Inverno no seu final terá aumento da chuva e alta frequência de temporais com risco de tempestades fortes a severas com danos no Sul do Brasil | GABRIEL ZAPAROLLI/ARQUIVO METSUL

O inverno astronômico teve início nesta quarta-feira no Hemisfério Sul às 11h58 com o solstício e vai até o dia 23 de setembro. Um período diferente do denominado inverno meteorológico, que tem data fixa, de 1º de junho a 31 de agosto.

A estação astronômica começa com o Rio Grande do Sul ainda sofrendo os efeitos e contando os estragos de um dos maiores desastres climáticos de sua história com 16 mortos, muita destruição e dois milhões de pessoas afetadas.

O grande protagonista deste inverno no clima será um velho conhecido, o El Niño, que se caracteriza pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico na faixa equatorial. O fenômeno altera a circulação da atmosfera em escala planetária e, por óbvio, há repercussões no clima.

O ciclone dos dias 15 e 16 foi uma amostra do que pode se esperar no clima nos próximos meses no estado com muitos eventos extremos que deixarão mais vítimas e flagelados. A tendência é de uma atmosfera hiperativa nos próximos meses à medida que o El Niño se intensifica.

Mas não só isso. O planeta adentra fase de aquecimento sem precedentes na era observacional com múltiplas ondas de calor marinhas recordes e cobertura de gelo marinho em níveis baixos recordes na Antártida.

A superposição de El Niño com outros extremos de aquecimento oceânico esquentará demais o planeta e o clima vai estar muito propício a extremos. No caso do Rio Grande do Sul, os meses de primavera podem ser especialmente críticos por temporais frequentes e fortes assim como eventos de chuva excessiva com inundações.

Por isso, a MetSul considera que o período final do inverno, mais perto da primavera, entre agosto e setembro, deve ser o mais crítico da estação com maior propensão a eventos extremos de temperatura e precipitação.

Podem ocorrer mudanças muito radicais de temperatura, de calor para frio, e uma maior frequência de temporais de granizo e vendavais, alguns fortes a severos, com eventos de ciclones e chuva que em alguns casos ser muito significativos com cheias de rios e inundações.

Os mapas abaixo mostram as projeções de anomalias de chuva (desvios da média na variável precipitação) para os meses de agosto e setembro, de acordo com dados do modelo SEAS5 do Centro Meteorológico Europeu.

Os meses de agosto e setembro, aliás, independente da condição do Pacífico, costumam ter uma maior frequência de fenômenos severos de chuva, vento, granizo e ciclones. Com um El Niño possivelmente já com forte intensidade, o cenário apenas piora.

Os dois meses igualmente costumam registrar alguns dias quentes. Em alguns anos, como em 2012, foram muitos dias de temperatura alta. Com o indicativo em geral dos modelos de clima de temperatura acima da média, a perspectiva é de períodos de temperatura com alguns dias de calor e mesmo forte calor em pleno inverno.

Os mapas abaixo mostram as projeções de anomalias de temperatura (desvios da média na variável temperatura) para os meses de agosto e setembro, de acordo com dados do modelo SEAS5 do Centro Meteorológico Europeu.

No final do inverno o ingresso de ar quente começa a aumentar nas latitudes médias da América do Sul enquanto ainda chegam as massas de ar frio de Sul. O maior encontro destas massas de ar de características distintas favorece um aumento dos episódios de tempo severo e formação de ciclones extratropicais, alguns intensos.

Com base no que os modelos indicam em termos de chuva para a segunda metade da estação, um cenário possível é de uma maior probabilidade de formação destes ciclones ou centros de baixa pressão mais perto da costa do Sul do Brasil, o que aumenta o potencial de transtornos na região.

O indicativo concomitante de temperatura acima da média e chuva acima da média, portanto com maior umidade disponível, são fortemente sugestivos de um padrão atmosférico mais propício para instabilidade e a ocorrência de fenômenos severos.

Ar quente e umidade são combustíveis para temporais. Quando o primeiro dos ingredientes, no caso o calor, ocorre em excesso, o risco de tempo severo aumenta muito. E não apenas isso. Não apenas cresce a possibilidade de temporais como de tempestades muito forte e até em alguns casos destrutivas, especialmente em dias de calor mais intenso.