O nível do Guaíba subiu ainda mais nas últimas horas e atingiu a cota de alerta de 2,50 metros no Cais Mauá com tendência ainda de elevação pela chegada de mais vazão de rios contribuintes, de acordo com a análise da MetSul Meteorologia.

PEDRO PIEGAS/PMPA
Os picos de vazão dos rios Taquari e Caí alcançam o Guaíba entre hoje e amanhã ao mesmo tempo a vazão das cheias do Jacuí, Sinos e Gravataí seguirá chegando e com tendência de aumento nos próximos dias.
No começo da manhã desta sexta-feira (31), o nível do Guaíba na régua do Cais Central da Avenida Mauá, junto ao Centro Histórico, estava em 2,48 metros (+33 cm em 24 horas), mas na estação do Cais C6 (perto da Rodoviária) atingia 2,51 metros (superou cota de alerta) e a tendência é de gradual elevação.
Os dados que utilizamos são da régua eletrônica instalada quase na altura do pórtico do Cais Central, a única estação de monitoramento que não saiu do ar na enchente de 2024 por usar uma nova tecnologia de coleta de dados e cuja medição do pico mais se aproximou da cota oficial máxima calculada pelo Serviço Geológico Brasileiro no desastre de 2024.
A régua tem valor superior ao indicado na medição da régua informada em algumas páginas na internet, que usam dados da régua do Gasômetro. A que fazemos uso está no ponto oficial de medição da cidade por 150 anos e tem cota de inundação de 3,00 metros, que é a conhecida amplamente pela população.
Os dados desta régua eletrônica de monitoramento do Guaíba com o gráfico de tendência você pode ter acesso gratuitamente clicando aqui e ainda você pode salvar o link em seu celular ou computador para acompanhar a qualquer hora.
Como estão os rios contribuintes do Guaíba
O Guaíba tem cinco rios contribuintes: Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí. A condição de cada um deles, em conjunto, conta a história de uma cheia do Guaíba. Os dois maiores contribuintes são o Taquari e o Jacuí.
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O Rio Taquari em Lajeado alcançava 16,6 metros no começo da manhã desta sexta e baixou consideravelmente. O pico da cheia no vale foi anteontem à noite com quase 24 metros, perto de um metro abaixo do máximo observado na semana passada.
Já o Rio Caí em São Sebastião do Caí estava com 10,2 metros, portanto ainda acima da cota de inundação de 10 metros, mas baixava e no decorrer da manhã já estará abaixo da marca de transbordamento. O pico da cheia foi de 13,2 metros, acima dos 11,4 metros da cheia da semana passada.
O Rio dos Sinos em São Leopoldo estava em 5,02 metros na régua de São Leopoldo com elevação. Há grande vazão descendo das nascentes para os vales, especialmente da contribuição do Rio Paranhana no começo da semana, o que vai elevar ainda mais o Rio dos Sinos no Vale e na Grande Porto Alegre com uma cheia de grande proporção. O pico da onda de vazão do Sinos somente vai chegar ao Guaíba na semana que vem.
O Rio Gravataí está em Gravataí neste começo de manhã com 4,93 metros, ou seja, acima da cota de inundação de 4,75 metros, e baixava. A sua contribuição para a cheia do Guaíba será menor.
Outro rio que preocupa, que mal baixou da chuva da última semana, é o Jacuí, o de maior contribuição no Guaíba. Com o que choveu ao longo da bacia, o nível já elevado tende a subir ainda mais com inundações no Centro do estado, na Região Carbonífera e na parte final junto ao delta na região de Eldorado do Sul e Porto Alegre. O Jacuí ainda subia nas últimas horas em Cachoeira do Sul e Rio Pardo, ou seja, o pico de vazão do rio só irá chegar na semana que vem, mas terá o seu efeito no Guaíba reduzido pela drástica queda da vazão do Taquari.
Situação vai piorar nas ilhas e Cais Navegantes tem risco de inundação
Diante do cenário dos rios contribuintes, esta nova cheia já é maior que a da semana passada que teve pico de 2,11 metros no Cais Central na sexta-feira (24). A tendência é de o Guaíba subir mais com alta probabilidade de ficar acima da cota de alerta de 2,5 metros nas próximas 24 a 48 horas.
A MetSul Meteorologia enfatiza que o risco maior em Porto Alegre nos próximos dias deverá se concentrar nas ilhas da capital, no bairro Arquipélago, onde os primeiros alagamentos já começaram e tendem a se agravar hoje e amanhã. No pico da cheia, diferentes pontos das ilhas podem ter alagamentos e inundações com provável remoção de famílias de suas casas.
Como o nível do Guaíba é maior mais ao Norte, uma vez que os rios desaguam perto daquela área, há possibilidade de transbordamento no Cais Navegantes, entre a ponte velha e a ponte nova, afetando os clubes náuticos com sede na região. O nível do Guaíba estava em 2,79 metros no começo da manhã no Cais Navegantes, onde as águas transbordam ao redor de 3 metros.
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Entenda a complexidade do Guaíba
Prever o nível do Guaíba é muito complexo e difícil, uma vez que há uma série de variáveis diferentes das usadas em um prognóstico de nível de um rio apenas. Há vazão simultânea de múltiplos rios e com os picos de cheia chegando em momentos distintos pelas dimensões das bacias.
O fato de ser a vazão de muitos rios com os picos de cheia de cada um chegando em momentos diferentes pelo percurso de cada bacia, aumenta a complexidade e a dificuldade de se prever o nível do Guaíba.
No caso de agora, alguns rios contribuintes já atingiram os seus picos de cheia e outros ainda não antes que desaguem no Guaíba, assim o cenário exige atenção não apenas nos próximos dois a três dias, mas ainda na semana que vem.
Há também a variável do vento (meteorológica), que não costuma interferir nos rios que desaguam no Guaíba, mas tem enorme impacto no manancial de Porto Alegre. Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos e sofre os efeitos do vento que sopra na lagoa, seja pela direção ou intensidade.
Se venta forte do quadrante Sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais. No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 50 cm a 70 cm com vento Sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas.
Preocupa-nos que no final do sábado e em parte do domingo, durante e logo após a passagem de uma frente fria, pode ventar de Sul forte temporariamente no Norte da lagoa, gerando efeito de represamento e causando súbita elevação. Com o nível em que o Guaíba estará no momento em que começar o vento, mesmo a possibilidade de atingir a cota de inundação ou se aproximar dela não se pode afastar.
Enfatizamos uma vez mais que a cheia dos próximos dois a três dias não repetirá as grandes de novembro de 2023 e maio de 2024. O cenário é de alerta para uma cheia de maior porte do Guaíba pelos valores médios históricos, mas não se deve esperar uma inundação de grandes proporções ou extrema como nos dois episódios do El Niño de 2023-2024.