Uma erupção solar do tipo C irrompeu de uma área a Oeste da mancha solar AR 2962 entre quinta-feira e ontem, produzindo uma ejeção de massa coronal de halo completo (CME). Como resultado, um alerta de tempestade geomagnética G2 – Moderado está em vigor para este fim de semana com previsão de ser mais forte neste domingo e prosseguir ainda durante a segunda-feira.

NASA/NOAA

A grande erupção solar foi captada nas imagens da missão STEREO (Solar Terrestrial Relations Observatory) de observação solar. São duas espaçonaves quase idênticas lançadas em 2006 em órbitas ao redor do Sol. Isso permitiu imagens estereoscópicas do Sol e de fenômenos solares, como ejeções de massa coronal como a que avança pelo sistema solar neste fim de semana.

Normalmente, as erupções da classe C não são considerados fortes. As mais temidas são da classe X. No entanto, a erupção foi atipicamente longa e durou quase 12 horas, permitindo bombear bastante energia do Sol para a ejeção de massa coronal que se espalha no momento pelo sistema solar. O evento começou por volta das 15h (Brasília) de 10 de março e terminou após às 2h (Brasília) de 11 de março, portanto durou cerca de 11 horas.


A chegada desta ejeção de massa coronal vai coincidir com o 33º aniversário da tempestade geomagnética de Quebec, em março de 1989, que resultou em quedas de energia no Canadá, bem como a visualização de auroras boreais em latitudes mais baixas do que o normal. O evento de 1989 é um dos mais conhecidos na pesquisa do tempo solar pelo impacto que teve na Terra.

Os efeitos da explosão no Sol

O Centro de Previsão Espacial da NOAA alertou que esta tempestade geomagnética deste fim de semana pode produzir flutuações na rede elétrica em latitudes mais altas do planeta com alarmes de tensão. Podem ocorrer irregularidades na orientação de satélites, como ocorreu recentemente com os Starlink.

A propagação de rádio em alta frequência pode desaparecer em latitudes mais altas e auroras boreais poderão ser vistas em locais tão ao Sul nos Estados Unidos como Nova York até o Wisconsin e o estado de Washington.


As auroras podem aparecer mais ao Sul também na Europa. Elas surgem quando átomos na atmosfera de alta altitude da Terra colidem com partículas energéticas carregadas do sol, criando cores de tirar o fôlego de verde com um toque de rosa, vermelho e violeta. São mais vistas no inverno, quando as noites são frias, longas e escuras. A expectativa é que apareça na Escócia e no Norte da Inglaterra.

O Met Office, o serviço meteorológico do Reino Unido informou que ‘imagens de satélite mostram uma ejeção de massa coronal deixando o Sol na quinta, o que poderia produzir tempestades geomagnéticas menores/moderadas em 13 ou 14 de março, com avistamentos de auroras possíveis para a Escócia e o Norte da Inglaterra”.

Em um comunicado na seção de tempo espacial de seu site, o Met Office acrescentou que “a ejeção foi analisada e espera-se que tenha um componente direcionado à Terra, que deve chegar entre os dias 13 e 14”.


Uma tempestade solar ou geomagnética é uma grande perturbação da magnetosfera da Terra, a área ao redor do planeta, e é causada por erupções solares que liberam muita energia. Embora o Sol proporcione a vida, ele também ‘espirra’ com frequência, ejetando bilhões de toneladas de plasma quente no espaço em colossais bolhas de plasma e rajadas de poderosa radiação eletromagnética como raios X, raios gama e fluxos de partículas altamente energéticas.