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O fim de semana é muito abafado e com a atmosfera muito instável no Rio Grande do Sul, consequência de uma massa de ar quente e bastante úmida de origem tropical que cobre o Estado. O sábado teve chuva na maioria das regiões gaúchas e que teve volumes altos a extremos em curto período em algumas localidades. Em alguns pontos da região de Uruguaiana, a precipitação apenas no sábado superou 100 mm. Canela, na Serra, teve 72 mm apenas entre 17h e 19h de ontem, sendo 59,4 mm em uma hora. Situação parecida foi registrada em São Luiz Gonzaga que anotou 89,6 mm só entre as 13h e 15h de ontem com acumulado de 48 mm em uma hora. Santiago foi outra cidade com chuva torrencial de curta duração com 44,8 mm em apenas uma hora entre 10h e 11h de ontem. Volumes tão altos de chuva, claro, acabaram por provocar alagamentos.



Alagamentos em Canela por Monica Leite


Alagamentos em São Luiz Gonzaga por Rogério Lopes/Rádio Missioneira


Rosário do Sul no sábado por Plinio Neto

Não só o Rio Grande do Sul foi castigado. O Uruguai também. Na noite de sexta-feira, as áreas de instabilidade que depois atingiram o Oeste gaúcho provocaram danos na cidade uruguaia de Colônia de Sacramento. O vento chegou a 140 km/h com destelhamentos e queda de árvores. Foi um dos piores temporais da história recente da cidade, conforme o governo local.


Cobertura da edição do hoje do jornal El Pais, e imagens de satélite (Cptec) e de radar (SMN) da noite de sexta-feira mostrando a instabilidade em Colônia

Fortes áreas de instabilidade voltaram a se formar neste domingo, entre a madrugada e o começo da manhã, com chuva no Oeste e parte do Norte do Estado. Mais uma vez houve registro de intensas precipitações acompanhadas de raios e trovoadas. A localidade mais atingida no interior neste começo de domingo foi Panambi, onde são registrados importantes alagamentos e inundação pelo transbordamento do Rio Fiúza. Da tarde para a noite deste domingo estas áreas de instabilidade avançam e se intensificam sobre o território gaúcho e são esperados novos episódios de chuva localmente muito volumosa e ainda com risco de temporais isolados de vento e queda de granizo, o que pode gerar novos transtornos.



E vem ainda muita água. Os mapas acima mostram as últimas duas projeções de chuva para cinco dias do modelo brasileiro operado pelo Inmet. Recomendamos não se fixar na distribuição de chuva regional sugerida pelos modelos, pois discrepam muito de saída para outra, o que se repete também em outros modelos analisados, mas sim na tendência de volumes muito altos no Rio Grande do Sul nesta primeira metade da semana. Segundo a análise da MetSul, a instabilidade permanece no Estado até, pelo menos, a quarta-feira. Começa a aumentar nesta segunda-feira com ocorrências de chuva forte localizada e temporais isolados, mas ganha muita força durante a terça, dia que se mostra de grande preocupação pelo alto risco de chuva intensa e mesmo com volumes extremos em várias regiões do Estado, além da possibilidade de novos temporais. 

Não se pode descartar que alguns pontos do Estado tenham nas 48 horas de segunda e terça-feira acumulados de até 200 milímetros ou mais. Considerando o que já choveu neste fim de semana e o que ainda vem pela frente, é possível que algumas localidades gaúchas tenham no acumulado de ontem (5/1) até o final da terça (8/1) volumes tão elevados como 200 a 400 mm, isto é duas a três vezes a média do mês inteiro de janeiro em tão-somente menos de 100 horas. Logo, o quadro é de alerta pelo elevado potencial de transtornos como alagamentos e elevação súbita de rios, arroios e córregos.

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