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Governo do Reino Unido, que é o anfitrião da COP26, trabalha para que a declaração final do encontro que chega ao fim neste fim de semana contenha compromissos mais ambiciosos de enfrentamento das mudanças climáticas. | PHIL NOBLE/POOL/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Uma minuta inicial de declaração final do encontro divulgada nesta quarta-feira na cúpula climática de Glasgow (COP26) pediu aos quase 200 países participantes que revisem suas metas de redução de emissões até o final de 2022, três anos antes do que o previsto. O texto evoluirá de acordo com o avanço do trabalho dos ministros para a conclusão da cúpula neste fim de semana.

Depois de dez dias de negociações em Glasgow, o primeiro rascunho da declaração final pede aos participantes que “revisem e fortaleçam” seus planos de descarbonização para o próximo ano, depois que os dados mostraram que as metas atuais estão muito longe de limitar o aquecimento global a 1,5ºC em relação ao período pré-industrial.


Esta versão do rascunho ressalta que limitar o aquecimento a 1,5°C “requer uma ação significativa e eficaz de todas as partes nesta década crítica”. A próxima revisão da meta foi agendada para 2025. O projeto ressalta, no entanto, que “reduções rápidas, profundas e sustentadas das emissões globais de gases de efeito estufa” são necessárias para evitar os piores impactos do aquecimento. O fenômeno já afeta países no mundo todo, com inundações, secas e tempestades mais intensas.

Anfitrião da cúpula anual sobre o clima sob a égide da ONU, o governo britânico apresentou a COP26 como uma oportunidade-chave para “manter viva a meta de 1,5°C”. De acordo com a estimativa publicada ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), porém, todos os novos compromissos somados até agora em Glasgow continuariam levando a Terra para um aquecimento “catastrófico” de 2,7°C, ou 2,1°C, na melhor das hipóteses.

Conforme um mecanismo estabelecido em 2015, os países devem revisar suas metas de redução de emissões a cada cinco anos, mas desde o início do encontro em Glasgow as nações mais vulneráveis insistem na necessidade de que a revisão aconteça anualmente. Os analistas consideram que a primeira versão do rascunho não atende plenamente nem os países ricos nem os pobres, o que, em termos diplomáticos, pode paradoxalmente significar que tem possibilidades de êxito. –

No Acordo de Paris de 2015, os países se comprometeram a atuar para limitar o aumento da temperatura média global a +2 ºC, mas de maneira ideal a +1,5 ºC. Agora, a COP26, que acontece na cidade escocesa de Glasgow deve estabelecer o que fazer para evitar as devastadoras catástrofes naturais representadas por cada décimo de grau adicional.

As emissões de gases do efeito estufa desde a Revolução Industrial já provocaram um aumento da temperatura de 1,1ºC e suas caóticas consequências, incluindo secas, inundações e o aumento do nível do mar, devem ser agravadas e provocar o surgimento de milhões de refugiados climáticos, alertam os especialistas.

Em sua primeira semana, Glasgow registrou uma série de anúncios importantes. Países como Brasil, Argentina e Índia reforçaram os objetivos de reduções de emissões. Mais de 100 chefes de Estado e de Governo se comprometeram a cessar o desmatamento até 2030, e o mesmo número a emitir 30% a menos de metano, gás que tem efeito estufa 80 vezes maior que o CO2.


No que alguns negociadores chamaram de “primeira menção significativa” aos combustíveis que provocam o aquecimento global, o projeto de texto também pede aos países que “acelerem a eliminação do carvão e dos subsídios aos combustíveis fósseis”. Isto é importante quando se recorda que nas conferências anteriores o uso de carvão ou hidrocarbonetos não foi mencionada nas declarações finais, que se concentram na redução das emissões. Mas para Jennifer Morgan, diretora executiva do Greenpeace International, “este projeto de acordo não é um plano para resolver a crise climática, é um acordo para que todos cruzem os dedos e esperem o melhor”. “É um pedido educado para que os países talvez, possivelmente, façam mais no próximo ano”, afirmou.

Mohamed Adow, diretor do grupo ambientalista Powershift Africa, lamentou que o texto atenda “muito pouco” das demandas dos países vulneráveis em termos de ajuda para adaptação à mudança climática e para enfrentar as perdas e danos já sofridos. Grande reclamação dos países em desenvolvimento, “nem sequer menciona o prazo para a entrega dos 100 bilhões de dólares de financiamento”, destacou, em referência a uma promessa de ajuda anual feita em 2009, mas que em 2021 ainda não foi cumprida.

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