Inundações de grandes proporções deixaram pelo menos oito mortos nesta quarta-feira no Nepal, após uma forte enxurrada atingir áreas montanhosas próximas à fronteira com a China. As autoridades realizam operações de busca e resgate enquanto cresce o temor de uma nova cheia na região.

Casas ficam parcialmente submersas após enchente repentina em Trishuli Bazar, no Nepal

Casas ficam parcialmente submersas após enchente repentina em Trishuli Bazar, no Nepal. As inundações deixaram ao menos oito mortos nesta quarta-feira | PRABIN RANABHAT/AFP/METSUL

A força da água provocou destruição em comunidades às margens dos rios. Imagens divulgadas pela polícia nepalesa mostram correntes de água barrenta atravessando vales e carregando casas e outros objetos.

Fotografias registradas pela AFP mostram o andar superior de uma residência emergindo da lama depois da passagem da inundação.

“Até agora, oito corpos foram encontrados. As operações de resgate estão em andamento”, afirmou o porta-voz da polícia do Nepal, Abi Narayan Kafle, à AFP.

No distrito de Nuwakot, moradores relataram cenas de devastação. O professor Suman Chalise, de 34 anos, contou que viu a correnteza arrastar entre oito e nove caminhões, além de casas e pessoas.

As autoridades haviam alertado moradores que vivem próximos aos rios para deixarem as áreas de risco. O Exército do Nepal mobilizou helicópteros e equipes especializadas em resposta a desastres para atuar nas regiões atingidas.

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O desastre também provocou danos importantes ao sistema de energia. A Autoridade de Eletricidade do Nepal informou que cerca de 430 megawatts de capacidade de geração foram afetados, incluindo instalações hidrelétricas e solares.

Estruturas de transmissão e distribuição também foram danificadas, provocando interrupções no fornecimento de eletricidade em áreas atingidas pelas inundações.

Uma avaliação preliminar do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD) aponta que um possível deslizamento de rochas e gelo pode ter bloqueado o rio Lhende, desencadeando uma inundação em cascata.

O fenômeno também teve consequências no lado chinês da fronteira. A emissora estatal CCTV informou que um deslizamento provocado pelo evento no lado nepalês deixou mortos e desaparecidos na região do porto de Gyirong, no Tibete.

As imagens divulgadas pela televisão chinesa mostram uma forte correnteza transportando árvores, galhos e outros detritos. A AFP informou que não conseguiu verificar imediatamente as imagens de forma independente.

O presidente chinês, Xi Jinping, determinou que as autoridades realizassem operações de busca e resgate e priorizassem o atendimento aos feridos. Estradas da região também foram consideradas perigosas devido ao risco de novos deslizamentos.

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O principal temor agora é de uma segunda inundação. Segundo especialistas do ICIMOD, um bloqueio ainda pode permanecer a montante no rio que atravessa a região de fronteira entre Nepal e China.

A possibilidade aumenta a preocupação das equipes de emergência, que precisam retirar pessoas de áreas potencialmente vulneráveis enquanto continuam procurando vítimas e sobreviventes.

Várias rodovias foram fechadas e comunidades ficaram isoladas. A dimensão total dos danos ainda estava sendo levantada pelas autoridades nepalesas.

A situação também preocupa o setor de turismo. Segundo a agência de turismo do Nepal, não havia informações sobre 384 turistas após as inundações. Desse total, 291 eram estrangeiros.

As chuvas de monção atingem regularmente o Sul da Ásia entre junho e setembro e costumam provocar enchentes e deslizamentos em áreas montanhosas.

Especialistas afirmam que a mudança climática vem contribuindo para o aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos na região, elevando os riscos para comunidades instaladas em áreas sujeitas a inundações e deslizamentos.