A Copa do Mundo, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, tem potencial para entrar para a história não só pelo número recorde de seleções. O clima poderá ser um dos grandes protagonistas com riscos associados ao calor, tempestades, raios e até fumaça de incêndios florestais.

Alerta no Metlife Stadium, que abrigará jogo do Brasil e o final da Copa do Mundo, pede pelo telão que torcedores abandonem a arquibancada pela presença de raios na região de Nova York e Nova Jersey| RICH SCHULTZ/GETTY IMAGES/AFP/METSUL/ARQUIVO
Em várias localidades, as máximas médias de junho e julho costumam ficar entre 30°C e 36°C. Em ondas de calor, entretanto, os termômetros podem passar de 40°C. Quando a alta umidade é adicionada à equação, o impacto torna-se ainda pior.
Indicador usado pela FIFA e chamado Temperatura de Globo de Bulbo Úmido, conhecido pela sigla WBGT, considera umidade, vento e radiação solar para medir o estresse térmico sobre o organismo. O índice é amplamente empregado para avaliar riscos à saúde em atividades físicas intensas sob calor.
Leia tambémVulcão que mudou o clima do planeta tem grande erupção; veja vídeos
Entre as cidades que mais preocupam estão Miami, Houston, Dallas, Kansas City e Atlanta, nos Estados Unidos. No México, Monterrey é a sede de grande risco térmico. Nelas, a combinação de calor e umidade pode atingir marcas extremas. Em Miami e Atlanta, por exemplo, temperaturas de 32°C a 33ºC podem gerar sensação de 40°C a 45ºC em alguns dias.
O calor intenso afeta diretamente o desempenho físico. O corpo precisa trabalhar mais para manter sua temperatura interna sob controle. O coração acelera, a transpiração aumenta e a fadiga muscular surge rapidamente. Em situações extremas, atletas podem apresentar tontura, câimbras, exaustão e redução significativa da capacidade de desempenho.
Ex-jogadores que participaram da geração da Copa de 1994 recordam que o calor já foi um fator importante três décadas atrás. Agora, especialistas acreditam que as condições podem ser ainda piores, embora preparação física, fisiologia e nutrição tenham evoluído muito desde então.
Os impactos não se limitam aos atletas. Milhões de torcedores e profissionais escalados para o evento estarão expostos às condições meteorológicas em deslocamentos, permanência em filas, atividades em áreas de fãs e dentro dos estádios.
Outro aspecto que preocupa organizadores é a possibilidade de raios. O verão norte-americano é marcado por temporais. Cidades como Miami, Houston e Atlanta registram elevada incidência de tempestades capazes de provocar chuva intensa, rajadas de vento e descargas elétricas.
Leia tambémTrês furacões atuam ao mesmo tempo sob intenso El Niño
Nos Estados Unidos, protocolos de segurança determinam que eventos esportivos sejam interrompidos quando raios são detectados nas proximidades dos estádios. Isso pode resultar em atrasos e até evacuações de arquibancadas. No Mundial de Clubes, em 2025, diversas partidas sofreram interrupções por raios nas imediações.
Por isso, a FIFA anunciou medidas para reduzir riscos. Entre elas estão pausas obrigatórias para hidratação nas partidas, ampliação de áreas de sombra, sistemas de resfriamento, reforço da assistência médica e distribuição ampliada de água aos torcedores.
Alguns estádios também contam com estruturas modernas, incluindo coberturas retráteis e sistemas de climatização, capazes de amenizar os efeitos do calor. Mesmo assim, é consenso que o desafio vai muito além do ambiente interno das arenas, alcançando toda a logística que envolve um evento do gigantismo de uma Copa do Mundo.