Olá, amigos e amigas, um grande duelo de forças na atmosfera do Brasil será travado nestes últimos dez dias de agosto entre massas de ar frio e quente com períodos em que a temperatura estará muito baixa e outros em que o calor será intenso a extremo.

Mapa do modelo do Centro Meteorológico Europeu (ECMWF) mostra a anomalia de temperatura (desvio da média) prevista para os próximos dez dias no Brasil | METSUL
Uma massa de ar quente cobriu grande parte do Brasil nos últimos dias com marcas até acima de 40ºC no Centro-Oeste e que chegaram a 36ºC no Rio Grande do Sul. Estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás também tiveram muito calor.
Agora, a queda de braço entre ar frio e quente será vencida temporariamente pelo frio com uma massa de ar de temperaturas baixas que tomará conta do Sul do país durante os próximos dias e que trará algum refresco, embora sem previsão de frio intenso, em parte do Centro-Oeste e do Sudeste, notadamente em Mato Grosso do Sul e São Paulo.
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No Centro do Brasil, a influência da frente será ínfima em termos de precipitação. Há chance de chuva em pontos mais a Oeste do Mato Grosso do Sul, mas na maior parte do Centro-Oeste não chove. No Sudeste, o cenário é parecido. Não deve chover na maior parte da região. A circulação de umidade de uma massa de ar frio deve trazer chuva para pontos do Sul e do Leste de São Paulo assim como no Rio de Janeiro nos próximos dias.
A queda do bloqueio atmosférica será favorecida pelo avanço de um primeiro bolsão de ar frio no Sul do Brasil entre hoje e amanhã com a formação do ciclone. Na sequência, uma segunda incursão de ar frio mais forte, impulsionada por um segundo ciclone e muito mais intenso no Atlântico Sul, vai conseguir derrubar a temperatura em parte do Sudeste e do Centro-Oeste, mas sem previsão de muito frio.
O frio mais intenso vai se concentrar no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, a esmagadora maioria das cidades deve ter mínimas entre 0ºC e 5ºC no começo da semana, especialmente entre domingo e terça, mas haverá municípios que devem anotar marcas abaixo de zero, sobretudo no Sul, Campanha, fronteira com o Uruguai, Planalto Médio, Serra, Campos de Cima da Serra e Alto Uruguai.
Nos locais de maior altitude do Sul e do Norte do Rio Grande do Sul, na Serra do Sudeste e nos Campos de Cima da Serra, baseando-se em dados desta segunda de modelagem numérico, há possibilidade de marcas tão baixas quanto -3ºC a -5ºC no começo da semana que vem. No Planalto Sul Catarinense, as mínimas podem descer a -3ºC a -5ºC, de acordo com as simulações computadorizadas.
Ocorre que o ar quente logo voltará a ganhar o duelo de forças. Na segunda metade da semana que vem, especialmente nos últimos dias do mês, massa de ar muito quente vai voltar a atuar entre e o Centro e o Sul do Brasil, o que pode trazer muita chuva com tempestades no Rio Grande do Sul e calorão em São Paulo e Rio de Janeiro.
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Que não se atribua este padrão ao El Niño. Agosto costuma ser um mês de grandes contrastes térmicos. É comum que o mês tenha episódios de frio intenso, com geadas e temperaturas próximas ou abaixo de zero, e incursões de ar quente capazes de elevar rapidamente as temperaturas para níveis de verão.
A característica está ligada à posição geográfica da região na transição entre o inverno e a primavera e à frequência com que diferentes massas de ar avançam no continente.
Agosto, além disso, já apresenta sinais claros da aproximação da primavera. A radiação solar aumenta, os dias ficam mais longos e a atmosfera começa a favorecer períodos mais prolongados de aquecimento. Entre uma massa de ar frio e outra, o continente pode aquecer rapidamente, especialmente quando há correntes de vento de Norte e áreas de baixa pressão térmicas no Norte da Argentina, como se espera no final deste mês.