A primeira Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos desde 1994 começa sob uma preocupação crescente: o calor extremo. O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) dos Estados Unidos já começou a publicar advertências para o estado norte-americano da Flórida.

Foto mostra calor em Miami

CHANDAN KHANNA/AFP/METSUL

“Há um risco aumentado de calor extremo em grande parte da Flórida, incluindo Miami, na próxima semana e no próximo fim de semana, devido à atuação de uma área de alta pressão em níveis médios da atmosfera”, disse o NWS.

“Os índices de calor (sensação térmica) podem superar 40°C. Haverá pouco alívio durante a noite, com possibilidade de ocorrência de temperaturas mínimas recordes elevadas”, acrescentou o serviço oficial de Meteorologia norte-americano.

Em Miami, uma das cidades-sede do torneio e onde o Brasil jogará uma das partidas da primeira fase do torneio, meteorologistas alertam para temperaturas e índices de calor muito elevados nos próximos dias, justamente quando a cidade recebe seus primeiros jogos da competição.

As previsões indicam que a Flórida enfrentará neste fim de semana as temperaturas mais altas registradas até agora em 2026. Em várias áreas do estado, a sensação térmica poderá superar os 40°C, alcançando entre 41°C e 42°C em alguns locais. O calor intenso será resultado da combinação de temperaturas elevadas com altos índices de umidade, característica típica do verão do Sul da Flórida.

Leia tambémPoderoso rio atmosférico se aproxima da América do Sul

O primeiro jogo da Copa em Miami está marcado para segunda-feira, quando a Arábia Saudita enfrentará o Uruguai no Hard Rock Stadium, que durante o torneio recebe o nome de Miami Stadium. A previsão para o horário da partida indica temperatura próxima de 31°C, mas a sensação térmica poderá chegar a 36°C devido à elevada umidade.

Especialistas alertam que o calor não representa apenas desconforto para atletas e torcedores. Em situações extremas, a exposição prolongada pode causar exaustão pelo calor, desidratação severa e até insolação, condição potencialmente fatal quando a temperatura corporal ultrapassa níveis críticos.

Orlando Laitano, da Universidade da Flórida, explica que o organismo humano trabalha continuamente para manter a temperatura interna próxima de 37°C. Quando o ambiente está muito quente, o corpo aumenta a transpiração e o fluxo sanguíneo para a pele na tentativa de dissipar calor.

O problema é que a elevada umidade do ar reduz a eficiência desse mecanismo natural. Como o suor evapora mais lentamente, o organismo encontra maior dificuldade para se resfriar. Isso faz com que o coração, os músculos, os pulmões e o cérebro tenham de trabalhar mais intensamente para manter o equilíbrio térmico.

Os impactos também aparecem dentro de campo. Segundo especialistas em fisiologia do exercício, partidas disputadas sob calor e umidade extremos tendem a apresentar ritmo mais lento. Os jogadores reduzem naturalmente a intensidade dos movimentos para evitar um superaquecimento perigoso do corpo.

Leia tambémCalor extremo e fogo castigam a Europa; Espanha é a mais atingida

Para minimizar os riscos, a FIFA programou todos os jogos de Miami para o final da tarde ou à noite. Além disso, as partidas contam com pausas para hidratação durante cada tempo, permitindo que os atletas reponham líquidos e reduzam o estresse térmico.

Mesmo assim, organizações que estudam os efeitos das mudanças climáticas sobre o esporte consideram que o risco permanece elevado. Dados históricos mostram que as temperaturas médias de junho em Miami vêm aumentando nas últimas décadas, acompanhando a tendência global de aquecimento.

A preocupação não se limita aos atletas profissionais. Torcedores que permanecerão por horas em filas, estacionamentos e áreas externas dos estádios também estarão expostos ao calor. Após críticas iniciais, a FIFA voltou atrás em uma decisão e autorizou que cada espectador leve uma garrafa plástica lacrada de água para os jogos.

Eventos esportivos recentes servem de alerta. Durante a Copa América de 2024, um árbitro passou mal em uma partida disputada sob calor intenso nos Estados Unidos. Jogadores também relataram tonturas e sintomas relacionados à exaustão térmica.

Além do calor, a previsão indica aumento das pancadas de chuva e trovoadas na Flórida nos próximos dias. Embora não haja expectativa de tempo severo generalizado, temporais isolados com rajadas fortes de vento não podem ser descartados.