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Chuva volumosa voltará a castigar Santa Catarina três semana depois de um evento extremo de precipitação que deixou quatro mortos e cidades em emergência no estado | CBMSC

A MetSul Meteorologia adverte para um episódio de chuva excessiva nesta primeira metade da semana em parte do Sul do Brasil. Mais uma vez, assim como ocorreu nos últimos dias do mês de novembro e logo no início deste mês, áreas do Leste e do Nordeste catarinense e do Leste do Paraná devem ser as mais atingidas.

Volumes muito altos de chuva devem ser esperados entre esta segunda e quarta-feira nestas regiões com aporte de umidade do mar para o continente que vai gerar chuva por vezes forte a intensa com altos acumulados em curtos intervalos.


Projeções dos modelos analisados pela MetSul indicam que os maiores volumes nestas áreas devem se dar até a quarta-feira, mas, em muitas cidades, o dia mais chuvoso deve ser a terça com marcas de 100 mm a 150 mm em alguns pontos em apenas 24 horas.

Embora nas últimas 24 horas, até o começo da noite deste domingo, os maiores volumes de chuva tenham se concentrado no Oeste catarinense com marcas acima de 50 mm em diversos pontos, setores da zona sob alerta do Leste e do Nordeste de Santa Catarina já tiveram chuva isoladamente forte.


Estações da Epagri-Ciram anotaram em 24 horas até o começo desta noite de domingo, por exemplo, acumulados pontuais de até 48 mm em Luiz Alves e 56 mm no Sul da ilha, na capital Florianópolis. A tendência é de volumes muito mais altos e em maior número de cidades a partir desta segunda.

Entre as regiões que podem ter chuva volumosa em Santa Catarina estão as áreas da Grande Florianópolis, o Litoral Norte, a macrorregião de Joinville, Itajaí, Schroeder, Balneário Camboriú e outros municípios do Leste catarinense.

Volumes de chuva

Os modelos processados pela MetSul apontam acumulados de chuva particularmente altos no Sul do Brasil numa faixa que vai do extremo Nordeste do Rio Grande do Sul ao Leste do Paraná, ou seja, em localidades junto à Serra do Mar ou logo a Leste da cadeia de morros na costa.

Os acumulados de chuva devem ser particularmente altos no setor Nordeste de Santa Catarina com marcas localmente excessivas. A saída das 12Z de hoje do modelo meteorológico alemão Icon projetou marcas de 100 mm a 200 mm para esta parte do território catarinense.

 

Como é comum em projeções por parte de modelos, a chuva em alguns lugares deve ficar abaixo e acima da projeção, uma vez que volumes de precipitação não são uniformes. Por isso, até pelo caráter orográfico da chuva, alguns pontos podem exceder 200 mm em 72 horas, como indica o nosso modelo WRF de alta resolução.

A chuva deve ser localmente volumosa ainda em setores do litoral do Paraná, no Sul de Santa Catarina mais perto da Serra como Timbé do Sul e Praia Grande, assim como em pontos do Litoral Norte gaúcho próximos da Serra do Mar na região de Torres como Morrinhos do Sul.

Chuva orográfica agrava risco de volumes extremos

O cenário que se esboça para os próximos dias inclui chuva de natureza orográfica, ou seja, induzida pelo relevo. Os acumulados em diversas cidades da costa e da Serra do Mar serão expressivos do extremo Nordeste gaúcho ao Paraná.

Umidade que vem do oceano ao encontrar a barreira do relevo da Serra, ascende na atmosfera e encontra temperatura mais baixa. Isso leva à condensação e à ocorrência de chuva induzida pelo relevo.

Altos valores de água precipitável previstos para o Leste catarinense | METSUL

Episódios de chuva orográfica são de alto risco porque costumam trazer acumulados de precipitação localmente muito altos e que não raro até acabam superando as projeções dos modelos numéricos. Os litorais de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro são os de maior risco de eventos de chuva extrema de natureza orográfica no Brasil com histórico de desastres por chuva extrema induzida pelo relevo.

Risco de inundações

É inevitável ante o cenário de chuva projetado pelos modelos numéricos que se registrem transtornos pela chuva nesta semana, particularmente em Santa Catarina e nas mesmas áreas castigadas por chuva extrema há apenas três semanas. Não será, entretanto, um evento tão grave de chuva como da virada do mês com volumes menores e menos impactos.

A região do Nordeste catarinense, em especial do Vale do Rio Itajaí-Açu, é a que vai exigir mais atenção na condição hidrológica. Há possibilidade de transbordamento de córregos e arroios por conta dos volumes altos e episódios de chuva torrencial, afinal em alguns momentos a chuva deve ser intensa com elevados acumulados de chuva em curto período.

A sucessão de dias de chuva volumosa e os acumulados elevados trarão o risco de deslizamentos de terra, particularmente no Leste Santa Catarina, onde o relevo é mais acidentado e com muitos morros.

O Nordeste catarinense, principalmente, terá maior risco de escorregamentos de encostas pelo relevo da região. São esperadas quedas de barreiras e é alta a probabilidade que o tráfego venha a ser afetado em algumas estradas.

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