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O Pacífico Equatorial chega ao final do inverno climático meridional (trimestre de junho a agosto) da mesma forma que começou a estação: em condição de neutralidade. É o que mostram os mais recentes dados de anomalia de temperatura da superfície do mar publicados nesta semana pela agência climática do governo dos Estados Unidos.

Mapa de anomalia de temperatura da superfície do mar deste fim de agosto mostra típica “língua” de águas mais frias que a média características de La Niña no Pacífico Equatorial, mas condição é ainda oficialmente de neutralidade | NOAA

O último boletim da Administração de Oceanos e Atmosfera (NOAA), liberado na segunda-feira (30), indicou uma anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central (região denominada tecnicamente de Niño 3.4) de -0,3ºC contra -0,9ºC na semana anterior. Por sua vez, o Pacífico Equatorial Leste (região chamada de Niño 1+2), perto das costas do Peru e do Equador, registrou 0,0-ºC de anomalia contra -0,1ºC na semana prévia.


A anomalia da região Niño 3.4, usada oficialmente para a designação de El Niño e La Niña, hoje tem anomalia de temperatura da superfície do mar dentro da faixa de neutralidade. Para que se configure um evento de La Niña são necessárias várias semanas seguidas de anomalias negativas abaixo de -0,5ºC e o acoplamento das condições atmosféricas com as oceânicas para que seja declarado um evento do fenômeno, o que ainda não ocorreu.

Quando o Pacífico se encontra em neutralidade, como hoje, a contrario sensu, a condição do clima não é de normalidade, correlação falsa que é muitas vezes feita. Neutralidade não é sinônimo de normalidade em se tratando dos efeitos do Oceano Pacífico no clima tanto regional como global. Secas e inundações como ondas de calor e frio ocorrem em diferentes partes do mundo.

A despeito de a última semana ter mostrado um aquecimento do Pacífico Equatorial, e tais variações bruscas semanais são comuns, o mais recente levantamento de probabilidade divulgado pela Universidade de Columbia em parceria com a NOAA, a agência climática norte-americana, sinalizou justamente para o trimestre de primavera (outono no Hemisfério Norte) a maior chance de que retornem as condições de La Niña.

Nesse sentido, o levantamento com base em modelos climáticos indicou um aumento da probabilidade de La Niña. A última análise indicou para o trimestre de setembro a novembro 62% de probabilidade de La Niña e 37% de neutralidade. Para o trimestre outubro a dezembro, 67% de chance de La Niña e 32% de neutralidade. Já para o período de novembro a janeiro, 69% de La Niña e 29% para neutralidade.

E para o trimestre de verão dezembro de 2021 a fevereiro de 2022, 64% de probabilidade de La Niña e 33% de neutralidade. Finalmente, para o trimestre de janeiro a março de 2022 os indicativos mais recentes são de 55% de La Niña e 41% de neutralidade. As probabilidades de El Niño deixam de ser citadas porque irrisórias.

O Climate Prediction Center da NOAA, a agência climática do governo norte-americano, emitiu um La Niña Watch para o trimestre de setembro a novembro, o que sinaliza a possibilidade de retorno do fenômeno no período. A agência se fundamenta nas projeções de modelos de clima que para o trimestre apontam um resfriamento maior das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.


Desde o começo do ano já se esboçava um cenário de possibilidade de retorno da fase fria neste ano. Modelos de clima de mais longo prazo ainda no verão apontavam condição de resfriamento do Pacífico no segundo semestre que poderia levar a uma nova fase fria. Em 13 de março deste ano, a MetSul publicou análise indicando a possibilidade de La Niña no começo de 2022.

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O retorno da La Niña é ainda uma possibilidade e existe a chance de que o Pacífico permaneça em neutralidade fria, perto do limite da La Niña durante os próximos meses. Sob qualquer destes cenários é alto o risco para a agricultura da Argentina, Uruguai e do Sul do Brasil nos meses da safra de verão de 2021/2022.

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