A MetSul Meteorologia alerta para uma situação de tempo severo muito perigosa e de elevado risco por possíveis vendavais violentos de curta duração durante a passagem de uma linha de instabilidade associada à formação de um ciclone extratropical intenso entre a tarde desta quinta-feira (6) e as primeiras horas da sexta (7).

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Adverte também para a ocorrência de vento ciclônico forte a intenso por várias horas entre a madrugada e o meio da tarde da sexta-feira pela atuação do campo de vento do ciclone já formado sobre o Oceano Atlântico e que terá intensificação muito rápida em mar aberto.
O Sul do Brasil e o e Centro-Norte da Argentina estão neste momento sob a influência de uma massa de ar quente em níveis baixos da atmosfera enquanto uma massa de ar frio atua no Sul da Argentina.
O contraste térmico entre as duas massas de ar vai intensificar muito sobre o Uruguai nesta quinta um centro de baixa pressão que avançará, inicialmente, a partir do Oeste da Argentina no começo do dia.
O rápido aprofundamento do centro de baixa pressão sobre o Uruguai ao longo desta quinta-feira desencadeará um processo de ciclogênese, a de formação de um ciclone, que vai acontecer com grande rapidez.
Com o começo da ciclogênese, uma linha de instabilidade associada ao avanço da frente fria derivada do ciclone vai começar a se organizar com chuva e tempestades fortes a severas entre o Centro da Argentina e o Uruguai nesta quinta.
Na sequência, a linha de instabilidade vai avançar muito rapidamente pelo Rio Grande do Sul entre o meio da tarde e a noite desta quinta-feira, devendo ainda atingir pontos mais ao Norte e ao Nordeste do estado logo no começo da sexta-feira.
Os mapas a seguir mostram a evolução da linha de instabilidade pelos departamentos do Centro e do Norte do Uruguai e o Rio Grande do Sul na tarde e noite desta quinta, de acordo com a projeção do modelo WRF-ECMWF.

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Na sequência da passagem da frente fria, haverá mais vento. Com o ciclone formado e se intensificando em mar aberto, o tempo estará muito ventoso na madrugada, manhã e parte da tarde da sexta-feira com rajadas fortes a localmente intensas por muitas horas no Rio Grande do Sul, especialmente nas Metades Sul e Leste do estado.
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Serão, assim, duas situações de vento. A primeira com vendavais, alguns violentos e de curta duração, durante a passagem da linha de instabilidade pré-frontal. A segunda, que vai persistir por várias horas, será a de vento decorrente do ciclone que soprará com rajadas por vezes fortes a intensas. A seguir, a MetSul Meteorologia analisa os diferentes cenários previstos de tempo severo e vento.
Primeiro e principal risco: tempestades severas com vendavais destrutivos
O grande risco, de acordo com a avaliação da MetSul Meteorologia, durante a atuação do ciclone, vai se dar durante a sua formação e momentos iniciais de maturidade. Será quando uma linha de instabilidade poderosa com tempo muito severo se formar e avançar entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul na tarde e noite desta quinta e no início da sexta. Em Porto Alegre e região, a linha deve chegar no final da quinta.
Na passagem da linha de instabilidade, haverá muitos vendavais e em diversos pontos fortes a intensos com risco alguns episódios de vento violentos em alguns locais com alto potencial de danos.
Modelos mostram que a linha de instabilidade terá múltiplas células de instabilidade, algumas potencialmente supercélulas, e que irá avançar com grande velocidade, agravando o risco de vendavais sob um ambiente de baixa pressão atmosférica e grande contraste de temperatura com ar quente na dianteira e ar frio na retaguarda.
Os dados indicam que os vendavais não serão localizados e que devem atingir um grande número de locais entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, assim o potencial de danos é significativo e haverá um grande impacto na rede elétrica com falta de luz em grande escala.
Os mapas a seguir mostram a projeção de vento máximo do modelo WRF inicializado com o modelo norte-americano GFS nas saídas das 12Z de ontem e 0Z de hoje para o Rio Grande do Sul.

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Já os mapas a seguir mostram a projeção de vento máximo do modelo WRF inicializado com o modelo europeu (ECMWF) nas saídas das 12Z de ontem e 0Z de hoje para o Rio Grande do Sul.

