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Avenida Borges de Medeiros, no Centro de Porto Alegre, chegou a ser bloqueada ontem pela queda de uma árvore | TWITTER/@instagb_/REPRODUÇÃO

Porto Alegre e outras cidades gaúchas vem enfrentando desde o fim de semana sequência de dias ventosos com as rajadas ocorrendo principalmente da tarde para a noite. As rajadas no Litoral Norte passaram dos 70 km/h em alguns pontos, como registrou a estação instalada no município de Mostardas.

As últimas horas mais uma vez tiveram rajadas de vento forte em Porto Alegre. Houve até o registro de quedas de árvores na capital gaúcha em consequência da ventania, como uma na Borges de Medeiros, no Centro. Na noite de ontem, as rajadas de vento passavam dos 60 km/h.


Estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registraram entre a noite de segunda e a madrugada desta terça rajadas de vento de 65 km/h, 58 km/h na zona Sul de Porto Alegre e 53 km/h em Tramandaí.

Normalmente, este tipo de vento não causa transtornos. É diferente de um vendava que está associado a um temporal ou de rajadas de vento de um ciclone, mais intensas e limitadas a um menos número de horas em apenas um dia.

O tipo de situação meteorológica que induz o vento que vem se experimentando dura vários dias. Por isso, os dias têm sido ventosos desde o fim de semana e a tendência é de o vento do quadrante Leste ainda persistir.

E por que está ventando?

As características climáticas desta época do ano explicam os dias mais ventosos. Com o fim do inverno, as massas de ar frio seguem avançando para as latitudes médias do continente, mas, diferentemente da estação fria em que as incursões de ar polar são de trajetória continental, logo pelo interior do continente, as trajetórias das massas de ar frio são marítimas.

Ao mesmo tempo que ar frio avança pelo Atlântico Sul, ar mais quente se instala no continente com áreas de baixa pressão que costumam atuar no Norte da Argentina e no Paraguai, centros de baixa pressão, diga-se aliás, de natureza térmica.

Com efeito, estabelece-se um contraste de temperatura e pressão entre o Oceano Atlântico e o continente. Sobre o mar, ar mais frio e de maior pressão atmosférica. Sobre o continente, ar mais quente e de menor pressão atmosférica.

Aí entra a Física para explicar o vento. Sabe-se que a temperatura se eleva durante o dia mais rapidamente sobre terra do que sobre água. E que à noite ocorre o contrário com resfriamento maior sobre terra do que sobre água.

À medida que a temperatura se eleva com o sol durante o dia, a diferença de temperatura entre o mar e o continente aumenta. Áreas sobre terra ficam com temperatura muito maior que sobre o oceano.

Na sequência, o ar de menor temperatura (mais denso) começa a se deslocar para o ambiente em que a o ar está mais quente (e mais leve). Esse deslocamento de ar, do mar para terra, traz o vento. Por isso, o vento sopra do quadrante Leste.

É vento que vem do mar para terra, o que os surfistas denominam de vento maral. À noite, com tempo seco e aberto, o resfriamento é muito mais acentuado sobre terra. O ar no continente passa a ser mais denso que sobre o mar, então às vezes se opera o movimento contrário e áreas costeiras e do oceano passam a receber o vento vindo de Oeste, o terral.

Toda esta dinâmica que envolve a climatologia, características e trajetórias de massa de ar e processos físicos de deslocamento do ar explica o porquê desta época do ano ser comumente mais ventosa, o que rendeu a expressão popular de “Vento de Finados”.

Quando o vento Leste atua no Rio Grande do Sul ele costuma inibir chuva nas áreas que estão com as rajadas, o que leva muitos agricultores a descreverem o vento como “come chuva”. Por outro lado, em áreas costeiras que têm grandes elevações do terreno a Oeste, no caso da parte dos litorais do Sul e do Sudeste do Brasil, a Serra do Mar, o vento Leste acaba trazendo nebulosidade e chuva.

Por quê? O vento que sopra do oceano para o continente vem carregado de umidade. O ar úmido ao encontrar a barreira física dos morros e montanhas acaba ascendendo na atmosfera. Quanto mais alto na atmosfera, mais frio.

E o ar úmido, ao se elevar, acaba encontrando ar mais frio e termina por se condensar, gerando nuvens e chuva. Este tipo de chuva é chamado de orográfica ou induzida pelo relevo, e em determinadas situações pode gerar volumes de precipitação muito altos, como ocorre agora em Santa Catarina pelo mesmo vento que sopra no Leste gaúcho.

E até quando vai o vento?

Os mapas a seguir mostram as projeções de vento do modelo meteorológico europeu de hoje até o dia de Natal. Observa-se a tendência de o tempo seguir por vezes ventoso em Porto Alegre e no Leste gaúcho nos próximos dias.

Em Porto Alegre, as rajadas de 40 km/h a 60 km/h vão persistir ao menos até sexta-feira, mas com tendência de diminuição no final da semana. Já na costa, nas praias, o vento igualmente segue e com perspectiva de intensificação no fim de semana do Natal com rajadas por vezes de 50 km/h a 70 km/h.

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