanhosas, especialmente onde o solo já estiver encharcado.

Tufão deve enfraquecer, mas continuará perigoso

As projeções indicam que Champi encontrará condições atmosféricas menos favoráveis e deverá perder intensidade, podendo enfraquecer para as categorias 3 ou 4. Mesmo assim, continuará sendo capaz de produzir ventos destrutivos, chuva torrencial e ondas elevadas.

Existe divergência entre os modelos meteorológicos quanto à trajetória exata. Algumas projeções indicam passagem sobre o Leste ou Sudeste de Taiwan ao passo que outras mantêm o centro do ciclone ao Norte da ilha, antes de uma possível curva em direção às províncias chinesas de Zhejiang e Fujian.

O supertufão ocorre durante um ano marcado por intensa atividade ciclônica no Pacífico. O El Niño modifica a circulação atmosférica e as condições oceânicas, influenciando a atividade dos ciclones em diferentes regiões. No Atlântico, o El Niño traz menos ciclones tropicais, mas no Pacífico faz aumentar muito o número de ocorrências do fenômeno.