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Fenômeno El Niño costuma trazer extremos de chuva no outono do ano seguinte ao seu começo. História está repleta de exemplos de excesso de chuva no começo do outono sob El Niño. | NOAA

A chuva com volumes muito altos e mesmo excessivos dos últimos sete a dez dias no Uruguai, no Centro e Nordeste da Argentina, e no Rio Grande do Sul, podem ter pegado muita gente de surpresa diante de um noticiário dominado por informações sobre possível evento de La Niña a caminho enquanto o fenômeno El Niño ainda atua, mas para quem conhece a história do clima regional não foi nada surpreendente.

Por quê? Durante todo o ano de 2023 e no começo agora de 2024 reiteradamente e em inúmeras oportunidades a MetSul Meteorologia destacou que o maior impacto da chuva do El Niño muitas vezes se dá no final do inverno e na primavera do primeiro ano do evento, seguindo-se outro período de excesso de chuva no outono do segundo ano do episódio.

O atual evento de El Niño teve início em junho do ano passado. O que se seguiu todos sabem. Foi um inverno e primavera com extremos de chuva no Rio Grande do Sul com grandes enchentes, algumas das maiores dos últimos 150 anos no Guaíba e nos rios Caí e Taquari. No Uruguai, a chuva encerrou com a maior crise hídrica já registrada no país e que fez Montevidéu captar água salgada do oceano.

Agora, mesmo no seu final, o episódio de El Niño voltou a favorecer chuva com volumes muito acima da média nas latitudes médias da América do Sul. A história, aliás, mostra que muitas vezes choveu muito entre o Uruguai, o Centro da Argentina e o Rio Grande do Sul no outono do ano seguinte ao começo do evento de El Niño.


Dificilmente haja exemplo melhor de como o El Niño impacta a chuva no outono do que o ano de 1941. A maior enchente da história de Porto Alegre e de muitas outras cidades gaúchas se deu em abril e maio de 1941, no outono, durante evento de El Niño que já estava presente no ano anterior.

Os mapas abaixo mostram as anomalias de chuva no Brasil nos anos de 1966, 1992, 1998 e 2016 para o mês de março destes anos. Observa-se em todos estes anos, que são o segundo em relação ao começo do El Niño, como a chuva ficou acima da média no mês de março no Rio Grande do Sul.

INMET

Geramos um mapa com a anomalia de precipitação na média de março dos anos de 1966, 1973, 1984 e 1998, todos anos que são o segundo de um evento de El Niño. O sinal de precipitação da soma das médias deste ano é de precipitação acima dos valores da climatologia histórica para o Rio Grande do Sul e o Uruguai.

NOAA

Assim, mesmo se encaminhando para o seu final agora entre abril e maio, o El Niño ainda impacta o nosso clima, como se viu nos últimos dias. À medida que o Oceano Pacífico se resfriar nos próximos meses, a probabilidade de eventos extremos de chuva diminui.

Isso, porém, não significa que passe o risco de eventos de chuva com acumulados muito altos. Episódios de chuva excessiva podem ocorrer no Sul do Brasil mesmo com o Pacífico em neutralidade ou sob La Niña, inclusive com enchentes. A diferença é que que são menos números que sob a presença do El Niño, quando ocorrem com muito maior frequência e acabam contribuindo para cheias de rios mais significativas, como se viu no segundo semestre do ano passado.

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