Joe Biden assume hoje como o 46° presidente dos Estados Unidos em cerimônia ao ar livre no Congresso norte-americano, onde prestará juramento, como ocorre em 20 de janeiro a cada quatro anos. Será um dia frio em Washington, tal como na maioria das posses de presidentes americanos ao longo da história.
Até o ano de 1937, as cerimônias ocorriam em 4 de março (ou 5 se o dia 4 caísse em um domingo). Mesmo assim, muitas posses de março do passado foram tão ou mais frias que as realizadas nas últimas décadas em janeiro. A maioria das posses desde 1937 teve temperatura abaixo da média histórica de 20 de janeiro com mínima média de 3,0ºC negativos e máxima média de apenas 4,5ºC.
A primeira posse presidencial nos Estados Unidos ocorreu em abril de 1789 em Nova York. Registros históricos relatam céu limpo e 15ºC. A mais dramática posse, sob o ponto de vista meteorológico, contudo, ocorreu em 1841. William Henry Harrison assumiu sob tempo nublado, muito frio e vento (imagem abaixo). Desafiando a temperatura gélida, discursou por uma hora e quarenta minutos, o mais longo pronunciamento de todas as posses presidenciais, depois de percorrer o trajeto até o Capitólio a cavalo sem casaco e chapéu. A gripe contraída na posse evoluiu para uma pneumonia e Harrison morreu 30 dias após. Foi o mais breve mandato de um presidente dos Estados Unidos.

Em 1853, Franklin Pierce (abaixo à esquerda) assumiu sob uma nevasca que cancelou a parada. A neve tinha durado até 11h30 da manhã e o tempo parecia ter melhorado ao meio-dia, mas logo depois do juramento a neve reiniciou. Foi forte e dispersou grande parte do público que acompanhava a festa. Abigal Fillmore (abaixo à direita), primeira-dama do presidente que deixava o cargo Millard Fillmore adoeceu após ficar exposta ao frio e à umidade, morrendo logo depois de pneumonia.


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Já em 1873, o frio extremo para março prejudicou as festividades de Ulisses Grant (abaixo). A mínima foi de 15,5ºC abaixo de zero, um recorde para o mês na capital americana. O vento atingia até 70 km/h, mas mesmo a temperatura tendo subido ao meio-dia para 8,8ºC negativos, parecia tão frio quanto o amanhecer devido ao vento. Cadetes desmaiavam após horas expostos ao frio sem abrigos adequados. O discurso de Grant mal foi ouvido devido ao vento. O baile da posse deu-se em prédio que ainda não contava com aquecimento e a festa durou pouco. Os convidados dançavam usando pesados agasalhos. A festa acabou à meia-noite para que todos pudessem ir para casa se aquecer.

Em 1909, a posse de William H. Taft (abaixo) em 4 de março foi transferida para um ambiente fechado pela nevasca em Washington que trouxe 25 centímetros de acumulação. O vento derrubou árvores e postes e trazia condições inóspitas ao ar livre. A máxima naquele dia na capital americana foi de apenas 1,6ºC. Seis mil homens trabalharam para retirar a neve do trajeto da parada, mas para a decepção das pessoas que desafiaram o frio não houve desfile.

Em 1937, em sua segunda posse, Franklin Roosevelt assumiu e desfilou (abaixo) sob intensa chuva. Foi a maior chuvarada até hoje em posse de presidente americano com 44,9 mm naquele 20 de janeiro. Apesar da chuva, Roosvelt percorreu de carro aberto as ruas de Washington e assistiu durante uma hora e meia a parada sob dilúvio, apesar do frio ao redor de 0ºC.

Depois, em 1961, a festa para John Kennedy igualmente foi prejudicada por nevada que fechou os aeroportos e tumultuou o trânsito. Na noite anterior, de 19 de janeiro de 1961, 20,3 centímetros de neve caíram na capital americana. Ao amanhecer do dia da posse, o céu tinha limpado, mas a neve no solo deixava vários pontos de Washington intransitáveis. Um exército de homens trabalhou para retirar a neve da Avenida Pensilvânia e, apesar do frio intenso, uma multidão apareceu para o juramento e o desfile de JFK. Ao meio-dia, no momento da posse de Kennedy (foto abaixo), a temperatura era de 5,5ºC abaixo de zero com vento de Noroeste entre 30 e 40 km/h que fazia a sensação ser de 14ºC negativos na capital americana.

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Ronald Reagan experimentou os extremos. Em 1985, na sua segunda posse, não pôde prestar juramento ao ar livre e seu desfile pela Avenida Pensilvânia acabou cancelado. O juramento deu-se dentro do Congresso sob a imponente rotunda (foto). Fora do Capitólio, a temperatura era de 13,8ºC negativos com sensação de 30ºC abaixo de zero pelo vento. Quatro anos antes, Reagan tinha assumido com a maior temperatura entre todas até hoje nas posses de janeiro. Fazia 12,7ºC em 1981.

A maior temperatura, contudo, observada em dia de posse presidencial deu-se em 1973. Foi na chegada ao poder de Gerald Ford. Ocorre que a cerimônia foi em 9 de agosto (1973) pela renúncia de Richard Nixon. As posses, muitas vezes, se deram em março e as mais quentes foram as de Woodrow Wilson em 1913 em Washington (12,7ºC) e George Washington na Filadéldia em 1793 (temperatura estimada em 16,1ºC). As duas posses de Bill Clinton foram com sol (4,4ºC na primeira em 1993 e 1,1ºC na segunda em 1997). Já George W. Bush teve chuva e neblina com 2,1ºC na primeira em 2001 e céu nublado e 1,6ºC de temperatura em 2005. Barack Obama assumiu em 20 de janeiro de 2009 diante de multidão de 1,8 milhão de pessoas em dia ensolarado e com nuvens altas (reprodução abaixo de jornais) em que a temperatura era de 2,2ºC negativos.
A previsão do tempo para Washington nesta quarta-feira indica um dia frio com mínima de 0°C e máxima de 6°C ou 7°. Haverá muitas nuvens com alguma chance de precipitação leve de chuva ou neve, mas gradualmente a nebulosidade deve diminuir e o sol aparecer entre as nuvens com tempo mais aberto durante a noite.


Em razão da epidemia do coronavírus, diferentemente de outras posses, não haverá público no National Mall que foi coberto com milhares de bandeiras para representar as pessoas.