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Ciclone extratropical se formou sábado na costa da província Argentina de Buenos Aires, avançando para Leste sobre o Oceano Atlântico. O sistema foi responsável por provocar tempo severo na região com vento sábado de até 130 km/h no Uruguai, onde houve danos em diversos pontos do país. O ciclone foi resultado de centro de baixa pressão que atravessou o território argentino de Oeste para Leste na sexta e que se aprofundou muito ao alcançar o Atlântico. Imagens de satélite do domingo chamavam a atenção pela enorme dimensão e simetria do sistema sobre o mar, características de ciclones extratropicais intensos na região. A pressão mínima central do ciclone, conforme a análise dos modelos, chegou a 985 hPa.



Imagens de satélite do ciclone extratropical junto à costa da Argentina domingo à tarde

A chamada “fase madura” dos ciclones, a última, é sempre a mais interessante devido ao aspecto impressionante do sistema nas imagens de satélite. Conforme a teoria modelada por Shapiro-Keyser, um ciclone extratropical passa por diferentes fases de sua formação até a sua maturação. Na fase madura (IV), é que se produz situação interessante, que é descrita na literatura como “warm seclusion” ou segregação de ar quente.  Em um intenso ciclone extratropical a circulação no setor frio do sistema “aprisiona” região de ar mais quente, formando a chamada segregação quente. O ciclone “atrai” ar quente de Norte (no Hemisfério Sul) e o calor latente da precipitação intensa do sistema faz com que o ar fique ainda mais quente. Esse ar mais quente gira em torno do centro do sistema de baixa em superfície, o que explica porque em alguns casos chegam a ocorrer até trovoadas junto ao centro de um ciclone extratropical que é por natureza frio e, assim, menos propício a raios.



Modelo conceitual de Shapiro-Keyser para o ciclo de vida de um ciclone no Hemisfério Sul. Acima na imagem, a representação da pressão ao nível do mar (linhas sólidas) e das frentes fria e quente. Abaixo na ilustração, a temperatura do ar (linhas sólidas) e circulações fria (seta sólida) e quente (seta tracejada).

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Ocorre que, diferentemente, de um furacão (ciclone tropical), os ciclones extratropicais não têm “parede do olho” ou em Inglês “eyewall”, ou mesmo um olho livre de nuvens criado por subsidência (movimentos descendentes na atmosfera). Ciclones extratropicais, porém, podem apresentar o que parece ser um olho. É uma região em que o movimento do ar é ascendente e meramente o centro da tempestade em que o vento gira. Bandas de nuvens em forma de espiral podem se formar ao redor do centro do ciclone extratropical, muito semelhantes à espiral de um furacão. Se as bandas de nebulosidade convectiva ao redor do centro da baixa se tornam intensas, o ar que descende nos flancos das faixas de nuvens acaba por criar subsidência que aquece e seca a atmosfera ao redor, criando uma região de poucas ou sem nuvens perto do centro do ciclone, semelhante a um furacão.

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