Temporada de furacões deve ser novamente mais ativa do que o normal em 2024 no Atlântico Norte. Atlântico quente e La Niña no Pacífico formam a combinação perfeita para mais tempestades. | ALEXANDER GERST/ESA/NASA

Meteorologistas especialistas em ciclones tropicais estão extremamente preocupados com a temporada de furacões deste ano. Uma série de variáveis e sinalizações indicam o risco de ser uma temporada hiperativa e uma das mais intensas da história, o que poderia trazer consequências catastróficas em alguns dos países do Atlântico Norte que são afetados por estes ciclones, casos do Caribe, América Central e América do Norte.

Vários prognósticos devem ser divulgados ao longo da próximas semanas sobre como deve ser a temporada de furacões do Atlântico Norte deste ano, que começa no dia 1º de junho. Com base nas condições oceânicas e o que se prevê para a atmosfera durante os próximos meses, inevitavelmente os prognósticos indicarão uma temporada acima a muito acima da média.

Por que a temporada de furacões deste ano? Porque tem tudo para ser mais ativa do que o normal com muitos furacões e vários intensos, atingindo áreas de terra firme. Mas em que se baseia tamanha a preocupação? São várias as razões: retorno da La Niña, Atlântico muito quente e dados de modelos de clima.

Inicialmente, está provado que o fenômeno La Niña aumenta a probabilidade de o Atlântico Norte registrar mais furacões entre junho e novembro. Isso porque diminui o cisalhamento (divergência) de vento na região em que se formam e avançam os furacões. O El Niño promove o efeito contrário e, mesmo estando presente no ano passado, a temporada de furacões de 2023 terminou acima da média.

Neste momento, o Oceano Pacífico Equatorial ainda está com a presença do El Niño, mas nos próximos meses se espera uma rápida transição para La Niña com uma curta fase de neutralidade. O auge da temporada de furacões de 2024, entre agosto e outubro, se daria com a La Niña já atuando no Oceano Pacífico e influenciando o clima em escala global, inclusive no Atlântico Norte.

Outro fator, extremamente importante, é a temperatura do mar no Oceano Atlântico. Furacões se formam a partir da energia das águas quentes. Assim, quanto mais quente estiver o mar maior a probabilidade de uma temporada de furacões acima da média na região. No ano passado, aquecimento do oceano incomum trouxe temporada que foi significativamente mais ativa do que os meteorologistas poderiam esperar, dada a presença El Niño. Sete das últimas temporadas tiveram mais tempestades do que a média histórica.

Os meteorologistas estão de olho em especial numa parte do Atlântico. Ela é chamada por uma sigla: MDR. Trata-se da chamada Main Development Regional (Região Principal de Formação). A temperatura nesta parte do Atlântico, a denominada MDR, está neste momento muitíssimo acima do normal.

E por que isso importa? A Principal Região de Desenvolvimento (MDR) é a parte do Oceano Atlântico Norte delimitada entre 10ºN-20°N e 20ºW-60°W onde cerca de 79% de todos os intensos furacões se formam a partir das Ondas de Leste que avançam da África. A quantidade de atividade de ciclones tropicais que se forma na MDR influencia fortemente a atividade geral da temporada de furacões.

BRIAN MCNOLDY/UNIVERSITY OF MIAMI

Se a MDR está muitíssimo quente, como está agora, e as águas permaneceram nos níveis atuais ou aquecerem ainda mais nos próximos meses, estarão postas as condições ideais para uma temporada de furacões extremamente ativa. A soma de dois sinais por demais favoráveis a furacões, La Niña no Pacífico e Atlântico superaquecido, é a combinação perfeita para uma temporada de furacões muito mais ativa do que o normal com graves consequências.

E isso começa a ser esboçado nos modelos de clima com projeções de longo prazo. Os dados indicam precipitação acima a muito acima da média durante a temporada nas áreas em que se formam e avançam os furacões, da costa da África até o Caribe, América Central e o Sul-Sudeste dos Estados Unidos.

ECMWF

O indicativo de chuva acima da média, conforme a opinião de diversos meteorologistas, é um indicativo de mais ciclones tropicais (tempestades tropicais e furacões), que são fenômenos que, além de ventos arrasadores, provocam ainda quantidades de chuva extraordinárias por onde passam.

Os meteorologistas, entretanto, ponderam ser ainda cedo para se afirmar que será uma temporada desastrosa. Da mesma forma, ainda não está claro por que razão o Atlântico está a aquecer de forma mais dramática do que outros oceanos, ou por quanto tempo isso continuará.

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