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Ciclone bomba se forma nesta terça-feira (23) sobre o Atlântico Sul a Leste do Uruguai e da Argentina, distante da costa, e vai impulsionar uma forte massa de ar frio de origem polar para o território brasileiro, destaca a MetSul Meteorologia.

A MetSul enfatiza que o campo de vento muito intenso deste ciclone vai permanecer em alto mar e distante da costa, assim não se antecipa uma situação de maior perigo em terra firme. O risco será a ocorrência de temporais isolados pela frente fria associada à baixa pressão no seu deslocamento pelo Centro-Sul do Brasil entre hoje (22) e amanhã (23).

Em alto mar, no Atlântico Sul, a tendência é de vento muito intenso de até 130 km/h. Com o vento muito forte numa extensa área do oceano, a tendência é que se forme um swell com mar mais agitado e possibilidade de ressaca na costa nos próximos dias.

Uma área de baixa pressão a Sudeste do Chuí e associada à frente fria começará a se aprofundar sobre o mar no final desta segunda-feira (22) com pressão central de 999 hPa na noite de hoje.

No começo da terça, a intensificação do aprofundamento da baixa pressão será rápida e de manhã a pressão já terá caído para 976 hPa, ou seja, 23 hPa a menos que apenas 12 horas antes.

O sistema estará se movendo velozmente para Sul em mar aberto e no final da terça estará com pressão central de 971 hPa. Da tarde para a noite e na quarta (24) o ciclone se afasta rapidamente da América do Sul para o meio do Atlântico.

Será justamente devido ao ciclone que a massa de ar frio terá trajetória continental, ou seja, avançará pelo interior da América do Sul. É o que levará o ar frio ao Paraguai, à parte da Bolívia e do Peru, e ainda para vários pontos do Centro-Oeste e parte do Norte do Brasil.

Por que será um ciclone bomba

Um ciclone bomba, também chamado de ciclone explosivo ou bomba meteorológica é um sistema de baixa pressão atmosférica que se intensifica de forma muito rápida em um curto período de tempo. O fenômeno recebe esse nome não por ter relação com explosões, mas porque sua pressão atmosférica cai de maneira abrupta, aumentando significativamente sua força.

Pela definição meteorológica, um ciclone é considerado uma “bomba meteorológica” quando sua pressão central diminui pelo menos 24 hectopascais (hPa) em 24 horas, o que vai acontecer com este sistema no Atlântico Sul. Os mapas a seguir do modelo europeu indicam o centro de baixa pressão com 999 hPa às 21h de hoje (22) e 971 hPa às 21h de terça (23) sobre o Atlântico Sul, ou seja, uma queda de 28 hPa em apenas 24 horas.

Mapa de formação do ciclone bomba

METSUL

Mapa de formação do ciclone bomba

METSUL

Com a rápida queda da pressão, o gradiente de pressão atmosférica se torna muito intenso, acelerando os ventos ao redor do centro do sistema. Como consequência, ciclones bomba costumam provocar ventos muito fortes. Quanto mais rapidamente o ciclone se aprofunda, maior tende a ser o potencial de impactos associados ao sistema.

A formação de um ciclone bomba geralmente ocorre quando existe uma combinação favorável de fatores atmosféricos: forte contraste de temperatura entre massas de ar frio e quente, grande disponibilidade de umidade e condições adequadas nos níveis mais altos da atmosfera que favorecem a intensificação da baixa pressão na superfície.

No Atlântico Sul, ciclones extratropicais são fenômenos relativamente comuns durante o outono, inverno e primavera. Em algumas situações, entretanto, estes sistemas se aprofundam de forma muito rápida e passam a ser classificados como ciclones bomba. Em outras palavras, nem todo ciclone é um ciclone bomba, mas todo ciclone bomba é um ciclone que passou por um processo de intensificação explosiva.

Ciclone não deve trazer vento muito intenso no Sul do Brasil

Embora a muito rápida intensificação e a configuração de um ciclone bomba, os dados analisados pela MetSul Meteorologia não indicam que o sistema deva provocar vento muito intenso no Sul do Brasil.

Mapa do modelo europeu mostra o ciclone bomba

METSUL

O vento gradualmente começa a aumentar da tarde para a noite de hoje no Nordeste do Rio Grande do Sul e nos litorais Médio e Norte gaúcho com velocidades de 30 km/h a 50 km/h à medida que a baixa pressão começa a se aprofundar.

Nesta terça (23), com o ciclone rapidamente se aprofundando e passando a ser bomba, o vento se intensifica mais no Rio Grande do Sul. Uma vez que o sistema estará distante, as rajadas não serão muito intensas e devem ficar, em média, entre 40 km/h e 60 km/h no Sul e no Leste gaúcho com marcas de 70 km/h a 80 km/h nas lagoas e na costa.

O vento nesta terça, mesmo não sendo muito forte, vai causar desconforto. Isso porque acompanhará o ingresso de uma potente massa de ar frio. O resultado será baixa sensação térmica devido ao efeito com percepção de muito frio no decorrer do dia.