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O mês de julho tem sido clássico até agora em 2012. Começou com uma sequência de dias quentes, que não foge à normalidade, afinal ocorrências de temperatura elevada são comuns mesmo no auge do inverno no Rio Grande do Sul. Estes períodos quentes tendem a ocorrer principalmente sob condições de bloqueio atmosférico, que são mais freqüentes em invernos com influência de um Oceano Pacífico aquecido. Foram dois bloqueios em apenas uma quinzena, o primeiro ao redor do dia 20 de junho que levou à chuva extrema ocorrida no Paraná entre os dias 17 e 20 do mês passado, e o segundo que se deu entre o fim de junho e o começo de julho, o que fez com que a temperatura ficasse muito acima da média no Sul do Brasil nos primeiros dias deste mês.



Um muro não cai sem que se derrubem tijolos. Foi uma frente fria que por dias atuou no Sul gaúcho que rompeu o bloqueio, trazendo de volta o ar frio entre quinta e sexta-feira. A mudança ocorreu com chuva que veio em volumes extremos, sobretudo na sexta-feira. A precipitação superou 100 mm em diversos pontos do Centro para o Norte do Estado. Em Lajeado, o acumulado atingiu 132,5 mm. Em São Leopoldo, foram 118,1 mm no Morro do Espelho. Em Porto Alegre, a precipitação também foi bastante volumosa e causou alagamentos, como já era alertado pelos colegas da MetSul Meteorologia Estael Sias e Luiz Fernando Nachtigall tanto na imprensa como aqui no site.

Fotos de Pedro Revillion e Paulo Nunes do Correio do Povo

A chuva acumulada de quinta, sexta (maior parte dos volumes) e no sábado acumulou em Porto Alegre 114,1 mm na Lomba do Pinheiro, 107,7 mm em Belém Novo, 107,0 mm no São Geraldo, 106,9 mm na Restinga, 102,5 mm na Rodoviária, 100,4 mm na Glória, 98,7 mm no Sarandi, 96,0 mm no Centro e 90,3 mm no Jardim Leopoldina. Com o excesso de chuva que deixa o solo instável e as rajadas de vento de até 80 km/h na sexta-feira, foi inevitável a queda de árvores na cidade. Para quem andava na rua, o vento frio forte foi um pesadelo na sexta-feira.

Na sequência da chuva ingressou uma forte massa de ar seco e frio de origem polar que trouxe um fim de semana gelado. A mínima chegou a 0,7ºC negativo no sábado em Bagé, mas foi domingo que reservou a madrugada mais gelada. Chegou a nevar sábado no alto do Morro da Igreja, a 1800 metros de altitude, e no interior de São Joaquim, em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, a menor temperatura domingo foi anotada pela estação do bairro Planalto, em Santa Rosa, numa baixada, com quase 5ºC negativos.

O ar mais seco no Sul e no Oeste do Estado determinou que estas áreas tivessem frio mais intenso. Tanto que Cruz Alta teve mínima inferior a todas estações da Serra Gaúcha. A mínima em Porto Alegre, de 1,3ºC em Belém Novo, ficou próxima do registro, por exemplo, de Vacaria. Uma sequência de pulsos de ar polar manterá a temperatura baixa no Rio Grande do Sul até o dia 20 com reforços contínuos de ar polar. Hoje, a mínima no Rio Grande do Sul foi de 1ºC abaixo de zero em Cambará do Sul. Porto Alegre registrou 3,4ºC, na zona Sul da cidade.



Uma frente fria provoca chuva na maioria das regiões gaúchas nesta terça e pode chover forte, inclusive, em pontos da Metade Norte. Porto Alegre deve atingir a média histórica de precipitação, muito em razão da chuva da sexta, já no décimo dia do mês. Sequência de pulsos de ar polar na América do Sul manterá a temperatura baixa no Rio Grande do Sul até o dia 20. Nova incursão de ar gelado é esperada para quarta-feira. Simulações de modelos de ontem chegavam a sugerir neve entre os Aparados da Serra e o Planalto Sul Catarinense no começo da quarta e no próximo fim de semana, com a ondulação do jato polar até o Rio Grande do Sul (imagem acima), mas as saídas de hoje não mantiveram a tendência e não permitem qualquer cogitação do fenômeno.

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