É um dos vídeos mais impressionantes e impactantes de tornados já gravados no Brasil até hoje. Um caminhoneiro gravou de dentro do seu veículo a passagem de um tornado pelo posto de combustíveis em que estava estacionado na tarde de sexta-feira em Tangará, no Oeste de Santa Catarina.

É um registro extremamente raro porque feito de dentro de um tornado por uma pessoa e que sobreviveu. O vento já tinha força destrutiva antes mesmo da chegada do tornado, mas no momento em que o redemoinho arrasador de vento chega a força do vento é arrasadora. As imagens ficam completamente escuras enquanto o profissional reza.

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O meteorologista e professor da Universidade Federal de Santa Maria Ernani Nascimento, um dos maiores especialistas em tornados da América Latina e o principal pesquisador do fenômeno no Brasil, observa a raridade de um vídeo como o gravado no município catarinense.

Consultado pela MetSul, Nascimento recordou de vídeo gravado por um motorista que dirigia numa rodovia em Coxilha (RS) em junho de 2018 e filmava os muitos raios. Minutos depois o veículo foi atingido pelo tornado e tombou, mas o registro não captou este momento. Ernani Nascimento descreveu a gravação de Santa Catarina da sexta-feira como “impressionante”.

Tempestades severas com vento destrutivo atingiram na tarde da sexta-feira (14) o Oeste e o Meio-Oeste de Santa Catarina, trazendo muita destruição e vítimas. Mais de quatro mil residências e prédios tiveram danos e onze pessoas ficaram feridas, duas com gravidade. Uma dezena de municípios foi muito atingida.

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Houve ao menos dois tornados documentados em vídeo. Os danos observados nos locais mais atingidos foram compatíveis com tornados variando de F1 a F2 na escala de Fujita, logo em alguns pontos o vento pode ter ficado perto ou mesmo atingido ou superado os 200 km/h. A escala vai de F0 (tornados menos destrutivos) a F5 (arrasador).

As condições atmosféricas eram propícias à formação de tempestades severas e com o potencial para tornados. Havia a atuação de um cavado (área de menor pressão atmosférica), uma frente fria avançava de Sul e, especialmente, sobre o Oeste e o Meio-Oeste de Santa Catarina atuava uma corrente de jato em baixos níveis da atmosfera.

Trata-se de um corredor de vento com ar quente que se origina na Bolívia e vai até o Sul do Brasil a cerca de 1.500 metros de altitude (nível de pressão de 850 hPa). Este fenômeno, jato de baixos níveis, gera o perfil divergente de vento na atmosfera (cisalhamento), e está presente na maioria esmagadora dos episódios de tornados no Sul do Brasil.