Cientistas do mundo inteiro fazem o constante monitoramento do gelo na Antártida no continente gelado e por satélites. Tendência nos anos mais recentes é de menos gelo no mar durante o verão. | SEBNEM COSKUN/ANADOLU/AFP/METSUL METEOROLOGIA

A cobertura de gelo marinho na Antártida em um ano varia conforme as estações. Isso faz com que tenha um mínimo anual perto do fim do verão e um máximo costumeiramente no mês de setembro, entre o fim do inverno e o começo da primavera. Cientistas acreditam que o mínimo anual de 2024 foi recém atingido e com alguns dados preocupantes.

Em 20 de fevereiro, a provável extensão mínima do gelo marinho do ano na Antártida foi alcançada com 1,99 milhão de quilômetros quadrados, empatando como a segunda menor extensão no registro de satélites de 1979 a 2024. Este é o terceiro ano consecutivo em que o gelo marinho na Antártida atinge uma extensão mínima abaixo de 2 milhões de quilômetros quadrados.

O National Snow and Ice Data Center (NSIDC) observa que este é dado ainda preliminar, uma vez que mudanças nos ventos ou derretimento tardio ainda podem reduzir a extensão do gelo marinho na Antártida. Cientistas do NSIDC divulgarão uma análise completa das condições antárticas e árticas de fevereiro no início de março.


O mínimo deste ano está 850.000 quilômetros quadrados abaixo da média mínima antártica de 2,84 milhões de quilômetros quadrados no período de 1981 a 2010. Além disso, está 200.000 quilômetros quadrados acima do recorde de mínima cobertura estabelecido em 21 de fevereiro de 2023.

Quase todo o restante do gelo marinho está no Mar de Weddell, Mar de Amundsen e no Oceano Antártico ao largo da Terra de Victoria, com áreas isoladas ao longo das costas da Terra de Enderby e Terra de Wilkes. A extensão mínima antártica foi alcançada quatro dias antes da data mediana de 24 de fevereiro no período de 1981 a 2010. Em regra, o mínimo anual ocorre entre 20 e 27 de fevereiro.

NSIDC

Os dados preocupam porque este é o terceiro ano seguido mínimo consecutivo em que a extensão mínima anual do gelo marinho na Antártida fica abaixo de 2 milhões de quilômetros quadrados. Os mínimos registrados em 2022, 2023 e 2024 são os três mais baixos nos 46 anos de registro.


Cinco das extensões mínimas mais baixas do gelo marinho antártico ocorreram desde 2017. Com essa sequência de anos com valores baixos, a tendência na extensão mínima antártica é negativa, e é natural especular se esse declínio é significativo.

NSIDC

No entanto, o período desde 2017 ainda é muito curto para avaliar se esses recentes valores baixos indicam um sinal claro de diminuição; a magnitude da tendência ainda é pequena em relação às variações ano a ano na cobertura de gelo. Em 2013 a 2015 foram registradas extensões mínimas altas quase recordes.

Em geral, a tendência de queda na extensão mínima anual do gelo marinho antártico, calculada ao longo do registro completo de satélites, é de 4.700 quilômetros quadrados por ano, ou 1,7% por década em relação à média de 1981 a 2010. Essa tendência não é estatisticamente significativa, ao contrário do Ártico, onde a tendência na extensão mínima do gelo marinho é de magnitude maior e tem forte sinal estatístico.

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