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Primeiro dia. Começou a onda de temporais no Rio Grande do Sul nesta quinta-feira que a MetSul Meteorologia vinha insistentemente alertado desde o começo da semana. Logo nas suas primeiras horas já produziu danos e transtornos no Estado. Os maiores problemas nesta fase inicial do período de tempestades que se antecipa se deu na região da Capital. Logo no começo do dia, o céu de Porto Alegre foi tomado por freqüentes raios, anunciando o forte temporal que viria logo depois.



Muitos raios cortaram o céu de Porto Alegre no começo da madrugada desta quinta-feira – Fabrício Maraschin


Raios acompanharam a formação de fortes áreas de instabilidade no Leste do Rio Grande do Sul – Via @ibirabali


Impressionante registro dos raios sobre o bairro Navegantes, na zona Norte da Capital – Fabiano Gutierres

Pouco depois das duas da madrugada teve início uma chuva torrencial em Porto Alegre que em poucos minutos acumulou 32 mm no Centro da cidade, o que trouxe alagamentos. Junto com a chuva veio granizo e em grande quantidade. Em menos de cinco minutos, as ruas do Centro da Capital ficaram cobertas pelas pedras de gelo (foto abaixo do Twitter Taxinight In POA).


Foi a mais expressiva precipitação de granizo em Porto Alegre que se tem na memória da história recente da cidade. As pedras de gelo caíram do Sul ao Norte da Capital e não se limitaram a apenas alguns bairros, como normalmente ocorre em temporais. E caíram ainda em várias cidades da região como Canoas, Guaíba, Eldorado do Sul, Viamão e também Alvorada.


Granizo na Capital e região – Rodrigo Almeida (esquerda), Fillipe Ely (centro) e Anderson Stefanski (direita)

Em Porto Alegre, a maior concentração de granizo ocorreu no Centro e nas ilhas do delta. O granizo chegou a acumular nas ruas do Centro histórico. As pedras de gelo do temporal destruíram vidros e persianas no Centro. Em outros bairros, também caiu muito granizo que cobriu pátios a ponto de ser possivel recolher grande número de pedras de gelo (foto de Anahí Fros).


No Centro, os maiores estragos se deram na Praça da Alfândega. Uma das cerca de vinte tendas da Feira do Livro desabou pelo peso do gelo. O acúmulo de gelo chegou a 15 centímetros e acumulou nas vias. Blocos de gelo podiam ser vistos junto ao prédio da sede do Banrisul. O Memorial do Estado teve alagamentos no temporal. Devido ao granizo, árvores perderam as folhas que formaram um tapete na praça. (fotos abaixo de Lucas Rivas, Gabriel Jacobsen e Samantha Klein da Rádio Guaíba).


O que impressionou mesmo no Centro foi a enorme quantidade de gelo que caiu, apesar da precipitação ter durado poucos minutos. O granizo formava blocos de gelo nas ruas centrais da Capital na madrugada e mesmo muitas horas depois ainda se podia ver blocos de gelo no Centro da manhã de hoje. (fotos da Rádio Guaíba na esquerda e de Fernando Mainar na direita).


A chuva de granizo que atingiu Porto Alegre e a região na madrugada dessa quinta-feira causou maiores estragos no município de Eldorado do Sul e nas ilhas da Capital. A estimativa é de que mais de 300 casas tenham sido danificadas nas ilhas (foto abaixo de André Ávila do Correio do Povo). Em Eldorado do Sul, outras centenas de residências tiveram os seus telhados danificados. O Litoral Norte do Estado foi atingido pelo temporal em torno do mesmo horário. De acordo com o Corpo de Bombeiros de Tramandaí, houve registros pontuais de telhas danificadas, mas não há ocorrências graves na região. A Defesa Civil também deve calculas os prejuízos em áreas rurais da Região Metropolitana e da Região Carbonífera do Estado.


O temporal no Leste do Estado se deu com o avanço de ar muito quente pelo Oeste e o Noroeste, que havia elevado a temperatura a quase 38ºC horas antes na região Noroeste, o que detonou a formação de intensas áreas de instabilidade no Sul e no Leste . A imagem de satélite do momento do granizo em Porto Alegre acusava a presença de faixa de nuvens mais carregadas no Leste que era naquele momento alimentada por ar muito quente de Oeste que trazia vento com rajadas de Norte no interior. Esta linha daria lugar logo depois a um CCM (Complexo Convectivo de Mesoescala), um aglomerado de nuvens carregadas, sobre o Atlântico na costa. Já a imagem de radar da hora do granizo mostrava uma célula isolada com altíssimas taxas de refletividade na região da Capital, consistente com a forte precipitação do fenômeno que foi observada.


A manhã desta quinta foi de novos temporais. Em Pelotas, o dia virou noite (foto abaixo de Ceci Diehl via Diário Popular). Conforme o Laboratório de Agromoteorologia da Embrapa Clima Temperado, da meia noite até às 14h30min choveu 60 mm em Pelotas. Diversas ruas da cidade do Sul do Estado alagaram rapidamente. Em Rio Grande, a chuva forte a intensa também causou alagamentos. O acumulado de chuva foi de 70 mm até 14h. Também até o mesmo horário choveu 72 mm em Canguçu, 62 mm em Mostardas e 53 mm em Bagé. Em Porto Alegre, o céu voltou a escurecer no final da manhã desta quinta (foto abaixo de André Ávila do Correio do Povo). Choveu no Centro desde o início do mau tempo às 2h até 14h um total de 45 mm.



Atenção – Esta onda de tempo severo será longa e vai seguir até o domingo. Neste período de quatro dias, o Estado estará sob a influência de ar extremamente instável que propiciará a geração de nuvens muito carregadas capazes de trazer chuva localmente forte a torrencial, vendavais isolados e queda de granizo em pontos localizados. Espera-se ainda uma alta incidência de raios no território gaúcho no período de hoje a domingo. A MetSul alerta que alguns dos temporais podem ser fortes a intensos, com potencial de causar novos transtornos e danos. Os volumes de chuva deverão ser muito altos na soma de hoje ao começo da segunda-feira em diversas regiões com a possibilidade de elevação de níveis de rios e arroios, inclusive com transbordamentos. Acumulados de 100 mm a 200 mm são esperados em pontos do Centro, Sul e Leste do Rio Grande do Sul, não se afastando volumes até maiores. É alto o risco de chuva forte a intensa em Porto Alegre no período com alagamentos e outros problemas até domingo. As pancadas serão torrenciais em alguns momentos com altos volumes em curtos intervalos. De hoje até sábado, o tempo severo será gerado pelo fluxo de ar extremamente quente de Norte para o Estado. No domingo, massa de ar mais frio impulsiona uma frente fria pelo Rio Grande do Sul que ao encontrar a massa de ar muito quente a atmosfera carregada de umidade deve favorecer novas ocorrências de chuva forte a intensa com temporais.

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