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A semana que passou foi marcada por cheia do Rio dos Sinos após a chuva de 100 mm a 130 mm nas nascentes no último fim de semana. Cheias são comuns em agosto e setembro, meses que possuem as maiores médias históricas de precipitação em muitas cidades gaúchas, inclusive na região metropolitana. O Rio Grande do Sul se torna mais vulnerável a eventos extremos de chuva e enchentes sob El Niño (águas mais quentes que a média no Pacífico Equatorial), mas mesmo em anos de La Niña, fenômeno que tende a inibir a chuva aqui, há muitos precedentes de enchentes no inverno e na primavera. Em 2007, os vales enfrentaram no final de setembro grande enchente e havia La Niña. Em maio de 2008, na primeira semana do mês, o Sinos teve a sua maior cheia desde agosto de 1965 e o Pacífico Central estava mais resfriado, ou seja, em condições de La Niña.



Imagens (arquivo) das cheias de 2007 e 2008 nos vales do Caí e Sinos e anomalias de temperatura da superfície do mar 

Nesta época, o Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil têm sua estação seca. O fluxo de umidade desloca-se para o Sul. No ano passado, quando forte bloqueio atmosférico trouxe o agosto mais quente em um século no Estado e chuva muito abaixo da média, a chuva ficou mais ao Sul e foi extrema em Buenos Aires. Neste ano, a umidade segue o seu caminho atinge e atinge mais o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o que traz precipitações mais volumosas e até acima da média em muitos locais.


É alto, conforme análise da MetSul Meteorologia publicada nos jornais deste domingo, o risco de novos episódios de cheias de rios, inclusive aqui na nossa região, no restante deste inverno e na primavera. Novo evento de chuva volumosa no curto prazo seria preocupante porque encontraria os níveis dos rios ainda acima da média histórica. Modelos numéricos indicam um quadro de instabilidade para a segunda metade desta semana, mas oscilam ainda em suas projeções, ora indicando muita chuva, ora nem tanta chuva. O cenário, porém, exige bastante atenção para o restante do inverno e o começo da primavera.



Forte elevação do Rio dos Sinos alagou áreas ribeirinhas do vale na última semana – Ivan de Andrades/Jornal VS/GES

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Além dos rios do Nordeste do Estado estarem mais altos e existir a perspectiva de chuva, o quadro exige atenção ainda pelo padrão de circulação atmosférica no Hemisfério Sul que neste momento tem em algumas variáveis intrasazonais condições tão propícias para chuva volumosa aqui no Rio Grande do Sul como se estivéssemos sob efeito de El Niño (o que não é o caso pelo Pacífico estar oficialmente sob condição de neutralidade).  

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