Anúncios

NOAA

O boletim divulgado ontem pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) indicou a continuidade das condições de neutralidade na área equatorial do Oceano Pacífico, mas o cenário no Oceano Pacífico é crescentemente de La Niña nas condições oceânicas. A NOAA aponta 50% a 55% de La Niña na primavera e 50% de probabilidade no verão.

A anomalia de temperatura da superfície do mar na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, ficou em -0,4ºC, dentro do território de neutralidade. Por sua vez, a região Niño 1+2, no Pacífico Equatorial Leste, mais perto da América do Sul, apresentou anomalia de -1,2°C. 


Por que ainda não foi declarado um evento de La Niña? Tanto o El Niño como o La Niña são fenômenos oceânico-atmosféricos. É preciso que não apenas o oceano apresente condições de um ou outro para que o fenômeno se configure, e os indicativos atmosféricos hoje são ainda típicos de neutralidade.


Para a classificação de qualquer um dos fenômenos utiliza-se a chamada região Niño 3.4, no Pacífico Central, e hoje a anomalia de temperatura da superfície do mar nesta região não atinge os critérios para La Niña. Ademais, a anomalia média nesta região deve ser de ao menos -0,5°C por um período mais prolongado de ao menos três meses. 

Alguns modelos dinâmicos estão a indicar a possibilidade de episódio de La Niña com resfriamento das águas superficiais neste segundo semestre. Já os modelos estatísticos indicam a persistência da neutralidade, a despeito das águas mais frias.

As anomalias de temperatura abaixo da superfície do mar indicam uma enorme piscina de águas mais frias do que a média de Oeste a Leste no Pacífico, indicando uma tendência de resfriamento adicional das águas superficiais e de aumento da probabilidade de La Niña.

A tendência para os próximos meses é de um evento de La Niña ao menos fraco ou neutralidade fria no limite de La Niña. Com ou sem La Niña, o Pacífico nos próximos meses estará mais frio que a média e os efeitos no clima devem ser os típicos do fenômeno, o que agrava o risco de estiagem neste inverno e no começo da primavera no Paraná, parte do Centro-Oeste e no Sudeste, e no final da primavera e no verão no Sul do Brasil. O resfriamento igualmente acentua o risco de geada tardia. 

Anúncios