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O padrão de circulação atmosférico e o fluxo de umidade da Amazônia se alteram bastante na semana que começa na América do Sul. No final de dezembro, choveu muito no Sudeste do Brasil, particularmente no Espírito Santo e em Minas Gerais, com tempo muito seco e quente no Sul do Brasil. Na primeira metade de janeiro, a umidade se deslocou para o Sul com o predomínio do sol no Sudeste e freqüentes pancadas de chuva com temporais nos três estados do Sul. Os mapas abaixo do NOAA mostram a chuva ocorrida na América do Sul no final de 2013 (esquerda) e agora na segunda semana de janeiro (direita), demonstrando a alteração do canal de umidade e do conseqüente posicionamento da instabilidade no continente.



Hoje, o chamado canal primário de umidade da América do Sul segue sobre o Brasil Central (abaixo), favorecendo pancadas de chuva no Sudeste, Centro-Oeste e no Norte do país. No Sul, ao contrário, há massa de ar mais seco e forte onda de calor.


Havíamos indicado que durante esta forte de onda de calor que assola o Estado haveria chance de instabilidade muito isolada, mas neste sábado ocorreram pancadas de chuva localizadas em número maior do que se supunha. O calor intenso, de até 37ºC no caso de Porto Alegre e região metropolitana, favoreceu a rapidíssima formação de nuvens com grande desenvolvimento vertical (foto abaixo de Luiz Fernando Silveira Ambos em Barão do Triunfo). Modelos indicavam possibilidade de chuva por demais isolada, mas as saídas de precipitação subestimaram a precipitação. Na realidade, as projeções de índices de instabilidade (altos) seriam um melhor indicador de pancadas em um maior número de locais, mas tardiamente apontaram valores elevados compatíveis com o cenário visto e mesmo a sondagem da manhã de sábado da Capital não indicou altos índices. Na zona Norte de Porto Alegre, a chuva veio até com granizo e trovoadas enquanto no resto da cidade não choveu.


Neste começo de semana, o canal primário de umidade do continente persistirá sobre a parte central do Brasil, mas um canal secundário se formará do Norte até o Centro da Argentina e o Uruguai. Com isso, províncias centrais da Argentina e o Uruguai (mais o Centro e o Sul do país) devem ter uma semana de forte instabilidade com vários eventos de chuva localmente forte e temporais. Algumas destas tormentas poderão ser severas com vento e granizo e potencial de danos. Neste sábado, a queda de dois raios em Mar del Plata, província de Buenos Aires, deixou sete pessoas feridas. A tormenta chegou em dia em que a temperatura máxima à tarde no balneário atingiu altíssimos 39,5ºC com praia cheia (foto abaixo de reprodução de Martin Labadie/Canal C5N). A imagem da praia lotada é uma clara evidência de que a triste tragédia da semana anterior, quando quatro jovens argentinos morreram fulminados por um raio numa praia, nenhuma lição ofereceu. Já na capital Buenos Aires, o observatório central de Villa Ortúzar acusou 38,4ºC. Já no Uruguai, fez 39,2ºC em Salto e ainda 36ºC na capital Montevidéu.



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No Rio Grande do Sul, o sol predomina até quinta, entretanto entre hoje e quarta podem se repetir da tarde para a noite pancadas isoladas como a do sábado, ocasionalmente fortes e com temporais muito localizados devido ao calor. Alguns modelos, porém, indicam que entre amanhã (segunda) e quarta a atmosfera ficaria mais seca, inibindo instabilidade na maioria das regiões e limitando a possibilidade mais ao Oeste e Sul. Quinta e sexta são dias que mais preoocupam aqui. Na quinta, dia que será de calor extremo e poderá ter as máximas mais altas da semana, segundo dados de hoje os índices de instabilidade da tarde para a noite poderiam atingir níveis muito altos, o que combinado com a temperatura ao redor de 40ºC poderá determinar a ocorrência de fenômenos severos localizados como chuva intensa, vento forte e queda granizo. O risco de tempo severo segue durante a sexta-feira, quando a instabilidade tende a ser bem mais generalizada no território gaúcho, à medida que uma frente fria avançará pelo Rio Grande do Sul, tendo em sua dianteira uma massa de ar bastante aquecida.  

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