O Serviço Meteorológico Nacional (SMN) da Argentina emitiu um alerta para uma segunda e intensa incursão de ar polar que atingirá a Patagônia a partir desta terça-feira (28). Segundo o órgão, uma massa de ar de origem antártica avançará sobre o extremo Sul do país e provocará um acentuado declínio das temperaturas, com a onda de frio persistindo até sexta-feira (31), quando os termômetros começarão a apresentar menos frio.

DEFESA CIVIL DE NEUQUÉN
O SMN prevê as menores temperaturas entre as províncias da Terra do Fogo e o Sul de Chubut, onde as mínimas devem variar entre -18°C e -6°C. Em áreas mais suscetíveis ao resfriamento, especialmente vales e baixadas, os termômetros podem marcar até -20°C, caracterizando um episódio de frio intenso com potencial para formação generalizada de geadas e congelamento de superfícies.
Além do frio extremo, o alerta destaca que a incursão de ar polar será acompanhada por precipitações isoladas durante a semana, predominantemente na forma de neve. As nevadas devem ocorrer em diferentes setores da Patagônia.
A primeira poderosa massa de ar de origem antártica provocou na semana passada um dos episódios de frio mais intensos já registrados na história recente da Patagônia argentina. O ar gelado avançou sobre o Sul do país e derrubou as temperaturas a níveis extremos, cobrindo vastas áreas com neve e levando o Serviço Meteorológico Nacional (SMN) a emitir alerta vermelho para frio extremo em setores das províncias de Santa Cruz e Chubut.
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O episódio estabeleceu recordes históricos de temperatura em diferentes localidades. Em El Calafate, um dos principais destinos turísticos da Argentina, a mínima chegou a -17,6°C em 22 de julho, a menor já observada desde o início das medições. A cidade ainda permaneceu seis dias consecutivos sob critérios de onda de frio, com máximas muito baixas e sem conseguir registrar aquecimento significativo sequer durante as tardes.
27 JUL | 🥶 Vuelven las muy bajas temperaturas en Patagonia
🌬️ Una nueva irrupción de aire de origen antártico provocará un fuerte descenso a partir del martes 28. Se espera que este evento se extienda hasta el viernes 31, cuando las temperaturas tendrán un ascenso gradual. pic.twitter.com/8amqL6KaHd— SMN Argentina (@SMN_Argentina) July 27, 2026
As temperaturas negativas foram generalizadas em toda a Patagônia austral na última semana. Gobernador Gregores marcou -17,0°C, Río Gallegos teve -15,4°C, Perito Moreno registrou -13,8°C e Paso de Indios anotou -13,1°C. Em Tapi Aike, no Sul de Santa Cruz, os termômetros chegaram a impressionantes -24,7°C, uma das menores temperaturas observadas durante esta intensa incursão de ar polar.
O frio excepcional também chamou atenção pelas marcas à tarde. Em Río Gallegos, na quinta-feira, os termômetros indicavam 9,7°C abaixo de zero às 15h, horário em que normalmente ocorre a temperatura mais alta do dia.
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Frio chega ao Brasil?
Não, o ar congelante da Patagônia não vai derrubar a temperatura no Sul do Brasil, tal como já ocorreu na semana passada. A tendência é de a temperatura seguir acima da média nos estados do Sul neste fim de julho e nos primeiros dias de agosto sob massa de ar mais quente e úmida que ainda trará chuva e temporais.
El Niño traz ar mais gelado no Sul do continente
Os episódios de frio extremo na Patagônia ocorrem em um contexto favorável à ocorrência de massas de ar muito intensas devido ao El Niño. Embora o fenômeno seja mais conhecido por aumentar a chuva no Sul do Brasil e no centro da Argentina, ele também costuma favorecer incursões de ar polar mais vigorosas sobre o Sul do continente.
Isso acontece porque o aquecimento anômalo do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica, fortalecendo o fluxo de sistemas frontais e criando condições para que massas de ar de origem antártica avancem com maior frequência e intensidade sobre a Patagônia.
Estudos climatológicos mostram que, durante episódios de El Niño, especialmente os mais fortes, a Patagônia tende a registrar maior número de ondas de frio e eventos de temperatura extrema. O contraste entre o ar muito frio vindo da Antártida e a circulação atmosférica modificada pelo aquecimento do Pacífico favorece quedas acentuadas de temperatura, como as observadas nos últimos dias.