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Muita gente estranhou o aspecto do céu nesta sexta-feira (20) no Rio Grande do Sul e com razão. O céu estava diferente hoje em muitas cidades gaúchas, especialmente da Metade Norte, uma vez no Sul e no Oeste o tempo fechado e com chuva em diversos pontos pela atuação de uma frente fria somente permitia enxergar nuvens.

Céu rosa em Campo Bom na manhã de hoje pela fumaça das queimadas | Nilson Wolff

Pinto Bandeira com céu laranja na manhã de hoje pela fumaça das queimadas | Juliana Ceccon

Fumaça cobrindo Caxias do Sul hoje de manhã | Diego Oselami

Por que o céu ficou assim? A resposta está a centenas e até milhares de quilômetros do território gaúcho. Como já é comum nesta época todos os anos, de grande quantidade de fumaça de queimadas e incêndios alcança o Rio Grande do Sul. A imagem do satélite GOES-16 da NOAA do começo da manhã de hoje mostrava uma pluma de fumaça que descia da região amazônica até o Rio Grande do Sul.


NOAA

No caminho, a fumaça oriunda principalmente da região Sul da Amazônia era reforçada pela emitida por queimadas e incêndios também na Bolívia, Nordeste da Argentina, parte do Centro-Oeste do Brasil e, principalmente, do Paraguai. Observa na imagem de satélite como a pluma de fumaça vinda da Amazônia tem uma coloração mais leitosa ao passo que a fumaça que vinha do Paraguai para o Rio Grande do Sul era marrom na imagem, sinalizando que era muito mais densa.

NOAA

O Paraguai enfrenta graves incêndios e queimadas nesta semana sob uma massa de ar seco e extremamente quente que cobre o país por vários dias e está trazendo recordes de máximas para agosto. A temperatura há vários dias tem ficado perto ou superado os 40ºC no território paraguaio. Com a seca severa e até excepcional na região, o calor extremo e recorde favorece uma explosão de queimadas.

Enormes incêndios atingem o Paraguai | AMPY

O índice de qualidade do ar na manhã de hoje em Assunção passava de 300 em razão da densa fumaça, o que sinaliza uma péssima qualidade do ar e perigosa para a saúde. Valores acima de 300 costumam ser vistos só em algumas das cidades mais poluídas do planeta como Pequim, na China, e Nova Déli, na Índia.

A massa de ar quente que cobre o Centro e o Norte da América do Sul é enorme e isso está favorecendo um elevado número de queimadas. O mapa abaixo divulgado pela agência espacial norte-americana NASA mostra os focos de incêndio na América do Sul entre ontem e hoje.

NASA

Chama a atenção a enorme densidade de focos de calor registrados do Centro para o Sul do Paraguai que, pela proximidade do Rio Grande do Sul e a trajetória do vento em altitude, acaba tendo grande impacto na presença de fumaça sobre o território gaúcho.

Uma intensa corrente de jato em baixos níveis da atmosfera, um corredor de vento a cerca de 1.500 metros de altitude, que precede a frente fria, se origina na Bolívia e vem até o Rio Grande do Sul. Isso explica que muita fumaça da Amazônia, Bolívia e Paraguai tenha chegado ao Estado nesta semana, especialmente nas últimas horas.

Modelos atmosféricos que fazem projeções de aerossóis indicam que nos próximos dias o fluxo de fumaça deve seguir de Noroeste para Sudeste rumo ao Rio Grande do Sul.

Projeção de fumaça para sábado, domingo, segunda e terça | Copernicus

A frente fria que chegou ao Estado hoje deve começar a recuar para o Uruguai e o Sul gaúcho neste fim de semana como uma frente quente a semi-estacionária, o que vai fazer com que volte a ingressar ar mais quente com vento do quadrante Norte, o que manterá o ingresso de fumaça no estado gaúcho.


O modelo de aerossóis CAMS da Europa, inclusive, indica aumento do ingresso de fumaça no começo da próxima semana no Uruguai e no Rio Grande do Sul.

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Em cidades que tiveram chuva, a MetSul não descarta a possibilidade de ocorrer “chuva preta” com a precipitação do material particulado das queimadas junto com a água da chuva. Há vários precedentes nos últimos anos de precipitação escura em cidades do Sul e do Sudeste do Brasil sob a presença de muita fumaça.

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