A forte massa de ar polar que ingressa nesta semana com uma onda de frio intenso traz preocupação não apenas pelos extremos de temperatura, mas também pelos riscos à saúde e à vida da população em situação de rua, especialmente durante as madrugadas mais geladas.

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A MetSul Meteorologistas vem alertando que esta será a incursão de ar frio mais intensa do ano até agora no Brasil. Em diversas cidades gaúchas, as temperaturas mínimas devem ficar próximas ou abaixo de zero, com ocorrência ampla de geada e sensação térmica ainda menor.
O alerta se torna ainda mais relevante após a morte ontem (21) de um homem em situação de rua em Pelotas. A Polícia Civil investiga se a causa da morte teve relação com hipotermia, condição frequentemente associada à exposição prolongada ao frio intenso. Pelotas teve 1ºC no começo do domingo.
A hipotermia ocorre quando a temperatura corporal cai abaixo dos níveis necessários para o funcionamento adequado do organismo. O corpo perde calor mais rapidamente do que consegue produzir, comprometendo funções vitais e aumentando o risco de morte.
Os primeiros sintomas costumam incluir tremores intensos, dificuldade para falar, confusão mental, perda de coordenação motora e sonolência. Conforme a temperatura corporal diminui, o quadro pode evoluir para inconsciência, falência de órgãos e parada cardiorrespiratória.
O risco é especialmente elevado para pessoas que permanecem ao relento durante a noite. Sem abrigo adequado, roupas suficientes ou proteção contra o vento e a umidade, a perda de calor corporal ocorre de forma acelerada. Idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e indivíduos desnutridos também estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do frio extremo. O organismo dessas pessoas costuma apresentar menor capacidade de adaptação às baixas temperaturas.
Além da hipotermia, o frio intenso pode agravar doenças respiratórias, cardiovasculares e outras condições de saúde. A combinação de temperaturas muito baixas, umidade elevada e vento favorece complicações médicas que podem exigir atendimento hospitalar urgente.
Em Porto Alegre, a prefeitura intensificou as ações da Operação Inverno para ampliar o acolhimento da população vulnerável diante da onda de frio. Equipes de assistência social realizam abordagens noturnas e oferecem encaminhamento para abrigos, albergues e casas de passagem.
A capital gaúcha dispõe atualmente de centenas de vagas para acolhimento, com oferta de alimentação, banho e local protegido para pernoite. Os serviços também contam com estrutura para receber famílias, casais e, em alguns casos, animais de estimação. Entretanto, o número de pessoas vivendo nas ruas é muito superior à capacidade de acolhimento disponível. Dados recentes indicam que mais de 6 mil pessoas se encontram em situação de rua em Porto Alegre.
Especialistas ressaltam que a solidariedade da população pode ajudar a salvar vidas durante episódios de frio extremo. Informar os serviços de assistência sobre pessoas expostas ao frio e colaborar com doações são atitudes de grande importância.