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O estado do Mato Grosso do Sul terminou o mês de julho com o segundo maior índice de queimadas da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais desde o começo dos registros em 1998.

Segundo o monitoramento do grupo de queimadas do INPE, no mês de julho foram registrados 1.305 focos de queimadas. Foi maior número para o mês desde 2005, quando o estado registrou 1.364. Neste mês de agosto, que recém começou o órgão já contabilizou 627 até o dia 8 contra uma medie histórica mensal de 853. Significa que já nos próximos dias a média do mês será superada, ainda na primeira quinzena. 

As queimadas são resultado da chuva escassa dos últimos meses que caracteriza um período de estiagem. Com base nos dados da estação do Instituto Nacional de Meteorologia de Campo Grande é possível ter uma idéia do déficit da chuva na região.


 Em março, a capital do Mato Grosso do Sul anotou apenas 80,2 mm diante de uma média histórica de 149,6 mm. Choveu apenas 53% da normal histórica.  Em abril, 90,2 mm e ao redor da média mensal de 89,4 mm. Em maio, a chuva somou 182,4 mm e a média histórica era 88,2 mm.  Choveu mais que o dobro da média. A situação mudou nos meses de inverno. Em junho foram apenas 41,2 mm contra uma média de 47,4 mm. E em julho somente 4 mm para uma média histórica mensal de 37 mm. 

Para entender a influencia da chuva não basta analisar totais de precipitação mensais. É necessário entender como a chuva se distribuiu em freqüência e volume. No mês de maio, que teve o maior acumulado, por exemplo, é fundamental ressaltar que do total de 182,4 mm, 105 mm ocorreram somente no dia 13, ou seja, em 24 horas choveu 57% do total do mês inteiro.

Bombeiros caminham sobre o solo rachado pela forte estiagem

Essa chuva não colabora para atenuar os efeitos da estiagem no longo prazo. No mês de abril o volume foi razoável, um total de 90 mm, porém ocorreu em apenas dois dias, ou seja, foram 28 dias sem nenhum gota de chuva no mês.


Anomalia de chuva dos últimos seis meses mostra que o Mato Grosso do Sul teve grande déficit de precipitação

A combinação de ar seco, baixa umidade relativa do ar e tardes quentes favorece o risco de queimadas pelo menos até metade do mês de agosto. Segundo o mapa de risco de queimadas o índice é extremo para o estado do Mato Grosso do Sul nos próximos dias. Conforme a serie histórica do INPE desde o ano 1998 o ano em que o mês de agosto teve o maior numero de focos de incêndio foi o de 2005.