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A agência espacial americana divulgou comunicado nas primeiras horas deste sábado com uma nova análise do meteoro do Sul da Rússia, baseando sua avaliação em sensores de infrassom espalhados pelo mundo. Esta rede de sensores tem como principal motivo a deteccção de testes nucleares, como realizado há poucos dias pela Coréia do Norte e que pode se repetir a qualquer momento pelo regime de Pyongyang. Integra o tratado que foi ratificado por quase 190 países banindo testes atômicos e que se chama Comprehensive Test Ban Treaty. Veja nas ilustrações abaixo as detecções de infrassom por estações em dois pontos do globo do meteoro da Rússia, cortesia do Professor Milton Garces da Universidade do Havaí. 



Registro do sensor de infrassom a 600 km do hipercentro


Registro do sensor de infrassom a 1500 km do hipercentro


Registro sísmico por M. Hedlin da Universidade da Califórnia – San Diego


Registro sísmico pelo Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico (PTWC) do NOAA (veja a oscilação no centro da faixa do sismograma do alto e como ela ocorre mais à direita em sensores gradualmente mais distantes logo abaixo da Global Seismic Network ou GSN usada pelo PTWC).

A estimativa da NASA do tamanho do bólido foi revisada de 15 para 17 metros e a massa de 7 mil para 10 mil toneladas. A NASA recalculou ainda a energia liberada no evento que antes era estimada em 30 kilotons e agora passou para espantosos 500 kilotons, ou 40 vezes (alguns colocam 30 vezes) a energia da bomba atômica despejada sobre Hiroshima em 1945. Os cientistas estimam que no meteoro que atingiu Tunguska, na Rússia, em 1908, a energia liberada tenha sido não em kilotons, mas em megatons (valores discrepam muito), o que explica a devastação ocorrida há um século na Sibéria com milhões de árvores derrubadas. Os novos cálculos divulgados hoje pela NASA para o meteoro da sexta-feira, com base em várias estações mundiais de infrassom, apontaram também que entre o ingresso na atmosfera e a desintegração do meteoro no ar houve um intervalo de tão-somente 32,5 segundos. Há uma incrível foto do ingresso do meteoro na atmosfera terrestre em que se observa com nitidez uma explosão no céu associada à desintegração que gerou o “boom” sônico (via Earth Pictures).


Uma notícia que chamou atenção neste sábado foi divulgada pelo Portal UOL (veja). Conforme a nota publicada, de acordo com o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite da Universidade Federal de Alagoas [Lapis], imagens do satélite europeu Meteosat-9 mostram que o meteoro que explodiu sobre Chelyabink, na Rússia, cruzou o céu do Brasil às 17h da véspera. A matéria indica um clarão visível entre os estados do Mato Grosso e Tocantins”. Interessante é pesquisar o que de fato aparece na imagem, mas na MetSul temos nossas restrições à associação com o evento da Rússia de horas após.


Vejam a imagem de satélite (reprodução acima) da notícia sobre a suposta passagem pelo espaço aéreo do Brasil do meteoro que atingiu o Sul da Rússia. Nota-se, claramente, pela imagem que ela é do canal visível, ou seja, usada para monitoramento diurno. Notem no setor esquerdo da imagem como já se observa a escuridão do avanço da noite de Leste em direção a Oeste. A imagem, que não tem data e hora especificadas, é do fim da tarde no Brasil, seja inverno ou verão. Ocorre que o meteoro da sexta ingressou na atmosfera, de acordo com a NASA, às 3:20:26 UTC, ou 1:20:26 da madrugada do dia 15 no Brasil. Se a velocidade do meteoro era de mais de 50 mil km/h e seu ângulo de entrada muito baixo, segundo todas as análises, e a entrada na atmosfera durou 32 segundos, como ele poderia ter passado aqui pelo Brasil e ainda por cima tantas horas antes ? Mas tem mais. Quem acessa o banco de imagens do satélite Meteosat-9 do Cptec/INnpe entre 19 UTC (17h Brasília) e 21 UTC (19h Brasília) do dia 14 (quinta-feira) verá que o rastro não só aparece na imagem divulgada pela UFAL das 19:20 UTC como em várias outras imagens de 5 minutos antes e durante todo o tempo ao longo de uma hora depois. Primeiro, sobre Tocantins, e depois sobre o Mato Grosso até desaparecer na fronteira com a Bolívia. Ora, a velocidade de deslocamento é bastante baixa para um meteoro e, ademais, o sentido Nordeste-Sudoeste estranho, assim como a variação de luminosidade. A causa do brilho na sequência de imagens carece ainda de explicação, mas não dá sinais de ser meteoro, até pela massa do corpo celeste da Rússia ter sido estimado em apenas 17 metros, diz o meteorologista da MetSul Luiz Fernando Nachtigall.  


O meteoro da Rússia, claro, acabou sendo assuntode capa dos principais jornais do mundo neste sábado. Todos destacaram o aspecto histórico, já que foi o maior a atingir a Terra desde o evento de Tunguska de 1908. Obviamente que nos diários populares sensacionais não faltaram manchetes ridículas como o fim do mundo. De real e sem exagero é que se tratou de um meteoro pequeno demais para ser detectado, contudo suficientemente grande para trazer extensos danos e fazer história.



O vice-governador de Chelyabinsk informou neste sábado que o buraco no gelo no Lago de Chebarkul, que apareceu em quase todos jornais do mundo hoje como consequência do meteoro, “se formou por uma razão diferente”. Nenhum fragmento foi encontrado no lago, após três horas de buscas por mergulhadores. A visibilidade era muito baixa na água, o que dificultou os trabalhos. Hoje também foram conhecidos números oficiais do impacto da onda de choque gerada pelo meteoro. De acordo com o governo russo, foram 1158 pessoas que buscaram assistência médica.

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