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Ed Hawkins/Divulgação

Jamais o planeta experimentou um período tão quente desde o ano, nascimento de Cristo, de acordo com os dados científicos de temperatura planetária obtidos a partir de medições por termômetros e proxies como anéis de árvores e cilindros de gelos. O gráfico da temperatura planetária mostra um salto na temperatura global nos últimos anos, diferentemente de qualquer padrão observados nos dois mil anos anteriores.

Céticos do aquecimento global sustentam com razão que a Terra teve vários períodos mais quentes que o atual no passado, entretanto foram mudanças que acompanharam idades geológicas e se deram ao longo de milhares de anos enquanto agora o aquecimento está ocorrendo numa escala de décadas acompanhando uma cada vez maior concentração de gases do efeito estufa na atmosfera que tem origem na atividade humana e não natural.


De acordo com a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), depois de dois anos consecutivos (2019 e 2020) classificados entre os três mais quentes já registrados, a Terra ficou menos quente em 2021. Mas não muito. De acordo com uma análise de cientistas dos Centros Nacionais de Informações Ambientais da NOAA (NCEI), 2021 ficou em sexto lugar na lista dos anos mais quentes já registrados, desde 1880.

A temperatura média da superfície terrestre e oceânica da Terra em 2021 foi 0,84ºC acima da média do século 20. Também marcou o 45º ano consecutivo (desde 1977) com temperaturas globais subindo acima da média do século 20. Os anos de 2013-2021 estão todos entre os dez anos mais quentes já registrados.


A temperatura da superfície terrestre e oceânica do Hemisfério Norte também foi a sexta mais alta já registrada, com 1,09ºC acima da média, segundo a NOAA. “Observando apenas as áreas terrestres do Hemisfério Norte, a temperatura foi a terceira mais quente já registrada, atrás de 2016 (segunda mais quente) e 2020 (a mais quente)”, informou a agência.

A temperatura mundial atingiu uma média superior a 1,0°C acima dos níveis pré-industriais nas últimas duas décadas. Foi a primeira vez que um período de 20 anos atingiu tal limite desde que os registros começaram em 1850. Os dados de temperatura publicados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) em seu relatório preliminar do Estado do Clima Global de 2021 mostraram que o período 2002-2021 atingiu uma média de 1,01°C (± 0,12°C). O Acordo de Paris tem como objetivo limitar o aquecimento global bem abaixo de 2,0°C e de preferência na meta superior de 1,5°C.

O planeta está aquecendo tão rapidamente que os cientistas agora dizem que cruzaremos um limiar crucial de aumento da temperatura planetária já em 2030, uma década mais cedo do que se pensava anteriormente. As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera eram maiores em 2019 do que em qualquer momento em pelo menos dois milhões de anos, e os últimos 50 anos tiveram um aumento da temperatura na Terra sem precedentes em pelo menos dois mil anos.

O último relatório do IPCC observou que muitos dos efeitos das mudanças climáticas até 2050 já são inevitáveis pelas emissões que já foram feitas e alcançaram a atmosfera, mas observa que ainda há tempo para reduzir significativamente os impactos climáticos no final deste século. Em síntese, o estrago já foi feito, mas ainda é possível evitar o pior.

A mudança de linguagem e perspectiva é clara. Em comparação com seu primeiro relatório, em 1990, a nova avaliação climática do IPCC reflete a transição do aquecimento global como um problema futuro distante para uma crise na atualidade. “Mudanças generalizadas e rápidas” já ocorreram e o impacto é cada vez mais sentido em todo o mundo. “Indicadores em grande escala de mudanças climáticas na atmosfera, oceano e criosfera [áreas congeladas] estão atingindo níveis e mudando em taxas nunca vistos em séculos a muitos milhares de anos”, dizem os autores do relatório.

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