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Secretária de Energia dos Estados Unidos, Jennifer Granholm, anuncia um grande avanço científico de pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore da Administração de Segurança Nuclear e Segurança Nuclear Nacional em Washington. Os pesquisadores alcançaram um avanço em relação à fusão nuclear, uma tecnologia vista como possível revolucionária fonte de energia alternativa. | OLIVIER DOULIERY/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Pesquisadores americanos anunciaram nesta terça-feira um avanço histórico no campo da fusão nuclear, que poderia revolucionar a produção de energia na Terra. Os cientistas trabalham há décadas para desenvolver a fusão nuclear. Considerada uma fonte de energia limpa, abundante e segura, pode permitir à humanidade quebrar sua dependência dos combustíveis fósseis, que provocam a crise climática global.

O Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL), ligado ao Departamento de Energia americano, informou nesta terça que o experimento em que estava trabalhando “produziu mais energia de fusão do que a energia laser usada” para causar a reação.


O Departamento de Energia descreveu a descoberta como um “grande avanço científico” que levará a “progressos na defesa nacional e ao futuro da energia limpa”. O diretor do LLNL, Kim Budil, disse que é “um dos desafios científicos mais importantes já enfrentados pela humanidade”.

Esta descoberta entrará “nos livros de História”, garantiu a secretária de Energia, Jennifer Granholm, em coletiva de imprensa. O anúncio, que já havia sido vazado para a imprensa há dias, empolgou a comunidade científica em todo mundo.


As usinas nucleares utilizam atualmente a fissão, que consiste na divisão do núcleo de um átomo pesado para produzir energia. A fusão nuclear combina, por sua vez, dois átomos de hidrogênio para formar um átomo de hélio mais pesado, liberando uma grande quantidade de energia no processo.

Esse fenômeno ocorre dentro das estrelas, incluindo o Sol. Na Terra, esse processo pode ser alcançado com a ajuda de lasers ultrapotentes. O National Ignition Facility (NIF), ligado ao laboratório californiano, é o maior sistema de lasers do mundo, do tamanho de um estádio esportivo.

Por volta da 01h do dia 5 de dezembro, 192 lasers foram apontados para um alvo do tamanho de um dedal, onde estava localizada uma cápsula minúscula feita de diamante e contendo isótopos de hidrogênio (deutério e trítio).

Os lasers geraram uma temperatura de cerca de 150 milhões de graus, ou seja, dez vezes a do Sol, provocando a fusão dos átomos de hidrogênio. A reação durou uma fração de segundo. Os cientistas produziram, assim, cerca de 3,5 megajoules de energia, usando 2,05 megajoules através dos lasers, de acordo com o comunicado do laboratório.

No entanto, foram necessários 300 megajoules de energia da rede elétrica para ativar os lasers, tornando a operação geral deficitária. Mas os cientistas estão confiantes de que podem superar esse problema com o tempo.

“Nossos cálculos sugerem que é possível, com um sistema de laser em grande escala, atingir um desempenho de centenas de megajoules”, disse Kim Budil, diretor do Lawrence Livermore National Laboratory. “Mas ainda estamos muito longe disso”, afirma.

A viabilização dessa solução em escala industrial e comercial levará “décadas”, pelo menos cinco, disse. Requer muitas melhorias tecnológicas, já que é necessário poder repetir o experimento muitas vezes por minuto e aumentar o rendimento.

É por isso que, para limitar o aquecimento global, os especialistas em clima insistem em reduzir rapidamente as emissões de gases de efeito estufa. No entanto, o resultado promissor do experimento fornece a prova de princípios físicos descritos décadas atrás.

A fusão tem algumas vantagens: não oferece risco de desastre nuclear e produz menos lixo radioativo. E, acima de tudo, em comparação com as centrais a carvão, ou a gás, não gera gases de efeito estufa.

Os desafios são tecnológicos, pois é preciso conseguir repetir o experimento muitas vezes por minuto, explicou. Existem outros projetos de fusão nuclear no mundo, como o chamado ITER, que está sendo desenvolvido atualmente na França.

Em vez de lasers, o ITER usará uma técnica conhecida como confinamento magnético: átomos de hidrogênio são aquecidos em um enorme reator, onde ficarão confinados com a ajuda de um campo magnético.

Os especialistas consideram importante continuar investigando sobre essas duas técnicas: os lasers e o confinamento magnético. “O que queremos é maximizar os caminhos potenciais para o sucesso, então queremos usar essas diferentes abordagens para ver o que funciona”, disse o físico do NIF Tammy Ma. “A fusão é muito importante para a humanidade”, enfatizou.

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