O nível do Guaíba retomou a trajetória de baixa neste domingo (2) depois de um breve repique registrado no final do sábado (1) e nas primeiras horas de hoje, mas que foi pequeno e muito temporário como esperado pela MetSul Meteorologia.

PEDRO PIEGAS/PMPA
O pico desta cheia foi registrado na sexta-feira (31), quando o nível do Guaíba chegou a superar a cota de alerta de 2,50 metros, tendo começado a recuar na sequência e baixado em grande parte do sábado.
No final do sábado, com o ingresso de vento Sul sem forte intensidade no setor Norte da Lagoa dos Patos com a chegada de uma frente fria, o nível que estava em 2,39 metros voltou a subir, mas muito pouco e por um breve período.
Os picos de vazão dos rios Taquari e Caí já alcançaram o Guaíba e isso explica a baixa, que também foi extremamente favorecida pelo vento do quadrante Norte que acelerou o escoamento das águas para a lagoa em grande parte do sábado antes da chegada da frente fria.
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No meio da manhã deste domingo (2), o nível do Guaíba na régua do Cais Central da Avenida Mauá, junto ao Centro Histórico, estava em 2,38 metros, valor abaixo do máximo de 2,53 metros na sexta (31) e do pico do repique da madrugada de hoje de 2,43 metros.
Os dados que utilizamos são da régua eletrônica instalada quase na altura do pórtico do Cais Central, a única estação de monitoramento que não saiu do ar na enchente de 2024 por usar uma nova tecnologia de coleta de dados e cuja medição do pico mais se aproximou da cota oficial máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro no desastre de 2024.
A régua tem valor superior ao indicado na medição da régua informada em algumas páginas na internet, que usam dados da régua do Gasômetro. A que fazemos uso está no ponto oficial de medição da cidade por 150 anos e tem cota de inundação de 3,00 metros, que é a conhecida amplamente pela população.
Os dados desta régua eletrônica de monitoramento do Guaíba com o gráfico de tendência você pode ter acesso gratuitamente clicando aqui e ainda você pode salvar o link em seu celular ou computador para acompanhar a qualquer hora.
Prever o nível do Guaíba é muito complexo e difícil, uma vez que há uma série de variáveis diferentes das usadas em um prognóstico de nível de um rio apenas. Há vazão simultânea de múltiplos rios e com os picos de cheia chegando em momentos distintos pelas dimensões das bacias.
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O fato de ser a vazão de muitos rios com os picos de cheia de cada um chegando em momentos diferentes pelo percurso de cada bacia, aumenta a complexidade e a dificuldade de se prever o nível do Guaíba. No caso de agora, alguns rios contribuintes já atingiram os seus picos de cheia e outros ainda não antes que desaguem no Guaíba.
Há também a variável do vento (meteorológica), que não costuma interferir nos rios que desaguam no Guaíba, mas tem enorme impacto no manancial de Porto Alegre. Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos e sofre os efeitos do vento que sopra na lagoa, seja pela direção ou intensidade.
Se venta forte do quadrante Sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais. No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 50 cm a 70 cm com vento Sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas.
A tendência é de o Guaíba seguir alto nos próximos dias com muita vazão ainda por chegar dos rios Jacuí e Sinos, entretanto, como os picos de vazão do Taquari e do Caí já passaram, a tendência é de diminuição maior e gradual do nível.