Uma recente tempestade elétrica trouxe uma imagem espetacular na Guatemala. Em um clipe captado por uma testemunha é possível ver como um raio gigantesco e impressionante se eleva de uma nuvem sobre o vulcão Acatenango, um fenômeno natural que encantou os habitantes da cidade guatemalteca de Antígua. O vídeo viralizou nas redes sociais e foi notícia na imprensa mundial.

Imagens feitas por Derrick Douglas Steele em Antígua mostram um raio se elevando sobre a nuvem para vários setores como uma teia de aranha. Steele disse ai Storyful que viu o raio atingindo o vulcão durante a tempestade. “Eu pulei da minha moto e apertei o botão de gravar, com certeza no segundo em que comecei o vídeo o raio maluco disparou”, afirmou.

O que se vê no vídeo é um raio chamado de aranha. Conforme a NOAA, a agência de tempo e clima dos Estados Unidos, este tipo de raio conecta vastas regiões de carga oposta dentro das nuvens de tempestade.


Os extensos relâmpagos muitas vezes atingem simultaneamente o solo em vários lugares a quilômetros de distância. Eles também são conhecidos por desencadear descargas ascendentes, como se viu na Guatemala.

Esses flashes são chamados de relâmpagos de aranha devido ao padrão que criam quando se arrastam rapidamente de uma nuvem para outra. As descargas longas e horizontais podem ser vistos abaixo das nuvens quando são especialmente fortes e brilhantes, mas também acima das nuvens em alguns casos.

Mas por que o raio tão impressionante? Aí entra o vulcão em cena. Embora a última erupção do Acatenango tenha ocorrido em dezembro de 1972, as partículas que emite, assim como as do vulcão Fuego, ao qual está anexado e entrou em erupção no início de maio, colaboraram para o fenômeno.

Na quinta-feira, 4 de maio, as autoridades guatemaltecas evacuaram mais de 1.000 pessoas e fecharam uma rodovia quando o vulcão de Fuego, o mais ativo da América Central, entrou em erupção, lançando espessas nuvens de cinzas sobre fazendas e aldeias não muito longe da capital.


O centro de desastres Conred da Guatemala informou que El Fuego estava lançando fluxos piroclásticos, uma mistura de alta temperatura de gás, cinzas e fragmentos de rocha “que descem com grande velocidade pelos flancos do complexo vulcânico”. A coluna de cinzas atingia cerca de 19.000 pés acima nível do mar.

Paris Rivera, do Serviço Meteorológico da Guatemala (SMG), da Universidade Mariano Gálvez, disse ao jornal local Prensa Libre que tudo começa quando as partículas de material vulcânico em seu movimento geram correntes estáticas, mas também depende de outras condições atmosféricas. “Relâmpago vulcânico” é um fenômeno observado durante as erupções e coincide com dias de tempestades.

Além do atrito das cinzas e piroclastos que o vulcão expele, segundo o SMG, condições favoráveis ​​como umidade, partículas de gelo e nuvens sobre o vulcão influenciam. A mistura de ambos os componentes é o que causa a liberação de íons; isto é, partículas eletricamente carregadas.

De acordo com o Instituto Nacional de Sismologia, Vulcanologia, Meteorologia e Hidrologia (Insivumeh), devido ao atrito das nuvens de material emanado do vulcão, a carga elétrica é transferida e o raio ocorre. “Isso tende a acontecer com mais frequência durante grandes erupções”, disse a instituição.