O nível do Guaíba começou a recuar neste sábado (1) depois de ter atingido a cota de alerta de 2,50 metros ontem (31), mas as próximas horas exigem atenção devido ao risco de uma súbita e temporária elevação do nível por vento do quadrante Sul no Norte da Lagoa dos Patos.

Foto do Guaíba sob cheia

Nível do Guaíba baixou e segue perto da cota de alerta de 2,5 metros | FERNANDO OLIVEIRA

Os picos de vazão dos rios Taquari e Caí já alcançaram o Guaíba e isso explica a baixa no dia de hoje, o que também foi extremamente favorecida pelo vento do quadrante Norte que acelera o escoamento das águas para a lagoa.

No começo da noite deste sábado (1), o nível do Guaíba na régua do Cais Central da Avenida Mauá, junto ao Centro Histórico, estava em 2,40 metros, valor abaixo do pico de 2,53 metros na mesma hora na noite de ontem.

Os dados que utilizamos são da régua eletrônica instalada quase na altura do pórtico do Cais Central, a única estação de monitoramento que não saiu do ar na enchente de 2024 por usar uma nova tecnologia de coleta de dados e cuja medição do pico mais se aproximou da cota oficial máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro no desastre de 2024.

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A régua tem valor superior ao indicado na medição da régua informada em algumas páginas na internet, que usam dados da régua do Gasômetro. A que fazemos uso está no ponto oficial de medição da cidade por 150 anos e tem cota de inundação de 3,00 metros, que é a conhecida amplamente pela população.

Os dados desta régua eletrônica de monitoramento do Guaíba com o gráfico de tendência você pode ter acesso gratuitamente clicando aqui e ainda você pode salvar o link em seu celular ou computador para acompanhar a qualquer hora.

A atual cheia é maior que a da semana passada que teve pico de 2,11 metros no Cais Central na sexta-feira (24). A tendência é de o Guaíba se manter alto nos próximos dias, mas com tendência de gradual recuo. A exceção fica por conta das próximas horas por vento.

Prever o nível do Guaíba é muito complexo e difícil, uma vez que há uma série de variáveis diferentes das usadas em um prognóstico de nível de um rio apenas. Há vazão simultânea de múltiplos rios e com os picos de cheia chegando em momentos distintos pelas dimensões das bacias.

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O fato de ser a vazão de muitos rios com os picos de cheia de cada um chegando em momentos diferentes pelo percurso de cada bacia, aumenta a complexidade e a dificuldade de se prever o nível do Guaíba. No caso de agora, alguns rios contribuintes já atingiram os seus picos de cheia e outros ainda não antes que desaguem no Guaíba.

Há também a variável do vento (meteorológica), que não costuma interferir nos rios que desaguam no Guaíba, mas tem enorme impacto no manancial de Porto Alegre. Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos e sofre os efeitos do vento que sopra na lagoa, seja pela direção ou intensidade.

Se venta forte do quadrante Sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais. No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 50 cm a 70 cm com vento Sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas.

Preocupa-nos que no final do sábado e em parte do domingo, durante e logo após a passagem de uma frente fria, pode ventar de Sul forte temporariamente no Norte da lagoa, gerando efeito de represamento e causando súbita elevação. Em caso de subida rápida por vento, no entanto, a elevação será bastante temporária de algumas horas e o nível deve retomar a curva de queda observada neste sábado.