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As rajadas de vento pelos vendavais na passagem da linha de instabilidade podem atingir 70 km/h a 100 km/h na maioria das cidades gaúchas e em vários departamentos do Uruguai, mas em alguns pontos as tempestades devem ser severas com vendavais até violentos em que as rajadas podem ficar entre 100 km/h e 150 km/h com alto poder de destruição localizado.
Todas as regiões do Rio Grande do Sul têm risco de tempestades fortes a severas com vendavais na passagem da linha de instabilidade, mas os dados apontam um risco maior de vendavais intensos a localmente destrutivos no Oeste, Centro e o Sul do estado, além do Uruguai.
Não podem ser descartados fenômenos extremamente isolados de vento extremo, como microexplosões e mesmo a possibilidade de tornados, uma vez que uma corrente de jato em baixos níveis estará atuando e modelos indicam um padrão de divergência de vento (cisalhamento) expressivo, condição que favorece a formação de supercélulas de tempestade e tornados.
Além dos vendavais, a linha de tempestades deve trazer chuva forte a intensa de curta duração com possibilidade de alagamentos, mas como não se projeta chuva volumosa por muitas horas não se antecipa a ocorrência de enchentes por cheias de rios de maior porte. Os temporais ainda podem provocar muitos raios e chance de granizo de variado tamanho, de diâmetro médio a grande em alguns pontos.
A linha frontal avança por Santa Catarina e o Paraná no final da quinta e no começo da sexta, mas com menor intensidade e organização que no Rio Grande do Sul, mas ainda pode provocar chuva forte e tempestades isoladamente fortes a severas com vento e granizo. Ainda na sexta, alcança áreas do estado de São Paulo, sobretudo o Sul e o Leste paulista, com risco de temporais.
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Segundo risco: vento forte a intenso do ciclone por horas
Após a passagem da linha de tempestades com vendavais de curta duração, Uruguai e o Rio Grande do Sul devem ter vento forte a intenso por horas pela atuação do campo de vento do ciclone já maduro em mar aberto.
O tempo estará ventoso, acompanhando o ingresso de uma massa de ar frio, em grande parte do Rio Grande do Sul na sexta, mas, como é o normal na atuação de ciclones, as rajadas mais fortes devem se dar nas Metades Sul e Leste do estado pela proximidade com o centro do sistema.
O vento se intensifica em áreas do Sul e da Campanha no final da quinta e no começo da sexta com rajadas por várias horas seguidas de 70 km/h a 90 km/h. Isoladamente, o vento ciclônico pode ficar perto e passar dos 100 km/h. O maior risco de rajadas acima de 100 km/h é para o Litoral Sul entre o Chuí e Rio Grande.
O campo de vento ciclônico se estende a pontos do Leste gaúcho com rajadas fortes a intensas na Lagoa dos Patos e entorno, Sul do Litoral Norte e ainda Porto Alegre e cidades do Sul da área metropolitana e próximas da Lagoa dos Patos. Nestas áreas, as rajadas entre a madrugada e a tarde da sexta devem ficar entre 60 km/h e 80 km/h, em média, com marcas superiores isoladas de 80 km/h a 100 km/h.
Ciclone compacto terá vento de até 170 km/h em mar aberto
O ciclone extratropical será compacto e não terá grande dimensão, mas tende a ser muito intenso com projeções de modelos indicando vento de até 170 km/h perto do seu centro em mar aberto e longe da costa na sexta-feira.

ECMWF
O vento ciclônico mais intenso vai ocorrer no Sul e no Leste do Uruguai, no final da quinta e entre a madrugada e a manhã da sexta, nos departamentos de Montevidéu, Canelones, Maldonado e Rocha. Maldonado e Rocha, em especial, devem ser mais afetados. As rajadas devem ficar entre 80 km/h e 100 km/h, mas em alguns pontos podem atingir 100 km/h a 120 km/h.

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Modelos numéricos não apresentam consenso sobre este ciclone ser bomba. Um ciclone bomba, também chamado de ciclone explosivo ou bomba meteorológica é um sistema de baixa pressão atmosférica que se intensifica de forma muito rápida em um curto período de tempo.
O fenômeno recebe esse nome não por ter relação com explosões, mas porque sua pressão atmosférica cai de maneira abrupta, aumentando significativamente sua força. Pela definição meteorológica, um ciclone é considerado uma “bomba meteorológica” quando sua pressão central diminui pelo menos 24 hectopascais (hPa) em 24 horas, o que vai acontecer com este sistema no Atlântico Sul.
Quase todos os modelos indicam que a queda da pressão deve ficar perto do patamar de um ciclone bomba, com queda de pressão de 20 hPa a 23 hPa em 24 horas, mas alguns chegam a projetar queda de ao menos 24 hPa em 24 horas, o que permitiria a classificação como um ciclone bomba. Quando o sistema atingir a sua maior profundidade, com pressão em torno de 970 hPa, na tarde de sexta, já estará mais longe do continente e se afastando, com o vento já diminuindo em terra firme.