Imagem de satélite da manhã deste domingo mostra um grande e intenso ciclone atuando na altura das Ilhas Malvinas. Frente fria associada se estende por milhares de quilômetros. | NOAA

Um grande ciclone extratropical pode ser observado nas imagens de satélite de hoje sobre o Sul do Atlântico. Uma baixa pressão se aprofundou muito na altura das Ilhas Malvinas, a Leste da Patagônia, nas últimas horas, dando origem ao ciclone extratropical intenso.

A sua pressão mínima no momento é de 970 hPa, portanto muito baixa. Ontem, na mesma hora era de 992 hPa. O sistema, assim, ficou muito perto de configurar um ciclone bomba com queda da pressão de ao menos 24 hPa em um intervalo de apenas 24 horas.

Embora bastante chamativo nas imagens de satélite e intenso pela pressão ao redor de 970 hPa, este ciclone extratropical não irá trazer grandes impactos no Brasil. A sua influência será maior em latitudes mais altas e em áreas meridionais da América do Sul neste começo de semana.

Como é um ciclone intenso e com tendência de deslocamento no sentido Nordeste, o seu campo de vento forte se estende por uma enorme área do Atlântico Sul. Por isso, mesmo distante do centro da tempestade em alto mar, o litoral da província de Buenos Aires, na região de Mar del Plata, deve ter instabilidade, vento forte, temperatura baixa e agitação marítima.

No Uruguai, os reflexos deste ciclone não serão significativos, mas deve deixar o tempo mais ventoso em departamentos como Montevidéu, Canelones, Maldonado e Rocha neste início de semana. As rajadas, em média, ficam entre 50 km/h e 70 km/h. As águas do Rio da Prata e do Atlântico ficarão mais agitadas.

No Brasil, a frente fria associada ao ciclone trará chuva com ar mais frio na retaguarda, mas o campo de vento intenso do sistema ficará distante do território brasileiro. A faixa costeira do Litoral Sul gaúcho terá tempo mais ventoso neste começo de semana com rajadas de 60 km/h a 70 km/h. No Sul e no Leste gaúcho, incluindo Porto Alegre, com o ingresso de ar mais frio impulsionado pelo ciclone, o vento pode atingir 30 km/h a 50 km/h em média nas rajadas.

Projeção do modelo europeu mostra um enorme campo de vento forte a intenso em alto mar no Atlântico Sul como consequência do ciclone extratropical | METSUL

Deslocamento do ciclone para Leste-Nordeste fará com que campo de vento intenso do sistema permaneça em alto mar e não atinja áreas continentais do Brasil | METSUL

Os efeitos do ciclone no Brasil serão pronunciados em alto mar, logo sem risco maior no continente. A Marinha do Brasil tem avisos de vento muito forte a duro assim como de mar grosso a muito grosso para a área oceânica da costa do Sul do Brasil. A previsão é de ondas de até seis metros em alto mar.

Na costa, o que o ciclone pode trazer é agitação marítima e ressaca. Como o ciclone é intenso, mesmo distante, o seu campo de vento é enorme no Atlântico Sul e isso vai gerar um swell que repercutirá nos litorais do Sul e parte do Sudeste com ondas mais altas e possível ressaca do mar.

Projeção do modelo oceânico mostra a previsão de altura das ondas e como o swell gerado pelo ciclone vai avançar pelos litorais do Sul e do Sudeste do Brasil | DHN

A Marinha do Brasil emitiu aviso de ressaca para a Área Sul Oceânica entre o Chuí (RS) e Laguna (SC) com ondas de até 2,5 metros. Não existe ainda aviso da armada brasileira de ressaca para o litoral do Sudeste, mas o swell do ciclone deve deixar o mar mais agitado nos litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro.

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