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Pior seca em décadas traz fome e miséria em Madagascar e estudo agora aponta que as mudanças climáticas não são a causa principal da crise humanitária |RIJASOLO/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Estudo de atribuição climática que acaba de ser publicado não identifica as mudanças climáticas como causa da grave seca que traz fome em Madagascar. O Sul de Madagascar está sofrendo sua pior seca em décadas, que devastou safras agrícolas e deixa mais de um milhão de pessoas necessitando de ajuda alimentar urgente. Nos últimos meses, funcionários das Nações Unidas advertiam que a nação africana estava à beira da primeira crise de fome induzida pela mudança climática no mundo.

Agora, uma nova pesquisa lançou dúvidas sobre se o aquecimento global é a principal causa e alertou para os riscos de ver as crises alimentares principalmente como resultado do impacto climático causado pelo homem. Fatores que vão desde a pobreza, a variabilidade natural do clima e até a pandemia tiveram efeito maior na crise alimentar de Madagascar do que mudanças climáticas, de acordo com um estudo publicado pelo World Weather Attribution.


É provável que as mudanças climáticas tenham contribuído para o aumento das secas na região, disseram os cientistas, embora tenham acrescentado que “essas tendências são menores que a variabilidade natural” do clima que ocorre sem a interferência do homem. “Quando você apenas culpa tudo em razão da mudança climática, então você mascara a realidade para os tomadores de decisão locais que realmente precisar lidar com os desastres”, disse Friederike Otto, do WWA.

O grupo de cientistas com base na Ásia-Pacífico, África, Europa e Estados Unidos usou métodos revisados ​​por pares para avaliar até que ponto as ações humanas foram responsáveis ​​pela precipitação abaixo da média no sul de Madagascar.


Autoridades do Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP) há meses se referiam à crise em Madagascar como sendo causada pelas mudanças no clima, o que o estudo descartou como causa principal. No mês passado, o presidente de Madagascar, Andry Rajoelina, disse que seus compatriotas “estavam pagando o preço por uma crise climática que eles não criaram”.

A conclusão do estudo corresponde aos resultados de um relatório divulgado em agosto pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, o IPCC, que indicou que o aquecimento global não deve afetar os níveis de seca em Madagascar até que atinja 2ºC acima da era pré-industrial. Atualmente, o aumento é de cerca de 1,1ºC.

“Nossos resultados não são surpreendentes, eles estão muito de acordo com estudos anteriores”, disse Friederike Otto, do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford, à agência AFP. “Fiquei mais surpresa com a afirmação da ONU tão enfática sobre mudança climática”, acrescentou, dizendo que “eventos extremos são sempre uma combinação de fatores”. “É muito importante não presumir automaticamente que tudo de ruim que está acontecendo é por causa da mudança climática, não é verdade”.

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