
A chuva irá retornar sobre áreas castigadas por temporais recentes, enquanto Centro-Oeste e Sudeste também terão dias de instabilidade e o Nordeste segue seco
A previsão de chuva para os próximos dez dias, de 1º a 10 de outubro, mostra um Brasil de contrastes. O Sul concentra os maiores acumulados do país e é a região que mais preocupa, não só pelo volume previsto, mas pelo estado em que o terreno se encontra: depois de sucessivos episódios de chuva e temporais, muitas comunidades ainda não se recuperaram e vários rios seguem altos. Sem falar do solo saturado e vulnerável a escorregamentos.
SUL: CHUVA EXCESSIVA AGRAVA RISCOS
O mapa da MetSul Meteorologia aponta o Paraná como o epicentro das maiores chuvas, com acumulados entre 200 mm e 300 mm em 10 dias, e em alguns pontos mais do que isso. Esse volume corresponde a quase o dobo da média histórica do mês inteiro em poucos dias. Já Santa Catarina aparece com acumulados na faixa de 100 mm a 200 mm, e o Norte do Rio Grande do Sul com 100 mm a 150 mm. Já a Metade Sul gaúcha deve ter volumes bem menores.
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O ponto de atenção é a vulnerabilidade. Com o solo encharcado, a água escoa mais rápido e encontra rios que ainda não baixaram o suficiente. Nada disso significa que o cenário se repetirá em cada cidade, mas aumenta a chance de alagamentos, deslizamentos e novas elevações dos rios onde chover mais forte.
RIOS EM CHEIA NO RIO GRANDE DO SUL
Na manhã desta quinta-feira (1º), vários pontos monitorados no Rio Grande do Sul seguiam acima da cota de inundação. No Rio Jacuí, Triunfo estava com 5,73 metros (cota de 4,67 m), Dona Francisca com 8,44 metros (cota de 7,50 m) e Cachoeira do Sul com 10,09 metros (cota de 9,00 m), este último ainda em subida. No Rio Caí, Montenegro marcava 6,29 metros, acima da cota de 6,00 m.
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Outros pontos estavam abaixo da cota, mas perto dela: São Leopoldo, no Rio dos Sinos, a 91% da cota; São Sebastião do Caí, a 89%; e Lajeado, no Taquari, a 88%. Em situações assim, uma chuva forte numa cabeceira pode fazer o nível voltar a subir em poucas horas. Por isso, acompanhar os boletins da Defesa Civil e os níveis atualizados é parte importante da rotina nestes dias.
CENTRO-OESTE E SUDESTE: CHUVA ACIMA DA MÉDIA E TEMPORAIS
Fora do Sul, a chuva se espalha pelo interior do país. Mato Grosso do Sul deve registrar entre 100 mm e 150 mm em poucos dias, volume expressivo para os padrões da época. São Paulo, o sul e oeste de Minas Gerais também têm previsão de volumes entre 100 mm e 150 mm, enquanto o Rio de Janeiro fica na faixa de 50 mm a 100 mm. A passagem de frentes frias traz risco de temporais, com granizo e vento forte, além de alagamentos pontuais.
Para a agricultura, a umidade no solo ajuda quem está começando a semear a soja no Centro-Oeste: em Mato Grosso do Sul, o plantio ainda estava em cerca de 1,5% da área no fim de setembro, e nos últimos cinco anos aproximadamente 83% foi semeado entre 17 de outubro e 14 de novembro. Por outro lado, o excesso de chuva em poucos dias pode dificultar a colheita do trigo e o tráfego em estradas rurais.
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NORTE E NORDESTE: alívio para uns e tempo seco para outros
No Tocantins, a chuva deve voltar de forma mais abrangente a partir de sexta-feira (2), com 30 mm a 75 mm no período. É um alívio depois de dias com calor próximo de 40 °C e baixa umidade, mas a distribuição irregular das pancadas limita a recuperação da umidade do solo. No extremo oeste da Amazônia (Acre, Rondônia e oeste do Amazonas), os volumes chegam a 100 mm a 150 mm. Já o norte do Pará, Amapá e Roraima ficam com pouca chuva.
No Nordeste, o quadro é de tempo firme e muito quente no interior. Há áreas com apenas 1 mm a 10 mm em 10 dias, e o calor pode se aproximar de 40 °C no interior do Piauí, no oeste da Bahia e no sul do Maranhão. A baixa umidade pede cuidado com a saúde e com o risco de queimadas.
O que esperar daqui para frente
Este é o primeiro terço de um mês que, segundo o prognóstico da MetSul, deve ter chuva acima da média no Centro-Sul sob influência do El Niño. Os números ainda podem mudar a cada nova rodada dos modelos, e a localização exata das áreas de maior volume é o que define o risco para cada cidade.