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A Sibéria, na Rússia, teve em janeiro um frio muito mais intenso que o normal para os padrões locais de frio já extremo no inverno, após muitos meses de temperatura incrivelmente acima da média na região. Agora, em fevereiro, a Europa e a América do Norte experimentam uma onda polar que meteorologistas norte-americanos descrevem como “o maior frio em muitos anos”.


Perto de duzentos milhões de norte-americanos, quase dois terços da população do país, amanheceram ontem e hoje com temperatura abaixo de zero (em Celsius), mas o frio só vai aumentar nos próximos dias à medida que ar ainda mais gelado vai avançar do Canadá para os Estados Unidos.

Neste momento, o frio mais extremo está limitado mais aos estados do Norte do país, mas no próximo fim de semana a tendência é que o ar congelante tome conta de grande parte do país, chegando ao Sul e à costa do Golfo do México, no Caribe. São esperados que muitos recordes históricos de frio sejam quebrados. Todos os chamados 48 estados contíguos geograficamente ou Lower 48 (exceto Alasca e Havaí) devem ter muito frio no fim de semana, inclusive a Flórida.

Alguns meteorologistas estimam que o frio na região das Planícies Centrais dos Estados Unidos, conhecida por ser o “corredor dos tornados da América do Norte” possa enfrentar a maior onda de frio desde 1983. A previsão é de nove dias seguidos abaixo de 15ºF (-9,4ºC) em Omaha, Nebraska. Nove dias abaixo de 20ºF (-6,6ºC) em Kansas City. E sete dias abaixo de 32ºF (0ºC) em Oklahoma City. A última vez que isso ocorreu foi em dezembro de 1983.

O frio deve chegar com enorme força também ao Texas e México, trazendo marcas baixíssimas e incomuns para grande parte do estado do Sul norte-americano a partir do próximo fim de semana. Em Houston, o pior do frio é esperado no domingo de Valentine’s Day (Dia dos Namorados que nos Estados Unidos se celebra em 14 de fevereiro).

E coincidentemente, os dois principais recordes de frio da cidade junto ao Golfo do México ocorreram nesta data ou na véspera. Em fevereiro de 1899, a máxima foi de apenas -6,6ºC na cidade e em 1895 caiu meio metro de neve no Centro de Houston.

O frio está assustando mesmo em locais já acostumados com o rigor extremo do inverno como o Alasca.

O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos em Fairbanks emitiu um aviso de sensação térmica extremamente perigosa que pode chegar a -70ºF (-56,6ºC), o que pode levar ao congelamento e necrose da pele (frostbite) em poucos minutos. A pressão atmosférica em uma estação no Norte do Alasca chegou ontem a 1.060 hPa, recorde de fevereiro.

Nevasca

Dias atrás, o Nordeste dos Estados Unidos teve a maior tempestade de neve dos últimos anos. A quantidade de neve que caiu no Central Park, em Nova York, ficou perto de meio metro. Foi uma das vinte maiores cidades da história dos registros do Central Park desde 1869 e por uma polegada apenas não ficou entre os dez maiores. Manhattan se cobriu de branco.

Agora, uma nova tempestade de neve avança dos estados do Norte dos Estados Unidos e da região do Meio-Oeste para o Nordeste norte-americano. Na manhã desta terça-feira, Cincinnati, estado de Ohio, teve nas últimas horas uma das maiores precipitações de neve da sua história recente com 25 cm de acumulação, registro batido neste século apenas por uma tempestade de inverno de março de 2008.

Canadá congela

O frio é brutal no Canadá. Inuvik, na província dos Territórios do Noroeste, na manhã desta terça estava com pressão atmosférica de 1.059,6 hPa, perto do recorde de 1.059,8 estabelecido em 1989.

A estação meteorológica de Lupin, no Norte canadense, chegou a ter sensação térmica de -90ºF ou -67,7ºC.

O Canadá registrou sua menor temperatura desde 2017 com uma mínima de -51,9ºC em Wekweeti, nos Territórios do Noroeste. Várias estações registraram seus recordes mensais de mínima para fevereiro. Em Edmonton, a mínima chegou a -43,8ºC. Estava tão frio que os satélites reconheceram o solo congelado como se fossem nuvens nas imagens.

Não bastasse o frio extremo, algumas províncias do Canadá enfrentaram grandes nevascas nos últimos dias e há previsão de mais neve por cair. Em algumas localidades, a acumulação passou de meio metro e a visibilidade era perto de zero com neve forte e vento perto de 100 km/h.

Vórtice polar, a causa

Por que tanto frio? A explicação está no chamado vórtice polar. No mês de janeiro, houve um evento de súbito aquecimento estratosférico no Ártico. Isso levou ao colapso do chamado vórtice polar, uma espécie de cinturão de vento que “aprisiona” o ar extremamente frio em latitudes mais altas perto do polo.


Com o colapso do vórtice polar no Ártico, o ar extremamente frio do polo conseguiu se deslocar para regiões da Europa e da América do Norte, proporcionando o frio extremo e de intensidade incomum a ponto de quebrar recordes mesmo em regiões acostumadas ao frio extremo no inverno.

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