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NASA

Uma poderosa frente fria do Ártico atingiu o Meio-Oeste e o Leste dos Estados Unidos nos dias que antecederam o Natal. A tempestade trouxe condições de nevasca para muitas áreas, frio fatal e quantidades assustadoras de neve pelo efeito de lago (umidade que vem dos Grandes Lagos e interage com o ar gelado).

À medida que os ventos uivavam e a neve se acumulava devido ao que alguns meteorologistas chamavam de tempestade “única em uma geração”, o mesmo acontecia com os acidentes de trânsito, quedas de energia e problemas de transporte. Um ciclone bomba que se formou nos Grandes Lagos, na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá, complicou ainda mais o quadro com vento acima de 100 km/h e nevascas inclementes.


Imagens de satélite divulgadas pelas NASA mostram parte do Meio-Oeste e o Nordeste dos Estados Unidos cobertos de neve e nuvens, conforme observado em 25 de dezembro de 2022, pelo espectrorradiômetro de resolução moderada (MODIS) no satélite Aqua da NASA.

As “ruas de nuvens”, verdadeiras filas de nuvens em paralelo, sobre o Lago Michigan sugerem os fortes ventos que acompanharam a tempestade mortal associada ao ciclone bomba. As rajadas chegaram a 127 km/h numa estação meteorológica em Lackawanna, estado de Nova York. Em vários outros estados, os ventos chegaram a 80 km/h, de acordo com dados do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos.


As faixas de nuvens que saem dos lagos, que se formam quando o ar frio passa sobre águas abertas, podem produzir neve com efeito de lago e em grande quantidade. Foi exatamente o que ocorreu neste episódio extremo de frio com um ciclone bomba potencializando a neve.

Enquanto os totais de neve geralmente ficaram abaixo de 5 polegadas ou 13 centímetros na maioria das áreas afetadas pela tempestade, a neve do efeito do lago fez com que os totais subissem acima de 50 polegadas (um metro) nas comunidades a Leste do Lago Ontário e do Lago Erie, no norte do estado de Nova York, incluindo Buffalo que foi a cidade mais castigada com mais de vinte mortes na nevasca.

Nessas áreas, as primeiras tempestades do inverno são conhecidas por produzir grandes quantidades de neve porque os lagos muitas vezes ainda não congelaram e as águas estão mais aquecidas após a primavera.

Nas imagens abaixo, a primeira imagem é de cor natural, enquanto a segunda usa uma combinação de luz infravermelha visível e de ondas curtas para distinguir nuvens (brancas) de neve e gelo (azul). O padrão de ondulação nas nuvens provavelmente foi causado pela presença de nuvens de ondas.

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Nuvens de ondas normalmente se formam quando o ar é forçado a subir por colinas, morros e montanhas, neste caso, os Apalaches. Quando a gravidade faz com que o ar volte a descender, ele começa a oscilar, criando as ondas. As nuvens geralmente se formam nas cristas frias das ondas quando há umidade suficiente no ar.

Buffalo, a segunda maior cidades do estado de Nova York, é o epicentro do desastre gerado pelo frio extremo e o ciclone bomba que castigou os Estados Unidos no período de Natal. Hoje, as polícias estadual e militar foram enviadas para manter as pessoas longe das estradas cheias de neve. As autoridades continuam contando as mortes três dias após a tempestade mais mortal do Oeste de Nova York em pelo menos duas gerações.

Mesmo com as estradas suburbanas e as principais rodovias da área reabertas, o executivo do condado de Erie, Mark Poloncarz, alertou que a polícia estaria estacionada nas entradas de Buffalo e nos principais cruzamentos porque alguns motoristas estavam desrespeitando a proibição de dirigir na segunda cidade mais populosa de Nova York.

Mais de 30 pessoas morreram na região, disseram autoridades, incluindo sete mortes relacionadas à tempestade anunciadas nesta terça-feira pelo gabinete do prefeito de Buffalo, Byron Brown. O número supera o da histórica nevasca de 1977, responsável por matar até 29 pessoas em uma área conhecida pelo inverno rigoroso.

 

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