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Porto Alegre e região metropolitana tiveram hoje o primeiro dia de nevoeiro do outono climático | ADRIANO BRAGA/ARQUIVO METSUL

Recém março começou e a cerração já apareceu. Porto Alegre e a região metropolitana tiveram nesta quinta-feira (2) o primeiro dia do denominado outono climático ou meteorológico em que houve o registro de nevoeiro. O outono, apesar de começar pelo critério astronômico só no dia 20, na climatologia compreende o trimestre de março a maio.

Dados da Força Aérea Brasileira do Aeroporto Salgado Filho mostraram que o nevoeiro teve início hoje às 5h15, quando a visibilidade horizontal caiu abaixo de 1000 metros, o patamar que separa nevoeiro e neblina. As restrições começaram duas horas antes, quando a visibilidade caiu para 2500 metros com neblina.


Como é comum nesta época do ano, ainda no começo de março, quando há formação de nevoeiro ele tende a se originar tarde da madrugada e se dissipar muito rapidamente no começo da manhã. Tanto que no boletim das 8h o aeroporto já não reportava o fenômeno com visibilidade horizontal de 1200 metros, portanto neblina. A menor visibilidade foi de 300 metros às 7h.

Também a base aérea na vizinha Canoas registrou em seus boletins meteorológicos a presença de nevoeiro no final da madrugada e no começo da manhã desta quinta-feira. O primeiro informe, às 6h, já acusava a presença do fenômeno com visibilidade de 400 metros que se manteve nas atualizações das 7h e das 8h.


Climatologia de nevoeiro em Porto Alegre

Porto Alegre possivelmente seja uma das áreas mais propensas a nevoeiro no Brasil e as razões são de natureza geográfica. Além de estar no Sul do Brasil, onde a atuação do ar frio favorece uma maior ocorrência do fenômeno, a capital gaúcha está cercada por vários rios e tem ainda ao lado um lago (Guaíba), sem mencionar estar ao Norte da Lagoa dos Patos.

A presença de rios ainda faz com que a região de Porto Alegre seja utilizada na plantação de arroz, o que faz com que muitas áreas ao redor da cidade sejam alagadiças e de banhados. O que não falta, assim, é umidade em superfície que combinada com o resfriamento noturno nos meses mais frios do ano acaba trazendo muitos dias com neblina e nevoeiro na cidade e na área metropolitana.

Um estudo da Força Aérea Brasileira (FAB) da frequência do fenômeno no Aeroporto Salgado Filho, realizado entre os anos de 1998 e 2006, de autoria de Luiz Alexandre Fragozo de Almeida, mostrou que os meses da segunda metade do outono do inverno são os de maior incidência do fenômeno no aeródromo.

Os três meses com maior frequência de cerração no período de estudo, de acordo com a pesquisa publicada pela FAB, foram junho com 63 dias, maior com 56 e julho com 48. Na sequência, aparecem abril com 33 dias, setembro com 18 e março com 12. O período de novembro a fevereiro tem muito baixa incidência do fenômeno.

As causas do nevoeiro

Quando o ar é resfriado pela perda noturna de radiação, surgem as condições favoráveis para a formação de bancos de nevoeiro junto aos rios, especialmente em vales, tal como nevoeiro de vapor sobre os mananciais d’água. Essas ocorrências são comuns no outono, quando a água ainda está mais quente e o ar já está sendo resfriado.

As noites ficam mais frias, a temperatura cai mais, e as águas quentes trocam umidade com a camada de ar frio que está logo acima da superfície. A frequência deste tipo de nevoeiro é, em especial, frequente com vales cortados por rios.

As moléculas do manancial de água estão sempre evaporando, levando umidade para o ar. Quanto mais quentes as águas, maior a evaporação e maior a presença de umidade no ar. Se uma noite fria e de céu claro é registrada, aproximando-se a temperatura do ponto de orvalho, o nevoeiro começa a se formar e neste tipo de situação, em regra, é raso, o que permite ver até o topo dos prédios mais altos.

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