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O Sul do Brasil será a região em que mais vai chover no Centro-Sul do país pela primeira vez desde o começo deste verão nos próximos sete dias, antecipando-se precipitações amplas e generalizadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná enquanto no Sudeste e no Centro-Oeste, que costumam ser as áreas mais chuvosas nesta época do ano, as precipitações serão menos abundantes e até escassas em algumas áreas.


O mapa acima mostra a projeção de chuva para sete dias do modelo meteorológico alemão Icon, disponível ao assinante na seção de mapas do site e com quatro atualizações diárias. Observa-se no mapa a tendência de no período os acumulados serem maiores nos três estados do Sul enquanto no Brasil Central há uma redução das precipitações.

O motivo principal para que a chuva aumente no Sul e diminua no Centro do Brasil é a orientação do canal primário de umidade da América do Sul, o grande rio voador com umidade da Amazônia. Durante o verão, o canal com a umidade da Amazônia costuma atuar mais na faixa central do Brasil, reforçando-se em eventos da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).


Já no inverno, pelo bloqueio da estação seca do Brasil Central, o canal é forçado para o Sul e o rio voador é frequente no Centro e Nordeste da Argentina, Uruguai, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. É o que explica em grande parte as médias de precipitação serem as mais altas durante os meses de inverno e de começo de primavera no território gaúcho.

Com gaúchos, catarinenses e paranaenses assolados por uma seca severa em muitas cidades e centenas de munícipios em situação de emergência pela estiagem, que seca rios e dizima lavouras com prejuízos de dezenas de bilhões de reais, o deslocamento do canal de umidade para uma posição mais ao Sul que sua localização normal climatológica desta época do ano representa a oportunidade de um alívio, mesmo que parcial, no déficit hídrico.

Veja no mapa abaixo a projeção de chuva para sete dias do modelo meteorológico Icon com o campo do Sul do Brasil e atente para os acumulados de precipitação no período próximos ou acima dos 50 mm em grande número de localidades e com perspectiva de volumes acima de 75 mm ou 100 mm em alguns pontos.

A chuva no Sul do Brasil entre esta sexta (25) e domingo (27) cairá nos três estados do Sul, mas será efeito de uma massa de ar quente e úmido, o que significa que as precipitações tendem a ser muito mal distribuídas e irregulares com volumes altos localizados acompanhando temporais que se dão, em especial, da tarde para a noite. Entre a segunda (28) e a terça (1/3), contudo, espera-se o avanço de uma frente fria pela Região Sul que trará chuva mais generalizada e localmente volumosa.

No Centro-Oeste, por sua vez, os maiores acumulados de chuva nos próximos sete dias tendem a ocorrer nos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, embora não sejam muito altos e decorram de pancadas isoladas que trazem enorme variabilidade de volumes de um local para outro. Já em Goiás a chuva será muito menos volumosa e em alguns pontos mesmo escassa.

Na Região Sudeste, a chuva estará muito abaixo do que é normal para esta época do ano durante os próximos sete dias com baixos volumes em muitas áreas. Haverá cidades que vão passar vários dias seguidos com sol e sem registro de precipitação, o que não é comum em se tratando do verão. A chuva será pouca e até escassa em áreas mais a Leste de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

Embora a tendência de chover pouco nos próximos sete dias em quase todo o Sudeste do Brasil, há o risco de episódios muito isolados de chuva forte a intensa com altos volumes em curto período. O tempo mais aberto no Sudeste favorecerá forte a intenso calor e, com a umidade na atmosfera, formam-se nuvens localizadas de temporal que podem trazer chuva volumosa a excessiva isolada.

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