Frente quente provocou chuva forte, intensa atividade elétrica e episódios de granizo em diversos municípios do Rio Grande do Sul na madrugada e manhã deste domingo (16). A instabilidade atingiu principalmente áreas do Sul, Oeste, Centro e Leste do estado, com temporais isolados e volumes elevados de chuva em alguns pontos.

Foto do granizo pela frente quente

Granizo grande atingiu Frederico Westphalen | REDES SOCIAIS

A configuração atmosférica foi favorecida pelo ingresso de ar quente e úmido pelo continente, enquanto uma massa de ar frio permanecia na costa. Entre as duas massas de ar, formou-se uma zona de contraste térmico que favoreceu a ascensão do ar quente. O resultado foi a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, capazes de produzir chuva intensa, raios e granizo.

Outro ingrediente importante foi a atuação de uma corrente de jato em baixos níveis, com ventos fortes de Norte e Noroeste entre aproximadamente 1.000 e 2.000 metros de altitude. Esse corredor de vento transporta ar quente e úmido para o estado, aumentando a disponibilidade de energia e alimentando as áreas de instabilidade.

O ar quente transportado para o Sul do Brasil encontrou a massa de ar mais fria e avançou sobre ela, favorecendo a formação da frente quente. A instabilidade mais ampla ocorreu na madrugada e de manhã, mas a atmosfera seguirá bastante instável ainda no restante do dia.

A frente quente tende a se deslocar e recuar para o Sul gaúcho, mantendo condições para chuva forte e novos temporais, especialmente em cidades do Sul do Rio Grande do Sul na tarde e noite deste domingo.

Leia tambémCalorão, chuvarada e granizo: veja a bagunça do tempo nos próximos dias

O episódio deste domingo faz parte de um cenário de instabilidade prolongada, que deverá persistir nos próximos dias com maior impacto no Uruguai, Oeste e o Sul do estado. A preocupação maior da MetSul Meteorologia, além dos temporais, está na persistência da chuva sobre o Uruguai e o Sul gaúcho por dias, favorecendo acumulados elevados e aumentando o risco de alagamentos, inundações e elevação dos níveis dos rios.

Chuva com altos volumes

Os acumulados de chuva até o meio-dia deste domingo atingiram 105 mm em Piratini, 91 mm em Canguçu, 87 mm em Aceguá, 86 mm em Pinheiro Machado, 82 mm em Hulha Negra, 77 mm em São Lourenço do Sul, 69 mm em Cerrito, 64 mm em Bagé, e 53 mm em Cristal.

Os volumes no Sul do estado devem aumentar muito até o meio da semana com a frente quente passam à condição de semi-estacionária, o que vai trazer precipitação ainda por dias e deve favorecer acumulados de 200 mm a 300 mm com marcas isoladas maiores no extremo Sul gaúcho.

Frente quente trouxe granizo

Temporais com queda de granizo atingiram diferentes pontos do estado nas últimas horas com registro do fenômeno em municípios como Frederico Westphalen, Osório e Viamão, dentre outros. Em Osório, no Litoral Norte, pelo menos 20 residências tiveram destelhamentos após a queda de pedras de gelo, principalmente no distrito de Palmital. Em Frederico Westphalen,  o granizo atingiu comunidades rurais e algumas pedras chegaram a 6 centímetros de diâmetro.

Por que frentes quentes são pródigas em causar granizo? Frentes quentes ocorrem quando uma massa de ar quente e úmido avança sobre uma camada de ar mais frio, que é mais densa e permanece próxima à superfície. O processo faz o ar quente subir gradualmente e cria uma atmosfera muito instável com nuvens carregadas.

Dentro das nuvens, as correntes ascendentes podem atingir grande intensidade e transportar gotas de água para altitudes onde as temperaturas estão muito abaixo de 0°C. Essas gotas podem permanecer líquidas mesmo em temperaturas negativas, formando água super-resfriada. Ao entrar em contato com partículas de gelo, elas congelam e passam a aumentar progressivamente o tamanho das pedras.

Quanto mais intensa for a corrente ascendente, mais tempo o granizo permanece suspenso dentro da tempestade. Nesse período, a pedra pode subir e descer várias vezes dentro da nuvem, acumulando novas camadas de gelo. Quando seu peso finalmente supera a força da corrente ascendente, ela cai para a superfície. Por isso, ambientes de frente quente e fortes correntes ascendentes podem produzir muito granizo.

RIO GRANDE DO SUL REGISTRA 73,3 MIL RAIOS ATÉ O MEIO-DIA

O Rio Grande do Sul registrou 73.300 descargas elétricas nas primeiras 12 horas deste domingo, de acordo com dados do sensor GLM (Geostationary Lightning Mapper) do satélite meteorológico GOES-19.

Leia tambémMetSul reforça alerta de chuva excessiva com inundações

A maior quantidade de descargas entre as cidades monitoradas no período ocorreu em Bagé, que contabilizou 5.451 raios. Sant’Ana do Livramento aparece na segunda posição, com 4.565, seguida por Dom Pedrito, com 4.256. Lagoa dos Patos aparece em quarto lugar, com 3.516 descargas.

A atividade elétrica também foi muito elevada na região de Piratini e Canguçu. Piratini registrou 2.826 raios, enquanto Canguçu teve 2.816. Encruzilhada do Sul aparece logo depois, com 2.444 descargas, seguida por Caçapava do Sul, com 2.078.

Na sequência do ranking estão Quaraí, com 1.974 raios, São Gabriel, com 1.742, e Pinheiro Machado, com 1.739. São Lourenço do Sul teve 1.526 descargas, enquanto Lavras do Sul registrou 1.423 e Aceguá, 1.360.

Santana da Boa Vista contabilizou 1.321 raios nas 24 horas analisadas. Uruguaiana teve 1.164, Candiota registrou 1.132, Cachoeira do Sul somou 1.046 e Dom Feliciano fechou a relação das localidades informadas, com 1.018 descargas elétricas.

RANKING DE RAIOS

  1. Bagé — 5.451
  2. Sant’Ana do Livramento — 4.565
  3. Dom Pedrito — 4.256
  4. Lagoa dos Patos — 3.516
  5. Piratini — 2.826
  6. Canguçu — 2.816
  7. Encruzilhada do Sul — 2.444
  8. Caçapava do Sul — 2.078
  9. Quaraí — 1.974
  10. São Gabriel — 1.742
  11. Pinheiro Machado — 1.739
  12. São Lourenço do Sul — 1.526
  13. Lavras do Sul — 1.423
  14. Aceguá — 1.360
  15. Santana da Boa Vista — 1.321
  16. Uruguaiana — 1.164
  17. Candiota — 1.132
  18. Cachoeira do Sul — 1.046
  19. Dom Feliciano — 1.018

Os números das cidades representam as descargas detectadas nas respectivas áreas de monitoramento, enquanto o total estadual de 73.300 raios corresponde a toda a área do Rio Grande do Sul coberta pelo levantamento do GLM.