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O Ministro de Estado dos Emirados Árabes Unidos e CEO da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC), Sultão Ahmed al-Jaber, dirige-se ao público na sessão de abertura do Fórum Global de Energia do Conselho Atlântico, na capital Abu Dhabi, em 14 de janeiro deste ano. Al-Jaber, também presidente das negociações climáticas da COP28 de 20203, dirige uma das maiores empresas petrolíferas do mundo. | KARIM SAHIB/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Os Emirados Árabes Unidos planejaram usar o seu papel como anfitrião das negociações climáticas da ONU como uma oportunidade para fechar acordos de petróleo e gás, apurou a rede britânica BBC. Documentos vazados revelam planos para discutir acordos de combustíveis fósseis com 15 nações, incluindo o Brasil.

O órgão da ONU responsável pela COP28 disse que se espera que os anfitriões sem preconceitos ou interesses próprios. Os Emirados Árabes Unidos não negaran o uso das reuniões da COP28 para negociações de negócios e disse que “reuniões privadas são privadas”.


Os documentos – obtidos por jornalistas independentes do Center for Climate Reporting que trabalham em conjunto com a BBC – foram preparados pela equipe da COP28 dos EAU para reuniões com pelo menos 27 governos estrangeiros antes da cúpula do clima, que começa em 30 de novembro.

Os documentos incluem “pontos de discussão” propostos, como um para a China, que afirma que a Adnoc, a empresa petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, está “disposta a avaliar conjuntamente as oportunidades internacionais de GNL [gás natural liquefeito]” em Moçambique, Canadá e Austrália.


Os documentos sugerem dizer a um ministro colombiano que a Adnoc “está pronta” para apoiar a Colômbia no desenvolvimento dos seus recursos de combustíveis fósseis. Existem pontos de discussão para outros 13 países, incluindo a Alemanha e o Egito, que sugerem dizer que a Adnoc quer trabalhar com seus governos para desenvolver projetos de combustíveis fósseis.

Os briefings mostram ainda que os EAU também prepararam pontos de discussão sobre oportunidades comerciais para a sua empresa estatal de energia renovável, Masdar, antes das reuniões com 20 países, incluindo Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, Países Baixos, Brasil, China, Arábia Saudita, Egipto. e Quénia.

O governo dos Emirados Árabes Unidos preparou um documento para uma reunião com a ministra do Meio Ambiente do Brasil Marina Silva a fim de pressionar o governo brasileiro por um negócio envolvendo a petroquímica Braskem. “Garantir o alinhamento e o endosso para o negócio no nível mais alto [do governo] é importante para nós”, diz o documento de talking points para reunião com Marina.

REPRODUÇÃO

A COP28 é a última rodada de negociações climáticas globais da ONU. Este ano será organizado pelos Emirados Árabes Unidos em Dubai e contará com a presença de 167 líderes mundiais, incluindo o Papa e o Rei Charles. Estas são as reuniões mais importantes do mundo para discutir como enfrentar as alterações climáticas.

Como parte dos preparativos para a conferência, a equipe da COP28 organizou uma série de reuniões ministeriais com governos de todo o mundo. As reuniões seriam organizadas pelo presidente da COP28, Dr. Sultan al-Jaber. Todos os anos, o país anfitrião nomeia um representante para ser o presidente da COP.

Reunir-se com representantes de governos estrangeiros é uma das principais responsabilidades dos presidentes da COP. É função do presidente encorajar os países a serem tão ambiciosos quanto possível nos seus esforços para reduzir as emissões.

Os documentos vazados e vistos pela BBC foram preparados para o Dr. Jaber – que também é CEO da gigante empresa petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos, Adnoc, e da empresa estatal de energias renováveis, Masdar.

A tentativa de fazer negócios durante o processo da COP parece ser uma violação grave dos padrões de conduta esperados de um presidente da COP. Essas normas são estabelecidas pelo órgão da ONU responsável pelas negociações climáticas, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC). A convenção afirma que é “princípio fundamental” para os presidentes da COP e suas equipes é “a obrigação de imparcialidade”.

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